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Região de Campinas ganha mais um trecho de corredor e terminal

Novo terminal de ônibus começa a operar em Santa Bárbara D’Oeste e mais 5,7 quilômetros foram entregues de corredor que deve ligar Campinas aos municípios vizinhos. Foto: Ciete Silvério/A2img.

Rodoterminal foi entregue em Santa Bárbara D’Oeste. Sistema completo deveria ter ficado pronto em janeiro deste ano

ADAMO BAZANI

O governo de São Paulo entregou nesta terça-feira, dia 11 de agosto de 2015, um trecho de 5,7 quilômetros do Corredor Metropolitano Vereador Biléo Soares, na região de Campinas, e um terminal de ônibus.

As obras concluídas estão na cidade de Santa Bárbara D’Oeste.

O Rodoterminal de Santa Bárbara D’Oeste fica às margens da Rodovia Luiz Ometto (SP-306), nas proximidades do entroncamento das rodovias dos Bandeirantes (SP-348) com a rodovia Luiz de Queiroz (SP-304). O equipamento custou à EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes, R$ 12,2 milhões e conta, segundo nota do governo do estado, “com duas plataformas, divididas em quatro baias (três para os ônibus metropolitanos e uma para municipais), além de sete plataformas reservadas para os ônibus das linhas rodoviárias. Além de estacionamento para veículos particulares, a área conta com bicicletário com 20 vagas.”
Com a exploração publicitária e comercial do novo terminal, o Governo do Estado estima uma arrecadação anual de R$ 940 mil.

O governador, Geraldo Alckmin, que esteve no local, entregou também 5,7 quilômetros do corredor entre Santa Bárbara D’Oeste e Nova Odessa, passando pela Av. Ampélio Gazetta (5 Km com faixa exclusiva para ônibus e 700m de viário compartilhado). O trecho possui seis estações de embarque e desembarque e a Estação de Transferência Nova Odessa. O custo das obras foi de R$ 27 milhões para este trecho.

A EMTU também anunciou a criação de uma nova linha metropolitana, a 750, entre Santa Bárbara (Rodoterminal) e futuro Terminal Americana, em construção. A linha deve oferecer 54 viagens por dia útil. Outras quatro linhas metropolitanas devem atender ao Rodoterminal, com 100 viagens por dia, e mais quatro linhas municipais vão do novo espaço a bairros de Santa Bárbara D’Oeste.

O novo terminal e a pista inaugurada fazem parte de uma das fases do Corredor, prevista para somar 24,3 km entre as cidades de Nova Odessa, Americana e Santa Bárbara D´Oeste.

O Corredor Metropolitano Biléo Soares deve ter 47,4 km ligando Campinas aos municípios de Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Monte Mor, Americana e Santa Bárbara D’Oeste.  A obra completa deveria ter sido entregue em janeiro deste ano. Mas agora, a nova previsão é meados de 2016.

Já foram entregues 19 km entre Campinas, Hortolândia e Sumaré com demanda diária de 100 mil passageiros.  A demanda estimada no trecho Nova Odessa – Americana – Santa Bárbara é de 35 mil passageiros por dia, segundo o Governo do Estado.

Todo o restante do corredor deve ter custo de R$ 169,2 milhões.

O corredor metropolitano da região de Campinas é uma das 13 obras de mobilidade do Governo do Estado que sofrem atrasos.

Confira:

– Linha 15 Prata Monotrilho:

O trem de menor porte que circula em elevado deveria estar em operação total em 2012, de acordo com a primeira promessa do governo do estado. Apenas um trecho de 2,9 quilômetros está em operação em horário reduzido, entre as estações Oratório e Vila Prudente, das 7h às 19 h desde esta segunda-feira, dia 10 de agosto. O monotrilho teve contrato assinado em 2010 e só deve ficar pronto, de acordo com a nova promessa, entre 2016 e 2017. O trecho de 26,7 quilômetros tem custo hoje estimado em R$ 7,1 bilhões, mas ao menos dez aditivos contratuais devem deixar a obra ainda mais cara. Hoje, o quilômetro do monotrilho custaria R$ 265 milhões 917 mil 602 e 99 centavos.  O trecho deve contar com 18 estações. Além de problemas com desapropriações, a obra teve um contratempo: uma galeria de água pluvial que não estava formalmente no planejamento exigiu mudanças de planos e remanejamentos.

– Linha 17 Ouro Monotrilho:

Previsto para ligar o aeroporto de Congonhas até a região do Brooklin, ambos na zona Sul da Capital Paulista, o sistema elevado de trilhos teve as obras autorizadas em 2012. A previsão era de funcionamento até a Copa do Mundo, em junho de 2014. Agora o prazo é 2017. O trecho deve ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações e o custo previsto de R$ 5,1 bilhões deve ter elevação. O governo do estado aponta problemas no licenciamento ambiental, no solo da região e desapropriações como os principais entraves.

– Linha 18 Bronze Monotrilho:

O chamado monotrilho do ABC também sofre atrasos. A começar pela assinatura de contrato, que deveria ter sido feira em 2012, mas só ocorreu em 2014. As obras deveriam, na previsão inicial, ter sido entregues em 2015 (se o contrato fosse assinado antes), depois em 2016 e agora a promessa é para 2018. O atraso nas obras da linha 18 foi um dos pretextos para empresários de ônibus do ABC esvaziarem por quatro vezes a licitação da área 5 da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, correspondente às linhas intermunicipais da região. A área 5 é a única que opera em desacordo com a lei, ainda baseada em permissões precárias e não em contratos de concessão. Os empresários alegam que não sabem do impacto do monotrilho nas linhas que operam. Os 15,7 quilômetros do monotrilho do ABC devem custar inicialmente R$ 4,2 bilhões com 13 estações, entre Djalma Dutra, em São Bernardo do Campo, e estação Tamanduateí, na Capital Paulista. O custo pode ser elevado.

– Prolongamento da Linha 2 Verde do Metrô:

Seria a primeira linha de metrô de fato (não monotrilho) que sairia dos limites da Capital Paulista. O trecho novo deve unir a estação Vila Prudente, na zona Leste de São Paulo (atual terminal da linha) à futura estação Dutra, em Guarulhos, na região Metropolitana. Serão 15,5 quilômetros de prolongamento com 13 estações. Apenas as obras civis vão custar R$ 6,7 bilhões. O contrato foi assinado em 2014 e a previsão de entrega é em 2020.

– Prolongamento da Linha 4 Amarela do Metrô:

Outra promessa da campanha de 2010 deveria ter sido entregue em 2014 com a abertura de mais quatro estações. Agora, a previsão é 2018, com a conclusão das obras das estações Vila Sônia e Morumbi. Uma das alegações do governo do estado é que o consórcio de construtoras Isolux Córsam-Coviam não cumpriu os prazos estipulados pelo contrato para as obras nas estações Oscar Freire e Higienópolis Mackenzie. O contrato com o consórcio de construtoras foi anulado.

– Prolongamento da Linha 5 Lilás do Metrô:

O prolongamento da linha do metrô que parte da zona Sul da Capital Paulista foi prometido em 2010 com entrega prevista de onze estações até 2014. Porém, das novas promessas apenas a estação Adolfo Pinheiro está em operação. Agora o novo prazo é que as estações prometidas sejam entregues entre 2017 e 2018. O investimento para este prolongamento deve ser R$ 8,9 bilhões. O governo do estado anunciou que deve passar as operações da linha para a iniciativa privada.

– Linha 6 Laranja do Metrô:

O contrato foi assinado em 2013. O Metrô deveria ligar a região de Brasilândia, na zona Norte,  a São Joaquim, no centro, com 15,9 km. O custo inicial previsto é de R$ 9,6 bilhões. A promessa inicial era de conclusão até 2018. Agora foi para 2020. Dificuldades na execução das obras estão entre as alegações principais.

– Terminal de Ônibus em Americana:

O novo terminal metropolitano de ônibus em Americana, no interior de São Paulo, que permitiria conexões com as cidades de Nova Odessa e Santa Bárbara D’Oeste, deveria ter sido entregue em 2014. Tanto é que em março de 2014 o antigo terminal foi desativado. Mas foram descobertas falhas no projeto do novo terminal que não previam obras necessárias para conter enchentes no local. Por causa disso, é necessário um piscinão, encarecendo em R$ 3,8 milhões as obras. O governo do estado afirma que o atraso também é de responsabilidade da prefeitura que demorou para desmontar a antiga estrutura no local. A prefeitura nega. As obras foram adiadas três vezes em oito meses.

– Corredor de Ônibus Noroeste (Corredor Metropolitano Biléo Soares): 

As obras deveriam ter sido entregues em janeiro deste ano, mas a previsão agora é até meados de 2016. Com 47,4 Km de, o Corredor deve ligar Campinas aos municípios de Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Monte Mor, Santa Bárbara D’Oeste e Americana. O custo total foi estimado inicialmente em R$ 167 milhões. O tempo no deslocamento deve ser reduzido entre 20%  e 50% dependendo do trecho.

– Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo (Corredor Oeste): Os trechos estão atrasados por problemas financeiros e de rescisão de contratos com as empresas responsáveis pelas obras. O lote entre Itapevi e Jandira, de 5 quilômetros, tem atraso de um ano em relação ao cronograma oficial. No fim de 2014, houve rescisão de contrato com a construtora. As obras ainda não foram retomadas, mas a previsão é de que voltem a ser feitas neste ano. Não há prazo para conclusão. Já o trecho de 8,8 quilômetros entre Jandira e Carapicuíba sofre mais atrasos ainda por causa de desapropriações. “O Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo (Butantã) terá seu ponto inicial no Terminal Itapevi, junto à estação da CPTM e seguirá até o Terminal Vila Yara na capital paulista. Terá 23,6 km de extensão, abrangendo os municípios de Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba, Osasco e São Paulo (zona oeste) que, juntos, somam cerca de 12,5 milhões de habitantes. O corredor concluído beneficiará em torno de 90 mil de passageiros / dia.” – diz nota do governo do estado. O custo será R$ 236 milhões.

– Corredor Metropolitano Guarulhos – São Paulo: Divergências em relação às obras e custos entre o governo do estado e a prefeitura de Guarulhos atrasam em um ano a conclusão do trecho entre os terminais Cecap e Vila Galvão, totalizando 12,3 quilômetros. A prefeitura embargou as obras em maio, por 21 dias, que tinham sido entregues incompletas. O poder público municipal alegou que havia diferenças entre o projeto e a execução das obras. O Corredor Guarulhos – São Paulo (Tucuruvi) deve ter 20,08 quilômetros de extensão em três trechos: Trecho Taboão – Cecap (3,7 Km), Trecho Cecap – Vila Galvão (12,3 Km) e Trecho Vila Endres – Ticoatira (4,08 Km). A redução no tempo de viagem deve ser de uma hora e meia para 50 minutos beneficiando 280 mil passageiros por dia. O custo deve ser de R$ 91,9 milhões.

– VLT Baixada Santista:

O Veículo Leve sobre Trilhos entre Santos e São Vicente, deveria ter o primeiro trecho de 11,2  quilômetros em operação em maio de 2014, mas agora a previsão é somente para 2016. Este trecho ligaria o terminal Barreiros, em São Vicente, ao Porto de Santos. Segundo o governo do estado, disputas judiciais em relação às obras e questionamentos do Ministério Público sobre licenças ambientais justificam os atrasos. O segundo trecho, Porto de Santos – Conselheiro Nébias – Valongo, terá 5,6 quilômetros de extensão e está sem data definida. O primeiro trecho deve custar R$ 1, 170 bilhão e atender 70 mil passageiros por dia.

– Modernização do Corredor Metropolitano ABD:

O corredor de ônibus e trólebus possui 33 quilômetros entre São Mateus, na zona Leste de São Paulo e Jabaquara, na zona Sul, passando pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Terminal Sônia Maria (Mauá) e Diadema, além da extensão de 12 quilômetros entre Diadema e a estação Berrini, da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. A eletrificação do trecho entre Diadema e Jabaquara foi concluída em 2012, mas há poucos ônibus elétricos operando no local porque apesar de haver mais subestações de fornecimento, o governo do estado não ampliou a capacidade da rede. Mesmo sendo ainda referência de transportes na região, com alto índice de aprovação em pesquisas como da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, o corredor é antigo, sendo inaugurado em 1988. As paradas, por exemplo, estão dispostas para os embarques pela porta traseira, o que há muito tempo não ocorre. Não há possibilidade de pagamento de passagem fora dos veículos, a não ser em terminais, e não há pontos de ultrapassagem. A concessionária Metra investe na modernização dos veículos, adquirindo trólebus e ônibus novos, e na conservação de terminais, mas obras civis de remodelação do corredor dependem de intervenção do governo do estado. Questionado pelo Blog Ponto de Ônibus em maio sobre a situação o Corredor Metropolitano ABD, o secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, reconheceu que o espaço precisa de modernização, mas não definiu datas para a contratação de obras.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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