Maior uso de termelétricas polui mais que todos os ônibus do Brasil ao mesmo tempo

termelétrica

Maior uso de termelétricas contribuiu para reversão de quadro de emissões de poluentes no Brasil.

Dado faz parte do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa. Pela primeira vez foram comparados os resultados das últimas quatro décadas. Aumento dos deslocamentos feitos por motos e carros de passeio deixaram o setor de energia entre os mais poluentes

ADAMO BAZANI

De acordo com o balanço de julho de 2015, o mais recente, do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito, no Brasil existem registrados 585 mil 091 ônibus e 370 mil e 672 micro-ônibus.

Agora, imagine se todos estes veículos, a grande maioria movida por diesel, estivessem ligados ao mesmo tempo. A poluição com certeza seria grande.

No entanto, o maior uso das termelétricas, que geram energia através de sistemas abastecidos por óleo diesel ou pela queima de carvão, emitiu o equivalente a todos os ônibus e micro-ônibus do País, como observou o engenheiro florestal, Tasso Azevedo, coordenador Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa – Seeg.

Nesta terça-feira, 11 de agosto de 2015, o Seeg, que integra o Observatório do Clima, divulgou o relatório de emissões e, pela primeira vez fez as comparações entre as últimas quatro décadas. O Blog Ponto de Ônibus teve acesso a integra do relatório

“Considerando só as emissões da eletricidade, causado pelas térmicas, o aumento das emissões de 2012 a 2013 no Brasil equivale a todas as emissões de ônibus do Brasil” – disse.

O maior uso das termelétricas está sendo necessário para contornar a crise hídrica que atinge o Brasil, não apenas São Paulo.

Foi a partir de 2013, que as termelétricas foram mais acionadas. E foi justamente nesta época que as emissões correspondentes ao setor de energia, que incluem transportes e energia elétrica, tiveram alta de 8%.

A queda no desmatamento traz um cenário alentador, mas não pode ser analisada de forma separada, como fazem os Ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores.

Contando com as taxas de redução do desmatamento na Amazônia, houve queda nas emissões totais de emissão de gás carbônico. Mas tirando este fator e considerando o maior número de poluição das termelétricas e dos veículos, entre 1990 e 2013, o nível de gás carbônico lançado na atmosfera brasileira mais que dobrou.

“O setor de energia foi o que apresentou maior pressão, com incremento de 103%, seguido de processos industriais e resíduos, com aumentos de emissões em 93% e 68%, e do setor agropecuário, cuja alta registrada foi de 46% no período de 1990 a 2013. … Como consequência, a mudança de uso da terra (resultante especialmente do desmatamento), que durante os anos 1990 chegou a 70% das emissões brasileiras, caiu para 35% em 2013. As emissões de agropecuária também tiveram crescimento continuo, mas menor que o de energia. Como resultado, as emissões de energia superaram as emissões de agropecuária pela primeira vez em 2012 e ampliaram essa diferença em 2013. Quando consideradas as emissões líquidas, a energia já é a principal fonte de GEE do Brasil, com 39% das emissões, seguida da agropecuária, com 36%. Entre 1970 e 2013, houve um crescimento de quase 300% nas emissões de energia” – revela trecho do relatório ao qual o Blog Ponto de Ônibus teve acesso.

No mesmo relatório, o Seeg mostra o panorama geral das emissões no Brasil com os recortes dos últimos 23 anos e dos últimos 40 anos

“Entre 1990 e 2013, as emissões brutas de GEE (Gases de Efeito Estufa) brasileiras passaram de 1,83 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (Gt CO2 e) para 1,59 Gt CO2 e – uma queda de 15%. A trajetória das emissões, contudo, teve períodos distintos de crescimento e redução de emissões, superando 2,8 Gt CO2 e em 1995 e 2004, e caindo quase à metade desse valor (1,4 Gt CO2 e) em 2012. Entre 2012 e 2013, houve um aumento de 8% das emissões apesar da quase estagnação da economia (crescimento do PIB menor que 1,5%, segundo IBGE). No mesmo período (1990-2013), as emissões globais cresceram de forma quase contínua mais de 35%, alcançando cerca de 52 bilhões de toneladas (Gt CO2 e) em 2013. No Brasil, as variações ao longo do tempo são explicadas especialmente pelas alterações do uso da terra, em especial o desmatamento na Amazônia, que já chegaram a representar mais de dois terços das emissões brasileiras e atualmente caíram para um terço do total. Quando consideradas as emissões brutas, as mudanças de uso da terra representam ainda a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil.”

SETOR DE ENERGIA QUADRUPLICOU POLUIÇÃO E FONTES RENOVÁVEIS DIMINUÍRAM NOS ÚLTIMOS ANOS. CARROS DE PASSEIO E MOTOS FORAM OS GRANDES VILÕES:

O relatório mostra que a gravidade das emissões do setor de energia, que engloba energia elétrica e combustíveis para os transportes é a mais preocupante. Desde 1970, o aumento das emissões do setor foi de quatro vezes, sendo que nos últimos cinco anos, mesmo após a Política Nacional sobre Mudança do Clima, tiveram alta de 34%. Já o uso de fontes renováveis de energia, que estavam em expansão, voltou a recuar. Nos anos de 1990, entre todas as atividades, incluindo transportes e geração de eletricidade, as fontes renováveis superaram 50%. Em 2014, eram de 40%.

O setor de energia se tornou o segundo mais poluente do Brasil. O transporte lidera neste setor, com especial destaque para motos e carros de passeio:

O setor de energia – incluindo produção e consumo de combustíveis e energia elétrica – representa a segunda maior fonte de emissões de GEE no Brasil, com 29% das emissões em 2013, atrás apenas de mudança de uso da terra, com 35% das emissões. Esse é o setor onde mais crescem as emissões nos últimos anos. Entre 1970 e 2013, as emissões se multiplicaram por quatro. Nos últimos cinco anos, portanto após aprovação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, as emissões de energia aumentaram 34%, especialmente devido à queda da participação do etanol e ao aumento do consumo de gasolina e diesel, além do aumento de geração termoelétrica no Brasil. A participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, que nos 1990 chegou a superar 50%, caiu para 41% em 2013 e em 2014 fi cou abaixo de 40% pela primeira vez desde que o Ministério de Minas e Energia começou a fazer os levantamentos. com amplo predomínio do petróleo (72% em 2013), seguido do gás natural (17%) e do carvão (6%). Entre 2000 e 2013, o crescimento mais expressivo se deu no gás natural, que triplicou as emissões no período, seguido do petróleo. Quando observadas as emissões por diferentes atividades, o transporte lidera as emissões, com 47% em 2013 (esse percentual era 38% em 1990). A partir de 2009, houve forte crescimento das emissões desse setor, em especial no transporte de cargas e no transporte individual de passageiros. O consumo de gás natural também deu um salto, na esteira do aumento de geração elétrica a partir de térmicas devido à crise das hidrelétricas. No caso dos veículos de passageiros, o crescimento das emissões se deu por dois fatores. Primeiro, o forte aumento da quilometragem rodada por carros de passeio e motos, que cresceu, respectivamente, 68% e 120% entre 2006 e 2013, segundo dados elaborados a partir do Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários 2013 (MMA, 2014).

O Observatório do Clima reúne 30 ONGs em prol do meio ambiente e especialistas independentes.  A sugestão é de que o Brasil reduza até 2030 as emissões de gás carbônico para 1 gigatonelada e, em 2050, para 500 milhões de toneladas.

Até o dia 1º de outubro, os países devem entregar suas metas de redução de emissões para a Conferência do Clima de Paris COP 21, que ocorre em dezembro.

CONFIRA O RELATÓRIO:

emissoes-seeg

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Maior uso de termelétricas polui mais que todos os ônibus do Brasil ao mesmo tempo

  1. Amigos, boa noite.

    E Angra 3, 4, 5 sei la que numero esta, mas o que importa e que esta ATRASADISSIMA.

    O relatorio, descreve o resultado que qualquer tecnico na area de energia da cancado de saber desde o 1o ano do seu curso tecnico.

    E quem sera responsabilizado pelo relaxo??????

    Pelo pagamento da divida e quem sera penalisado nos ja sabemos, toda a sociedade tantos os contribuintes quanto os ainda nao contribuintes.

    Ao inves de criar corregedoria do B.U. do RJ, para correr atras de dinheiro de pinga, por que nao e criada a Corregedoria do Relaxo e Descaso da Gestao de infraestrutura de base do Brasil.

    Esse problema sim e merecedor da criacao de um Corregedoria, afinal o prejuizo financeiro e do planeta sao irrecuperaveis.

    Tudo isso pelo dinheiro.

    Espero que sobre bastante dinhriro para alimentar o crematorio dos responsaveis, afinal ja poluiram muito, entao nao e recomendavel deixar residuos na terra.

    Ainda bem que a Mae Natureza esta cobrando o prejuizo centavo por centavo e os juros e a correcao serao altissimos.

    “SE COLHE O QUE SE PLANTA”

    Simples como a matematica badiquinha da Tia Cotinha.

    Mas nessa conta a Mae Natureza nao fara pizza de nenhum sabor e nem 1/2 a 1/2.

    Att,

    Paulo Gil

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