Especialistas contestam monotrilho para o ABC

Publicado em: 21 de setembro de 2015

monotrilho

Obra do monotrilho em ritmo lento na capital paulista. Especialistas defendem outro modal para o ABC Paulista. Reprodução TV Globo

Na visão dos engenheiros e professores, modal é muito caro pela capacidade de atendimento. Corredor de ônibus para o trecho é melhor alternativa até que seja construído um metrô de fato onde a oferta de transporte não é plena na região

ADAMO BAZANI

Na visão dos engenheiros e professores, modal é muito caro pela capacidade de atendimento. Corredor de ônibus para o trecho é melhor alternativa até que seja construído um metrô de fato onde a oferta de transporte não é plena na região
ADAMO BAZANI
Com o valor 14% maior, saltando de R$ 4,5 bilhões para R$ 4,8 bilhões, o monotrilho da linha 18 Bronze, projetado para ter 15,7 quilômetros de extensão passa a ser alvo de contestações por parte de especialistas e estudiosos em mobilidade urbana.
Como sequer saiu do papel, a defesa agora é que nem sejam iniciadas as obras do trem que segue sobre elevados e é projetado para ligar o Alvarenga, em São Bernardo do Campo, à estação de trem e Metrô Tamanduateí, na capital, passando por Santo André e São Caetano do Sul.
Para os especialistas, antes que o governo do estado cometa o “erro” que fez com as linhas 15 Prata (zona Leste) e 17 Ouro (zona Sul), que tiveram as obras iniciadas, mas com problemas nos projetos e atrasos que dobraram os valores, deveria ser pensando um outro meio de transporte para a ligação a partir do ABC Paulista.
Isto porque, o monotrilho é caro, custando R$ 267 milhões por quilômetro, para transportar pouca gente pelo preço: a previsão é de 340 mil pessoas por dia.
“Um bom corredor de ônibus tem mais capacidade que um monotrilho e é muito mais barato”. – defendeu Sérgio Ejzenberg ao SPTTV, da Rede Globo. O engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo –USP diz que a implantação do corredor de ônibus é mais rápida e pode ser feita enquanto se elabora para o ABC um metrô de fato, de alta capacidade, que sirva áreas onde realmente não há oferta de transportes.
Parte da linha 18 seria sobreposta ao Corredor Metropolitano ABD de ônibus e trólebus cujos serviços possuem aprovação superior ao do Metrô pela população, de acordo com pesquisa de satisfação da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos. O corredor tem capacidade de atender cerca de 300 mil pessoas por dia.
“Na medida em que o monotrilho demora tanto quanto o metrô para ser implementado e os custos por quilômetro se aproximam, esse modelo passa a perder o atrativo. As linhas 15 e 17 estão encaminhadas, seria um prejuízo enorme voltar atrás. Mas a Linha 18, que nem sequer começou, é o caso de reavaliar se é a solução mais adequada. Fizemos uma aposta cara e temos de avaliar se vale a pena”, disse ao jornal “O Estado de São Paulo” Jaime Waismann, consultor em Engenharia de Transportes e ex-professor da Universidade de São Paulo – USP
Cada quilômetro de BRT pode custar em torno de R$ 30 milhões ante R$ 267 milhões do monotrilho com capacidades semelhantes.
No último domingo, “O Estado de São Paulo” trouxe uma matéria sobre os atrasos e em relação aos monotrilhos prometidos pelo governo do estado.
Todos os três sistemas que já deveriam ter sido entregues vão custar bem mais que o anunciado incialmente.
Hoje os valores de algumas obras se aproximam do metrô de alta capacidade.
“Na Linha Prata há ainda a elevação de custo em até 105% em relação à primeira promessa da obra. Ela era orçada em R$ 3,5 bilhões (valores corrigidos pela inflação) em 2010, segundo informações divulgadas pelo governo à época. Mas deve custar cerca de R$ 7,2 bilhões. Para efeito de comparação, a Linha 6-Laranja (São Joaquim-Brasilândia), que terá 15,9 km de metrô convencional, deve custar R$ 9,6 bilhões – e tem o dobro da capacidade de transporte.”
A linha 15 Prata, entre Ipiranga e Cidade Tiradentes, que deveria estar pronta em 2012, com 26,7 quilômetros e 18 estações, só tem apenas 2 estações e 2,9 quilômetros em operação. Por causa de problemas de sinalização que mantém a distância segura entre os trens a velocidade máxima em sido de 67 km/h e não de 80km/h como prevê o contrato de operação. Com isso, a quantidade de trens e viagens é menor e se o problema não for corrigido até a conclusão das obras será impossível o transporte de 48 mil passageiros por hora sentido, anunciada pelo governo do estado. Além disso, o Metrô pode rever o número de trens comprados para a linha: ao todo são 54, mas se não forem resolvidos os atrasos nas desapropriações para o pátio da Ragueb Chohfi, o governo não terá onde guardar 20 trens.
Já a linha 17 Ouro ,prevista inicialmente para ligar o Jabaquara até a região do estádio do Morumbi, deveria ser inaugurada completamente em 2012. Nenhuma estação foi entregue. O projeto oficial é de 18 estações em 17,7 quilômetros de extensão. O custo inicial era de R$ 3,9 milhões. Agora subiu 41%, sendo orçado em R$ 5,5 bilhões.
O Metrô defende o modal e diz que as obras da linha 18, do ABC, começam em fevereiro do ano que vem. A linha deveria ter sido entregue completamente no início deste ano.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.
ransportes.

Comentários

  1. Luis Nunez disse:

    Eu discordo:
    1) Com certeza esta estimativa de pessoas transportadas será superada, pois a partir do momento em que voce tem a oferta de transporte, as pessoas passarão a utiliza-lo, para lazer e trabalho. Com certeza a população vai passar a procurar e/ou aceitar emprego em regiões atendidas pelo monotrilho.
    2) O monotrilho fará integração tarifária com o Metro na linha 2 e a CPTM na linha 10, possibilitando que a população atinja vários destinos com o pagamento de apenas 01 tarifa, coisa que não ocorre com os onibus da Metra na linha 10 na estação de Santo André, nem na estação Jabaquara da linha 1 do Metro.
    3) Que trecho que o especialista fala que ficara sobreposto corredor ABD da Metra? Do Paço de SBC até a parada Djalma Dutra? 500 metros?
    4)O monotrilho tornará a viagem muito mais rápida e confortável, coisa que não acontece com os tróleibus do corredor ABD, que sofrem com interferência de transito como congestionamentos, enchentes, semáforos fora de sincronia (vide o trecho do centro de Diadema), protestos etc.
    5) O especialista não deve ter acompanhado a construção do trecho do corredor ABD que demorou salvo engano 25 anos para ligar o Terminal Diadema ao Brooklin, e que desviaram completamente do projeto original, tornando-se um corredor a esquerda, com interferencia de onibus da cidade de SP. Portanto BRT não é garantia de obra mais rápida.

    1. Luiz Vilela disse:

      Luiz Nunes, assino embaixo de seu comentário!
      Morei quase 10 anos a três quadras das obras do corredor ABD, no Brooklin Velho e vi o tamanho da enrolação e da gambiarra. Entre outras coisas, se prometeu e cancelou ônibus elétricos, que não poluiriam.
      Ejzenberg faz critica rasteira, já que ainda falta muito para os monotrilhos em construção atingirem plena operação e demonstrarem sua capacidade.

      A “obra rápida” depende diretamente do apoio das prefeituras, com as licenças, disponibilização de mapas dos subsolos e adequações do viário – o que inclui ruas alteradas e avenidas novas.
      Falta de – boa – informação torna as obras mais caras e lentas, bem como as nefastas disputas políticas; mais ainda no ABC

      1. Paulo Gil disse:

        Luiz Vilela, boa noite.

        Vai devagarinho.

        Rssssssssssssss

        Será que Sampa tem mapa de solo ????

        E os próximos “Aerotrens”, será que terão chaveamento em Y ??

        Abçs,

        Paulo Gil

    2. Alexandre disse:

      Desculpem, mas entre um corredor como da Metra e um monotrilho, prefiro o Corredor de ônibus. Por uma simples razão…o meu dinheiro e o seu dinheiro Luiz não são capim!
      Poxa, o quilômetro do monotrilho tá quase igual do metrô em termos de custo.
      E outra…E o custo de operação depois do monotrilho?
      Prefiro metrô, mas como bom pagador de imposto entre monotrilho e corredor de ônibus, 1000 x o corredor.
      Estimativa de pessoas transportadas, que já é o máximo que a linha pode suportar será superada??? Então, você está me levando a crer que o monotrilho vai nascer saturado!

      1. Luiz Vilela disse:

        Investimento realmente é muito alto, mas vale cada centavo.
        Capacidade passageiros/hora, tempo de viagem e – importantíssimo em deslocamentos longos! – variação do tempo são incomparáveis ao mais perfeito dos BRTs.
        As linhas de ônibus devem ser revistas em função das estações do monotrilho. Assim o deslocamento COMPLETO de cada usuário vai ser mais rápido e menos sujeito a variações. Se precisar mais linhas do que já tem, monotrilho permitirá usar ônibus menores, mais ágeis. Porque as rotas de ônibus serão menores.

  2. Primeiro que a obra e lenta com isso aumenta o preço e acaba saindo do mesmo valor que um metro,novidade vindo vindo dele,mais o povo adora ser pisoteado.

  3. Tiago B.A.A. disse:

    Adamo porque o governo do Estado de São Paulo, construiu um corredor simples em Guarulhos ao invés de um BRT?
    Existe uma possibilidade de transformar o corredor Guarulhos – Tucuruvi em BRT, num futuro próximo?

    1. Acredito que num futuro próximo, não.

  4. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Há muitos posts atrás eu já disse que esse Aerotrem do ABC é um absurdo.

    Calma. Explico o porque:

    O ABC já tem a CPTM há décadas, graças aos ingleses.

    Já que essa “dinherama” toda será gasta mesmo, que seja numa linha ligando o Centro de São Paulo a Guarulhos, a qual é uma cidade de um potencial econômico e populacional enorme.

    Quanto ao “Aerotrem”‘, entendo que este deve ser aplicado para a construção de uma rede que interligue modais e pontos principais.

    Por exemplos:

    Aeroporto de Congonhas Terminal Jabaquara

    Aeroporto de Cumbica Metro Azul (Tucucruvi)

    Aeroporto de Cumbica Metro Vermelho (a estação mais próxima em reta)

    Parque do Ibirapuera Metro Azul (Ana Rosa)

    CPTM Julio Prestaes Metro Azul (Sé) e Metro Vermelho (Pq D. Pedro II)

    CPTM Brás Metro Azul (Sé)

    Terminal Vila Yara CPTM (Prsidente Altino)

    Cidade Universitária CPTM (Jaguaré)

    Cidade Universitária Metro Amarelo (Terminal Buta)

    Expo Center Norte Metro Azul (Tiete)

    Anhembi Metro Azul (Tiete)

    Sambódromo Metro Vermelho (Barra Funda)

    Metro Verde (Clinicas) Metro Vermelho (Terminal Barra Funda)

    E tantas outras ligações importantes

    OBS.: Porém com um detalhe importantíssimo:

    ESTAÇÕES NO NÍVEL DO SOLO, economiza-se em escadas rolantes.

    E tantas outras ligações importantes que eu até desconheço mas que outros munícipes poderão colaborar.

    “Aetrotrem” Penha Lapa, claro que nunca, afinal será fadado a péssima relação custo beneficio sociedade.

    Pronto tenho certeza que assim estaria formada uma rede de mobilidade inter modais que ajudaria a tudo e a todos.

    $ó não entendo porque não fazem i$$o.

    Temos um “Aerotrem” semi pronto PARADO e não temos acesso sobre trilho aos aeroportos de São Paulo uma das maiores metrópoles do mundo.

    OBS 2.: Utilizo a expressão “Aerotrem” genericamente para VLT, Monotrilho e etc (sei que tecnicamente são diferente, mas é uma homengaem minha ao Sr. Levy Fidelis que sempre defendeu a ideia e hoje ela está ai, mas “parada e inacabada”

    I$$$$$$$$$O é um ab$$$URO.

    Por que será que o Brasil está em crise ????

    Se fosse só Passadina tava fácil…

    Att,

    Paulo Gil

  5. Felipe Alves disse:

    O metrô seria uma ótima alternativa para a Linha 18, mesmo que a obra seja cara e demorada!!

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