Vereadores de Diadema aprovam compensação de dívida entre ETCD e Viação Imigrantes

ETCD

Ônibus da ETCD, de Diadema, nos anos de 1990. Câmara aprova compensação de dívida da empresa com a Imigrantes, mas débitos totais da extinta companhia pública chegaram a R$ 1 bilhão.

No entanto, débito total da extinta empresa pública pode chegar a R$ 1 bilhão

ADAMO BAZANI

A Câmara Municipal de Diadema, na Grande São Paulo, aprovou nesta semana, em primeira votação, projeto da prefeitura que gera uma compensação de dívidas entre a ETCD – Empresa de Transporte Coletivo de Diadema, antiga empresa pública privatizada em 29 de abril de 2011, e a Viação Imigrantes, que operou linhas municipais. De acordo com registros da Junta Comercial de São Paulo, na época dos débitos, a Imigrantes estava em nome de Baltazar José de Sousa, Mário Elísio Jacinto, Dierly Baltrazar Fernandes Sousa, Odete Maria Fernandes Sousa e Viação Riacho Grande Ltda.

De acordo com a prefeitura, a ETCD deve R$ 4,8 milhões à empresa de ônibus referentes às gratuidades que não foram repassadas pela prefeitura. No entanto, a Viação Imigrantes possui uma dívida de R$ 5,5 milhões com a prefeitura por impostos não pagos.

Pelo projeto, aprovado pelos vereadores, a diferença de R$ 700 mil desfavorável  à Viação Imigrantes pode ser parcelada, transformada em créditos para a prefeitura, no entanto, o mais provável é que seja usada para abater dívidas em torno de R$ 110 milhões que a ETCD possui com antigas operadoras de ônibus particulares na cidade. Assim, a negociação favorável à prefeitura deve gerar um abatimento em torno de 5%.

Entre todas as dívidas ainda deixadas pela operadora pública, a estimativa é de que os valores se aproximem de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 140 milhões apenas de débitos trabalhistas.

A ETCD foi fundada em 1986, na gestão de Gilson Menezes, à época do PT e atual vice-prefeito de Diadema pelo PSB.
A empresa chegou a ter 33 presidentes e delegou parte dos serviços operacionais a outras companhias, como Viação Riacho Grande, a própria Imigrantes e a Viação Alpina, uma das credoras da companhia pública.
Em épocas semelhantes foram criadas outras empresas públicas de transportes no ABC, também por administrações petistas. Todas acabaram sendo privatizadas com altas dívidas como em Santo André com a EPT – Empresa Pública de Transportes (1989 – 1997) e a ETCSBC – Empresa de Transportes Coletivos de São Bernardo do Campo (1989 – 1996).

A maior empresa pública de transportes do país, a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, da capital paulista, considerada referência em operação e até mesmo desenvolvimento de novas tecnologias, também foi repassada à iniciativa privada com grandes débitos. Criada em 10 de outubro de 1946 teve o processo de privatização da parte operacional concluído em 1994, quando foram assumidos os serviços de trólebus. Linhas e garagens de ônibus diesel tinham sido privatizadas em 1993. Quando a CMTC foi privatizada, ela tinha 10,31 funcionários para cada ônibus. As empresas particulares tinham 5,7 profissionais em média por ônibus.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

2 comentários em Vereadores de Diadema aprovam compensação de dívida entre ETCD e Viação Imigrantes

  1. O Sr. Gilson Menezes era o vice prefeito na gestão anterior à atual.

  2. Amigos, boa noite.

    Nesta história, só há uma coisa de bom.

    A foto e o Amélia, o buzão de verdade.

    Parabéns ao autor da foto

    Att,

    Paulo Gil

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