Secretário de Transportes de São Paulo diz que falta de recursos emperra obras de mobilidade no Estado

linha 10 Turquesa

Trem da linha 10 Turquesa, da CPTM, que serve o ABC é uma das prejudicadas por contingenciamento do PAC, segundo secretário estadual dos transportes

Clodoaldo Pelissioni falou a deputados de São Paulo e reiterou atrasos nos repasses previstos pelo PAC

ADAMO BAZANI

O secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, esteve nesta terça-feira, 19 de agosto de 2015, na Comissão de Assuntos Metropolitanos, da Assembleia Legislativa de São Paulo, para dar satisfações sobre o andamento de obras do metrô, da CPTM , corredores metropolitanos de ônibus e falar de planos para a mobilidade urbana na Grande São Paulo.

Pelissioni disse que a falta de verbas é um dos principais motivos para os projetos atrasarem e responsabilizou a situação ao contingenciamento na liberação dos recursos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, por parte do Governo Federal.

Ele cita, como exemplo, a modernização de estações da linha 10 Turquesa da CPTM, que liga o Brás, na capital paulista, a Rio Grande da Serra, no ABC.

Segundo ele, a companhia de trens aguarda R$ 590 milhões da União para reformas em 18 estações do sistema de trens da região metropolitana,  entre elas Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Guapituba, Prefeito Saladino, Utinga e Ipiranga. Todas as obras, contanto com estações de outras linhas, como em Franco da Rocha, devem custar R$ 790 milhões, já somando as contrapartidas do Estado.

Mas os problemas não envolvem apenas o Governo Federal. Pelissioni admitiu que há problemas também que devem ser resolvidos exclusivamente pelo governo do estado, como licenciamentos ambientais e desapropriações.

Sobre a linha 5 Lilás do Metrô, Pelissioni reafirmou que a expectativa é entregar até junho de 2017 as estações  Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin. Outras seis devem ser concluídas até dezembro de 2017 e a estação Campo Belo somente no início de 2018.

Para a linha 17 Ouro do monotrilho, Pelissioni confirmou que a previsão de operação comercial é somente em 2017, entre o Morumbi e a região do aeroporto de Congonhas.

A sessão foi marcada por divergências entre o secretário e o deputado Carlos Neder, do PT.

O parlamentar acusou o governo do estado de ter “problemas de gestão” e disse que foram usados apenas R$ 900 milhões de um total de R$ 4,8 bilhões previstos para a secretaria de transportes. Pelissioni rebateu afirmando que de um orçamento total de R$ 8,5 bilhões, R$ 2,5 bilhões não virão, e que a execução orçamentária da secretaria bate 85% do total previsto.

Diante disso, Neder propôs que a Comissão de Assuntos Metropolitanos convide o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e a presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, ambos órgãos que destinam e gerenciam os recursos do PAC, para esclarecerem se o Governo Federal tem se negligenciado em relação às obras de transportes no Estado de São Paulo.

CONFIRA AS PRINCIPAIS OBRAS DE MOBILIDADE DO GOVERNO DE SÃO PAULO QUE ESTÃO ATRASADAS OU SEQUER TÊM PREVISÃO:

– Linha 15 Prata Monotrilho:

O trem de menor porte que circula em elevado deveria estar em operação total em 2012, de acordo com a primeira promessa do governo do estado. Apenas um trecho de 2,9 quilômetros está em operação em horário reduzido, entre as estações Oratório e Vila Prudente, das 7h às 19 h desde segunda-feira, dia 10 de agosto. O monotrilho teve contrato assinado em 2010 e só deve ficar pronto, de acordo com a nova promessa, entre 2016 e 2017. O trecho de 26,7 quilômetros tem custo hoje estimado em R$ 7,1 bilhões, mas ao menos dez aditivos contratuais devem deixar a obra ainda mais cara. Hoje, o quilômetro do monotrilho custaria R$ 265 milhões 917 mil 602 e 99 centavos.  O trecho deve contar com 18 estações. Além de problemas com desapropriações, a obra teve um contratempo: uma galeria de água pluvial que não estava formalmente no planejamento exigiu mudanças de planos e remanejamentos.

– Linha 17 Ouro Monotrilho:

Previsto para ligar o aeroporto de Congonhas até a região do Brooklin, ambos na zona Sul da Capital Paulista, o sistema elevado de trilhos teve as obras autorizadas em 2012. A previsão era de funcionamento até a Copa do Mundo, em junho de 2014. Agora o prazo é 2017. O trecho deve ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações e o custo previsto de R$ 5,1 bilhões deve ter elevação. O governo do estado aponta problemas no licenciamento ambiental, no solo da região e desapropriações como os principais entraves.

– Linha 18 Bronze Monotrilho:

O chamado monotrilho do ABC também sofre atrasos. A começar pela assinatura de contrato, que deveria ter sido feira em 2012, mas só ocorreu em 2014. As obras deveriam, na previsão inicial, ter sido entregues em 2015 (se o contrato fosse assinado antes), depois em 2016 e agora a promessa é para 2018. O atraso nas obras da linha 18 foi um dos pretextos para empresários de ônibus do ABC esvaziarem por quatro vezes a licitação da área 5 da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, correspondente às linhas intermunicipais da região. A área 5 é a única que opera em desacordo com a lei, ainda baseada em permissões precárias e não em contratos de concessão. Os empresários alegam que não sabem do impacto do monotrilho nas linhas que operam. Os 15,7 quilômetros do monotrilho do ABC devem custar inicialmente R$ 4,2 bilhões com 13 estações, entre Djalma Dutra, em São Bernardo do Campo, e estação Tamanduateí, na Capital Paulista. O custo pode ser elevado.

– Prolongamento da Linha 2 Verde do Metrô:

Seria a primeira linha de metrô de fato (não monotrilho) que sairia dos limites da Capital Paulista. O trecho novo deve unir a estação Vila Prudente, na zona Leste de São Paulo (atual terminal da linha) à futura estação Dutra, em Guarulhos, na região Metropolitana. Serão 15,5 quilômetros de prolongamento com 13 estações. Apenas as obras civis vão custar R$ 6,7 bilhões. O contrato foi assinado em 2014 e a previsão de entrega é em 2020.

– Prolongamento da Linha 4 Amarela do Metrô:

Outra promessa da campanha de 2010 deveria ter sido entregue em 2014 com a abertura de mais quatro estações. Agora, a previsão é 2018, com a conclusão das obras das estações Vila Sônia e Morumbi. Uma das alegações do governo do estado é que o consórcio de construtoras Isolux Córsam-Coviam não cumpriu os prazos estipulados pelo contrato para as obras nas estações Oscar Freire e Higienópolis Mackenzie. O contrato com o consórcio de construtoras foi anulado.

– Prolongamento da Linha 5 Lilás do Metrô:

O prolongamento da linha do metrô que parte da zona Sul da Capital Paulista foi prometido em 2010 com entrega prevista de onze estações até 2014. Porém, das novas promessas apenas a estação Adolfo Pinheiro está em operação. Agora o novo prazo é que as estações prometidas sejam entregues entre 2017 e 2018. O investimento para este prolongamento deve ser R$ 8,9 bilhões. O governo do estado anunciou que deve passar as operações da linha para a iniciativa privada.

– Linha 6 Laranja do Metrô:

O contrato foi assinado em 2013. O Metrô deveria ligar a região de Brasilândia, na zona Norte,  a São Joaquim, no centro, com 15,9 km. O custo inicial previsto é de R$ 9,6 bilhões. A promessa inicial era de conclusão até 2018. Agora foi para 2020. Dificuldades na execução das obras estão entre as alegações principais.

– Terminal de Ônibus em Americana:

O novo terminal metropolitano de ônibus em Americana, no interior de São Paulo, que permitiria conexões com as cidades de Nova Odessa e Santa Bárbara D’Oeste, deveria ter sido entregue em 2014. Tanto é que em março de 2014 o antigo terminal foi desativado. Mas foram descobertas falhas no projeto do novo terminal que não previam obras necessárias para conter enchentes no local. Por causa disso, é necessário um piscinão, encarecendo em R$ 3,8 milhões as obras. O governo do estado afirma que o atraso também é de responsabilidade da prefeitura que demorou para desmontar a antiga estrutura no local. A prefeitura nega. As obras foram adiadas três vezes em oito meses.

– Corredor de Ônibus Noroeste (Corredor Metropolitano Biléo Soares): 

As obras deveriam ter sido entregues em janeiro deste ano, mas a previsão agora é até meados de 2016. Com 47,4 Km de, o Corredor deve ligar Campinas aos municípios de Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Monte Mor, Santa Bárbara D’Oeste e Americana. O custo total foi estimado inicialmente em R$ 167 milhões. O tempo no deslocamento deve ser reduzido entre 20%  e 50% dependendo do trecho.

– Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo (Corredor Oeste): Os trechos estão atrasados por problemas financeiros e de rescisão de contratos com as empresas responsáveis pelas obras. O lote entre Itapevi e Jandira, de 5 quilômetros, tem atraso de um ano em relação ao cronograma oficial. No fim de 2014, houve rescisão de contrato com a construtora. As obras ainda não foram retomadas, mas a previsão é de que voltem a ser feitas neste ano. Não há prazo para conclusão. Já o trecho de 8,8 quilômetros entre Jandira e Carapicuíba sofre mais atrasos ainda por causa de desapropriações. “O Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo (Butantã) terá seu ponto inicial no Terminal Itapevi, junto à estação da CPTM e seguirá até o Terminal Vila Yara na capital paulista. Terá 23,6 km de extensão, abrangendo os municípios de Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba, Osasco e São Paulo (zona oeste) que, juntos, somam cerca de 12,5 milhões de habitantes. O corredor concluído beneficiará em torno de 90 mil de passageiros / dia.” – diz nota do governo do estado. O custo será R$ 236 milhões.

– Corredor Metropolitano Guarulhos – São Paulo: Divergências em relação às obras e custos entre o governo do estado e a prefeitura de Guarulhos atrasam em um ano a conclusão do trecho entre os terminais Cecap e Vila Galvão, totalizando 12,3 quilômetros. A prefeitura embargou as obras em maio, por 21 dias, que tinham sido entregues incompletas. O poder público municipal alegou que havia diferenças entre o projeto e a execução das obras. O Corredor Guarulhos – São Paulo (Tucuruvi) deve ter 20,08 quilômetros de extensão em três trechos: Trecho Taboão – Cecap (3,7 Km), Trecho Cecap – Vila Galvão (12,3 Km) e Trecho Vila Endres – Ticoatira (4,08 Km). A redução no tempo de viagem deve ser de uma hora e meia para 50 minutos beneficiando 280 mil passageiros por dia. O custo deve ser de R$ 91,9 milhões.

– VLT Baixada Santista:

O Veículo Leve sobre Trilhos entre Santos e São Vicente, deveria ter o primeiro trecho de 11,2  quilômetros em operação em maio de 2014, mas agora a previsão é somente para 2016. Este trecho ligaria o terminal Barreiros, em São Vicente, ao Porto de Santos. Segundo o governo do estado, disputas judiciais em relação às obras e questionamentos do Ministério Público sobre licenças ambientais justificam os atrasos. O segundo trecho, Porto de Santos – Conselheiro Nébias – Valongo, terá 5,6 quilômetros de extensão e está sem data definida. O primeiro trecho deve custar R$ 1, 170 bilhão e atender 70 mil passageiros por dia.

– Modernização do Corredor Metropolitano ABD:

O corredor de ônibus e trólebus possui 33 quilômetros entre São Mateus, na zona Leste de São Paulo e Jabaquara, na zona Sul, passando pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Terminal Sônia Maria (Mauá) e Diadema, além da extensão de 12 quilômetros entre Diadema e a estação Berrini, da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. A eletrificação do trecho entre Diadema e Jabaquara foi concluída em 2012, mas há poucos ônibus elétricos operando no local porque apesar de haver mais subestações de fornecimento, o governo do estado não ampliou a capacidade da rede. Mesmo sendo ainda referência de transportes na região, com alto índice de aprovação em pesquisas como da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, o corredor é antigo, sendo inaugurado em 1988. As paradas, por exemplo, estão dispostas para os embarques pela porta traseira, o que há muito tempo não ocorre. Não há possibilidade de pagamento de passagem fora dos veículos, a não ser em terminais, e não há pontos de ultrapassagem. A concessionária Metra investe na modernização dos veículos, adquirindo trólebus e ônibus novos, e na conservação de terminais, mas obras civis de remodelação do corredor dependem de intervenção do governo do estado. Questionado pelo Blog Ponto de Ônibus em maio sobre a situação o Corredor Metropolitano ABD, o secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, reconheceu que o espaço precisa de modernização, mas não definiu datas para a contratação de obras.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

5 comentários em Secretário de Transportes de São Paulo diz que falta de recursos emperra obras de mobilidade no Estado

  1. esse Corredor de ônibus Metropolitano de Guarulhos pra São Paulo é uma politiqueira só! Sera q não passa pela cabeça das pessoas, mesmo as mais instruídas e inteligentes…q o Governo do Estado ao invés de levar primeiro a obra ao Jaçanã e ao final dela, o Metrô Tucuruvi…na Zona Norte de São Paulo…quer levar a mesma a Tiquatira…o mais próximo possivel do maior colégio eleitoral do País…o Distrito de São Miguel Pta. Zona Leste da capital… e suas afjacencias….bem populosas…Acorda gente da Zona Norte! Façam pressão no Governo Estadual TUCANOÍDE! assim como se faz no Federal e Municipal, dominados pelos incompetentes PTRALHAS!

  2. Pedro Capistrano Colombo // 20 de agosto de 2015 às 21:05 // Responder

    Acho que o Governo Federal não tem dinheiro para mais nada.O Alkimin tentou acondo com a Dilma para tirar os trens de carga do centro de São Paulo fazendo o Ferroanel junto com o Rodoanel Norte.Governo Federal emPaCou e o Rodoanel já está quase pronto.

  3. Amigos, boa noite.

    Essa é a mais pura verdade.

    A falta de recursos emperra tudo mesmo.

    Emperra até a minha compra do meu G7 DD Scania, 8 rodas cromadas, rodo ar, tinta duco da Santa Rita e outros ascessoriozinhos basiquinhos.

    Agora foi muito oportuno este post sobre trilhos.

    Outro dia utilizei o Metro Amarelo e o Verde e ao trocar de linha na Estação Paulista Amarela, fiquei completamente apavorado com o congestionamento de pessoas no túnel que liga as linhas amarela e verde.

    Tirei fotos e estarei enviando ao Adamo em breve.

    Eu sugiro que as esteiras rolante e outros acessórios sejam retirados, pois matematicamente haverá um gano de espaço de no mínimo 30 %, isso só no “olhometro”.

    Eu fiquei muito preocupado, portanto deixo aqui na Internet uma questão.

    Eu gostaria de saber:

    1) O Corpo de bombeiros responsável pela área aprova estas más condições de circulação de pessoas e superlotação ????

    2) Qual é o parecer do Comando Geral do Corpo de Bombeiros sobre estas más condições de circulação de pessoas e superlotação na ligação da Linha Amarela Estação Paulista com a Linha Verde Consoloção ????

    3) O copro de bombeiros não acha que é mais seguro eliminar as esteiras rolantes ?

    Bom, depois que acontecer um METRO KISS em Sampa, não digam que o Paulo Gil não avisou.

    Eu não embarco mais nessa canoa furada de jeito nenhum.

    Vou de carro, afinal meu filho precisa de mim.

    Aguardo a manifestação do Corpo de Bombeiros, bem como do Contru (se é que ainda existe), CREA, Defesa Civil, MPE, e todos os demais órgãos competentes.

    O probema é de grande complexidade ou será que eu estou exagerando.

    Se cair uma lata no horário de pico, vai sair um pisoteamento só.

    Quem avisa amigo é.

    E não esqueçam da Luz que vai ou já foi pelo mesmo caminho superlotado de pessoas.

    Quem duvidar faça um teste no horário do rush.

    Att,

    Paulo Gil

    .

  4. edmilson miranda // 2 de outubro de 2015 às 16:42 // Responder

    como faço pra requerer do estado um parque linear na minha cidade pra trazer segurança a pedestres e ciclistas q não tem espaço e usa a marginal

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