Inglaterra vai testar sistemas de recarga de veículos elétricos em movimento

ônibus recarga asfalto

Na Coréia do Sul, ônibus elétricos têm as baterias recarregadas enquanto trafegam em asfaltos com sistema de indução magnética. Divulgação

Modelos semelhantes já são usados na Ásia. Objetivo é estimular ônibus elétricos em rotas maiores e incentivar a compra de mais carros deste tipo pelos cidadãos

ADAMO BAZANI

Enquanto o Brasil ainda não adota políticas de investimentos em veículos não poluentes e a principal cidade do País, São Paulo, sequer cumpre a lei que determina frota limpa no transporte municipal por ônibus, mais um país anuncia estudos para que o uso de carros e ônibus elétricos se torne mais interessante para os cidadãos.

A agência de transportes britânica Highways England, uma espécie de ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, da Inglaterra anunciou nesta semana que vai dar início a estudos para a implantação de sistemas nas rodovias que possam carregar baterias de carros e ônibus elétricos enquanto estes veículos estiverem em movimento.

Isso mesmo, os sistemas devem ser implantados não para o trânsito urbano, mas para as rodovias.

O objetivo é estimular de maneira indireta que mais cidadãos comprem veículos particulares movidos a eletricidade e a aplicação deste tipo de ônibus em rotas maiores, como se fossem as metropolitanas ou intermunicipais brasileiras.

O processo se dá por sistemas colocados sob o asfalto. Cabos de transmissão de energia criam campos magnéticos detectados pelos veículos  que enviam a energia para as baterias. Assim, são necessárias menos paradas para recarga, ampliando na prática a autonomia dos veículos.

Antes de ganhar as estradas, estes sistemas devem ser testados em trajetos menores ou mesmo fechados por 18 meses. O objetivo destes testes mais restritos é verificar a viabilidade financeira.

“O potencial de recarregar veículos elétricos de baixa emissão de poluentes nos abre possibilidades animadoras”, comentou o Ministro dos Transportes, Andrew Jones, segundo a BBC.

A maior dúvida em relação a estes sistemas é sobre os custos de implantação e manutenção. A parte tecnológica, segundo os pesquisadores, é a mais fácil.

Na própria Inglaterra e em outras localidades, em especial na Ásia, o método de recarga por indução magnética já foi utilizado.

Em 2013, a cidade sul-coreana de Gumi implantou 12 quilômetros de cabos e transmissores de energia sob as ruas que foram remodelas para a recarga das baterias de ônibus elétricos. As baterias dos veículos são recarregadas enquanto os ônibus estão trafegando. Com isso, a autonomia é semelhante a de um ônibus diesel, com a diferença de não poluir e não emitir alto nível de ruído nas operações.

Em 2014, na cidade de Milton Keynes, sudeste da Inglaterra, foram instaladas placas magnéticas em algumas ruas para a recarga das baterias de ônibus urbanos elétricos. A limitação é que para o processo ser finalizado, os veículos tinham de ficar parados por alguns minutos em determinados pontos.

A empresa pública de transportes Highways England também deve instalar pontos de recarga de baterias nas estradas a cada 32 quilômetros.

Se o projeto inglês pode ser considerado fora da realidade atual para o Brasil, é um passo que deve ser de conhecimento das autoridades brasileiras. O veículo elétrico não é mais tendência. É fato em diversos países que diferentemente do Brasil não discutem a implantação de uma frota elétrica, mas o aperfeiçoamento dos sistemas para a sua expansão.

Se no Brasil algo como este pode ser tido como ainda improvável, há soluções que precisam de menos testes por serem já conhecidas, como os trólebus (que são ideais em corredores e vias de melhor qualidade), os ônibus elétricos a bateria e os elétricos híbridos.

Os testes são mais necessários em relação aos tipos de trajeto do que das tecnologias em si.

Segundo especialistas, faltam no Brasil incentivos para que este tipo de transporte limpo ganhe escala e se torne mais barato na aquisição e na operação. Tais incentivos tendem a ser mais baratos que os atuais custos à saúde provocados pela poluição e não se tratam necessariamente de injeção direta de recursos, mas de deixar menos pesada a carga tributária sobre os veículos que ajudem a diminuir os gastos provocados pelo excesso de poluentes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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