CRISE ECONÔMICA: Mercedes-Benz vai parar a produção de ônibus e caminhões pela segunda vez

Mercedes-Benz

Ônibus Mercedes-Benz. Por causa de crise econômica brasileira, montadora suspende mais uma vez a fabricação ônibus e caminhões em São Bernardo do Campo.

Montadora estima uma nova série de demissões em setembro

ADAMO BAZANI

Pela segunda vez no ano, a unidade da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, sede da fabricante alemã no Brasil, vai parar totalmente a produção de ônibus, caminhões, motores e componentes.

Entre os dias 7 e 21 deste mês, sete mil trabalhadores da planta terão licença remunerada.

Estes funcionários voltaram na semana passada de férias coletivas de 20 dias também.

Não bastasse isso, a fabricante de veículos pesados projeta realizar mais demissões em setembro, mas ainda não informou a quantidade de trabalhadores afetados. Na metade do ano, foram cortados 500 trabalhadores, dois quais 250 colocados em lay-off e 250 desligados.

A empresa alega que possui hoje, por causa da baixa demanda por veículos comerciais devido à crise econômica brasileira, um excedente de 2 mil trabalhadores, de aproximadamente dez mil que atuam na planta. Deste total, 250 estão com os contratos de trabalho suspensos temporariamente (lay-off). Desde o dia 14, a empresa está com um PDV – Programa de Demissão Voluntária aberto e que se encerra em duas semanas, mas a adesão está baixa.

No início de julho, a Mercedes propôs a redução da jornada de trabalho em 20% e dos salários em 10% em troca de estabilidade por um ano, mas 74% dos trabalhadores rejeitaram.

Frente a isso, a montadora agora diz que não vai aderir ao PPE – Programa de Proteção ao Emprego, pelo qual a redução dos salários pode chegar a 30%, mas com 15% sendo cobertos pelo FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Segundo a Mercedes-Benz, se os trabalhadores tivessem aceitado a proposta do início de julho, o acordo seria adequado às regras do PPE.

A empresa informou que vem tentando evitar cortes com medidas como as demissões voluntárias, diminuição da quantidade de dias trabalhados na semana, férias coletivas, lay-off, mas as ações têm sido insuficientes porque a desaceleração das vendas de veículos comercias está bem maior que o previsto no início do ano.

No primeiro semestre deste ano, a queda nas vendas de caminhões da marca foi de 42,8%, com 9,5 mil unidades, e as vendas de ônibus registraram retração de 14,2%, com 4,8 mil veículos de transporte coletivo, em relação ao mesmo período de 2014.

As vendas de ônibus e caminhões sãos as mais prejudicadas em momentos de crise econômica, como o atual, porque não são bens de consumo, e sim bens de capital ou bens intermediários. O mercado de veículos de grande porte reflete a condição de outros setores e a baixa possibilidade de investimentos, como supermercados e lojas que dependem de caminhões para a entrega de produtos e estão vendendo menos, e o nível de desemprego que diminui a circulação de Vale – Transporte e a demanda de passageiros em ônibus rodoviários.

Em um ano, a indústria automobilística demitiu 14,5 mil trabalhadores, dos quais, 7,6 mil somente nos seis primeiros meses de 2015. Hoje há em torno de 7 mil operários em lay-off, parados com os contratos de trabalho suspensos temporariamente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

6 comentários em CRISE ECONÔMICA: Mercedes-Benz vai parar a produção de ônibus e caminhões pela segunda vez

  1. Amigos, bom dia.

    Se fosse só a MBB que parasse de produzir por causa da crise originária pelo desperdício de dinheiro público era fácil de resolver.

    O maior problema é que todos os brasileiros vão diminuir o consumo, o lazer, o turismo, a arrecadação, qualidade de vida, saúde, educação, produção, circulação no buzão e tudo mais que pudermos enxugar enquanto for possível enxugar.

    Até chegarmos no papel higiênico frente e verso.

    Sinceramente a “M” não vai dar para todo mundo.

    É a economia na base da porcaria.

    Certo estava Ruy Barbosa.

    “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência.”

    Rui Barbosa

    Att,

    Paulo Gil

    • Não é só a Mercedes mesmo não. A MAN, Volvo, Scania e Ford já reduziram o ritmo por conta da crise. E aí uma coisa puxa a outra, pq se não vende chassi, não vende carroceria, não vende pneus, etc.., o que provoca um travamento geral no segmento.

  2. Marcos E. cardoso // 1 de agosto de 2015 às 13:21 // Responder

    Eu até acredito que as vendas estejam baixas, Que provavelmente seja pelo fato dos contratos dos transportes coletivos com os municípios, estarem sendo licitado licitado neste ano, e que pelo fato dos contratos vencendo ou vencidos, as empresas não devem estarem investindo, devido a insegurança no mercado, e as linhas de créditos, ficaram com jurus muito altos, devido ao risco da empresa compradora não vencer a licitação!
    Mas demitir em massa as vésperas da licitação, e chantagem junto ao governo, e principalmente deverão ser demitidos os empregados, que provavelmente serão recontratados via terceirizados!

  3. Isso não e novidade o PT afundou o brasil,e quem sera que paga?Sempre a população,quem sabe na merda aprenderemos a votar e exercer a política,acordem.

  4. O que esta acontecendo e ciclico, tivemos 3 anos bombados de 2012 a 2014 e agora houve uma desaceleração, sempre foi assim com Getulio, Jucelino, etc…., o grande problema para os trabalhadores e que as montadoras estão super dimensionando a crise para justificar a adequação de sua massa operaria, que quanto mais as empresa se atualiza tecnologicamente menos se precisa de mão de obra humana, simples assim.

  5. Maldita crise mundial que só afeta o Brasil…

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