Governo do Paraná apresenta nova bilhetagem da RMC e garante que sistema terá mais transparência e segurança

Cartão Metrocard

Ônibus metropolitano integrado. Com nova bilhetagem eletrônica, algumas estações-tubo na capital só passam a aceitar dinheiro, vale de papel ou cartão Metrocard.

Cartão tem novidades, como a opção de crédito pré-pago que pode ser usado em estabelecimentos comerciais e lojas virtuais. Biometria vai evitar fraudes

ADAMO BAZANI

O governador do Paraná, Beto Richa, apresentou nesta terça-feira, dia 04 de agosto de 2015, o novo sistema de bilhetagem eletrônica da região metropolitana de Curitiba para as linhas de ônibus integradas.

O Cartão da Metrocard passa a vigorar nesta quinta-feira, 06 de agosto. Segundo o governador, o novo sistema é mais transparente e seguro.

“Com os novos equipamentos de bilhetagem será possível controlar a frota, os horários, a velocidade, número de passageiros, número de isentos e pagamento às empresas.” – afirmou Richa durante o lançamento dos bilhetes no Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense.

A bilhetagem eletrônica possui também um sistema de biometria facial. Câmeras instaladas nas catracas dos ônibus, estações e terminais vão captar as imagens dos passageiros com o cartão de isenção de pagamento e comparar com um banco de dados dos cadastros. O objetivo é evitar fraudes no uso das gratuidades que acabam encarecendo a tarifa para usuários e empresas que compram vale-transporte.

Outra funcionalidade nova da bilhetagem eletrônica, é que o Cartão Metrocard pode ser também um cartão de crédito pré-pago com a bandeira Mastercard.

A adesão à nova funcionalidade é espontânea. Se preferir, o passageiro pode usar o cartão apenas para o transporte. Já se quiser a opção de crédito, pode entrar em contato com a Metrocard.

Com esta opção, o cartão pode ser usado em lojas, mercados, padarias, farmácias, lanchonetes, para recarga de créditos no celular ou para as compras pela internet. Os estabelecimentos físicos ou virtuais devem aceitar a bandeira de cartões Mastercard.

A nova funcionalidade faz parte de uma parceria entre a Metrocard, que reúne as 17 empresas que operam as linhas metropolitanas integradas, a empresa de bilhetagem eletrônica Transdata, a Mastercard, a empresa Acesso, especializada em cartões pré-pagos, e a Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, órgão do governo do estado que gerencia os transportes metropolitanos.

Um vídeo institucional divulgado pela Metrocard explica as novidades do cartão:

https://www.dropbox.com/s/ardwygjtbovq3k9/METROCARDv2.mp4?dl=0

MINISTÉRIO PÚBLICO VAI ACOMPANHAR DADOS DA BILHETAGEM:

A gestão e vendas dos créditos de bilhetagem serão de responsabilidade da Metrocard, entidade das empresas de ônibus. O secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado do Paraná, Ratinho Júnior, disse que mesmo com a gestão privada, o governo vai acompanhar os dados da movimentação financeira. O Ministério Público também vai participar do acompanhamento.

“Todas as informações financeiras e de gestão da bilhetagem eletrônica serão obrigatoriamente repassadas ao governo estadual, pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, que também terá acesso simultâneo aos dados. É um sistema moderno, que abrirá as portas para o acompanhamento do usuário. Mesmo sendo uma gestão privada, que não teve nenhum real público aplicado, teremos acesso total aos dados. O processo terá a fiscalização do Ministério Público” – comentou Ratinho Júnior.

O presidente da Metrocard, gestora do sistema, Lessandro Zen, garantiu que as empresas investiram em tecnologia para a segurança da bilhetagem.

“Adotamos a tecnologia para melhorar a qualidade do atendimento e garantir mais transparência e com o maior nível de segurança existente” – disse.

Os investimentos foram bancados pelas empresas de ônibus e, segundo Zen, os custos não serão repassados para as tarifas.

O presidente da Comec, Omar Akel, disse que os dados financeiros e de movimentação de passageiros serão encaminhados para processamento na Celepar – Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná, empresa do governo do estado.

“Como os dados serão repassados diretamente a Celepar, teremos mais facilidade em fiscalizar o sistema”, explicou Akel.

APLICATIVO DE CELULAR, INTERNET SEM FIO E NOVOS PONTOS DE ÔNIBUS:

Em nota, o governo do Estado informou que ainda neste ano, os passageiros vão contar com um aplicativo gratuito para celulares e tablets pelo qual será possível ter acesso a informações do sistema, como relação das linhas e as vias atendidas, localização dos ônibus em tempo real e a previsão de quanto o coletivo deve demorar para passar em determinado ponto.

Pelo celular, portadores de deficiência visual também poderão usar o aplicativo para solicitar a parada dos ônibus para embarque.

Uma das promessas de Ratinho Júnior durante a apresentação do sistema é a implantação de wi-fi (internet sem fio gratuita) para os passageiros em todos os ônibus metropolitanos. Além disso, o secretário informou que “o governo estadual busca uma linha de financiamento com a União para a construção de pontos de ônibus nas cidades da região metropolitana.”

Em 2016, as linhas de ônibus metropolitanas vão passar por processo de licitação, segundo Beto Richa, o que deve reorganizar parte das linhas.

COMO SERÃO OS DESLOCAMENTOS E COMO PROCEDER PARA SE CADASTRAR:

Os passageiros devem estar atentos porque, dependendo do caso, devem ter os dois cartões.

Das cidades da região metropolitana para a capital, o pagamento das passagens nos ônibus metropolitanos integrados, estações ou terminais deve ser feito com o Cartão Metrocard ou com dinheiro.

Na volta, se o passageiro antes de chegar a um ônibus metropolitano integrado precisar usar um ônibus urbano municipal de Curitiba deve pagar a tarifa com o Cartão da Urbs ou com dinheiro. A transferência para o ônibus metropolitano é gratuita nos terminais desde que seja uma linha metropolitana integrada.

Na cidade de Curitiba, há sete estações-tubo que só aceitam o Cartão Metrocad, dinheiro ou o vale de papel (neste caso até 31 de dezembro).

Elas são atendidas por três linhas metropolitanas integradas.

Confira:

* Ligeirinho Curitiba-Fazenda Rio Grande: estação antiga da PUC (Prado Velho) e rua Lourenço Pinto (centro).

* Biarticulado Pinhais-Rui Barbosa: estações Pinhais (Praça Rui Barbosa, centro), Pastor Manoel Virgílio de Souza (Cajuru), Paulo Kissula e Vila Nova (Capão da Imbuia). Todas no sentido bairro.

* Ligeirinho Tamandaré-Centro Cívico: estação Praça 19 de Dezembro (Centro Cívico).

Se o passageiro embarcar em Curitiba, dentro de terminal na cidade, mesmo que seja para pegar um ônibus metropolitano, também poderá usar o cartão da Urbs. Uma vez dentro do terminal integrado, ele usa qualquer ônibus, inclusive os metropolitanos.

 Atenção para os procedimentos necessários para adesão ao novo sistema de bilhetagem eletrônica:

EMPRESAS QUE COMPRAM VALE-TRANSPORTE PARA OS FUNCIONÁRIOS:

As empresas que possuem funcionários que utilizam as linhas metropolitanas integradas de Curitiba e municípios vizinhos, já podem cadastrar seus funcionários no novo sistema de bilhetagem eletrônica através do site da Metrocard: http://www.cartaometrocard.com.br/

Após o preenchimento do cadastro, a Metrocard vai imprimir os Cartões Transporte e comunicar as empresas para a retirada. Lembrando que a emissão da primeira via do Cartão Transporte Metrocard será gratuita.

Os Vales Transporte referentes ao mês de agosto, adquiridos até o dia 05 de agosto, ainda serão disponibilizados em forma de Vales de Papel.

USUÁRIOS COMUNS – PESSOAS FÍSICAS

A partir do dia 06 de agosto não haverá mais comercialização dos Vales de Papel. Os passageiros comuns (pessoa física), a partir desta data deverão providenciar seu cadastramento nos terminais metropolitanos ou na sede da Metrocard, para emissão do Cartão Comum Metrocard.

Atenção: A emissão da primeira via do Cartão Metrocard é gratuita, mas será necessária uma carga mínima de 01 (uma) passagem (R$ 3,30) no momento da aquisição. Para a emissão do cartão eletrônico, o passageiro deve levar cópia do RG, CPF e comprovante de residência. O cartão pode ser recarregado quantas vezes o passageiro quiser.

Os locais são:

– Metrocard: Rua Benjamin Constant, 148 – Centro – Curitiba

– Terminal de Fazenda Rio Grande

– Terminal de Campo Largo

– Terminal Maracanã, em Colombo

– Terminal de Pinhais

– Terminal Centro e Central VEM, em São José dos Pinhais

PASSAGEIROS ISENTOS (Idosos, portadores de deficiência, funcionários das empresas de ônibus da RIT – Rede Integrada de Transporte)

Exclusivamente no caso de passageiros que têm por lei garantido o direito à isenção tarifária, o Cartão da URBS continuará sendo aceito nas linhas metropolitanas integradas, porém somente até o dia 30 de outubro de 2015.

Atenção: estes passageiros devem se cadastrar no novo sistema de bilhetagem eletrônica a partir do dia 22 de agosto na sede da Metrocard ou nos terminais metropolitanos. Os documentos necessários são RG, CPF e comprovante de endereço. No caso dos portadores de deficiência, é necessário também apresentar laudo médico da Secretaria Estadual de Saúde, bem como a Avaliação Sócio Econômica emitida pelo Serviço de Assistência Social do Município de residência.

Os locais para o cadastramento de idosos, portadores de deficiência e funcionários dos transportes da capital são os mesmos onde a Metrocard fornece os cartões para os demais passageiros:

– Metrocard: Rua Benjamin Constant, 148 – Centro – Curitiba

– Terminal de Fazenda Rio Grande

– Terminal de Campo Largo

– Terminal Maracanã, em Colombo

– Terminal de Pinhais

– Terminal de Central e Terminal Central VEM, em São José dos Pinhais

Mais informações: (41) 3093 3232 e  www.cartaometrocard.com.br

BRIGA POLÍTICA MOTIVOU DESINTEGRAÇÃO:

A criação de mais um sistema de bilhetagem eletrônica ocorreu depois de desentendimentos políticos entre o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, do PDT, e Beto Richa, que é do PSDB. Enquanto o prefeito era Luciano Ducci, também do PSDB, a gestão do sistema era centralizada na Urbs- Urbanização de Curitiba S.A – empresa cujo maior acionista é a prefeitura. Havia necessidades de reformulações das integrações entre as linhas metropolitanas e as urbanas, conforme alertava o mercado, mas os déficits eram cobertos pelo estado. Com a mudança de prefeito, Richa decidiu não mais cobrir as diferenças. Não houve acordo e a gestão foi desintegrada.

 “Fui prefeito de Curitiba e conseguimos oferecer a população metropolitana uma tarifa justa. Não recebi ajuda de nenhum outro poder e conseguimos manter a qualidade. Pelo contrário, pedi apoio do Estado e não fui atendido … Hoje, mesmo garantindo subsídio e a desoneração do ICMS, a tarifa em Curitiba aumentou e desintegraram o sistema metropolitano” – comentou Richa durante a apresentação do novo sistema nesta terça-feira.

Já a prefeitura responsabiliza o governo do estado pela desintegração e diz que os serviços metropolitanos oneravam o sistema.

Entretanto, uma auditoria da Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP – Universidade de São Paulo, encomendada pela Comec, órgão do governo do estado, mostrou que a participação do número de passageiros das linhas metropolitanas quando o sistema era integrado era, na verdade, maior do que alegava a Urbs.

Esta pesquisa foi realizada com a concordância da Urbs, Assomec – Associação dos Municípios da Região Metropolitana e Comec, através de convênio. A Urbs propagava que as linhas metropolitanas davam prejuízos, mas o levantamento da Fipe mostrou que davam lucro, na época.

O custo das linhas metropolitanas dentro da RIT era de 27,82%, segundo a auditoria. A Urbs alega que somente 21% de toda a receita (passageiros pagantes) do sistema são originados pelas linhas metropolitanas, com isso gerando um prejuízo de 6,82%, os quais estavam sendo cobertos pelas linhas urbanas.

A Comec, amparada pela pesquisa da Fipe, disse totalmente o contrário. O órgão alegou que 31,2% de toda a receita do sistema são originados pelas linhas metropolitanas, com isso, gerando lucro de 3,38%, cobrindo desta forma o prejuízo das linhas urbanas municipais.

Os números da Fipe são muito semelhantes a um levantamento contratado pelas empresas de ônibus em 2004 que apontou, na época, que 28% da demanda da RIT são provenientes das linhas metropolitanas.

Antes do impasse, com um cartão os passageiros e uma tarifa podiam andar pelas quatorze cidades da RIT – Rede Integrada de Transporte: Curitiba, Almirante Tamandaré, Pinhais, São José dos Pinhais, Araucária, Contenda, Colombo, Campo Magro, Campo Largo, Bocaiúva do Sul, Itaperuçu, Rio Branco do Sul, Piraquara, Fazenda Rio Grande.

A maior parte das transferências gratuitas para os passageiros entre linhas metropolitanas e linhas urbanas permanece nos terminais integrados, mas a desintegração de gestão fez com que alguns trajetos fossem encurtados e eliminou algumas integrações. Tabelas de horários de alguns serviços também foram alteradas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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