Funcionários da Urbs entram em greve na cidade de Curitiba

Urbs greve

Terminal em Curitiba. Funcionários da Urbs cruzam os braços por salários que não foram pagos. Foto: Prefeitura de Curitiba.

Circulação de ônibus é normal, mas emissão de cartões e fiscalizações são alguns dos serviços afetados

ADAMO BAZANI

Funcionários da Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., empresa responsável pelo gerenciamento e fiscalização dos transportes na capital paranaense, cruzaram os braços nesta segunda-feira, dia 27 de julho de 2015.

A greve, decidida em assembleia na última sexta-feira, não afeta a circulação dos ônibus, mas serviços como a emissão do Cartão Transporte Urbs, fiscalização dos ônibus, e táxis, de vagas de estacionamento, limpeza de equipamentos públicos e gerenciamento de tráfego, estão sendo prejudicados.

Segundo o “Sindicato dos Trabalhadores em Trânsito, Transporte e Urbanização de Curitiba” – Sindiurbano, a Urbs não pagou aos trabalhadores valores dos salários de julho. De acordo com a entidade, por meio de um acordo, os salários e benefícios deveriam ter sido depositados até o dia 25 de julho, o que não ocorreu.

Na sexta-feira, liminar da justiça trabalhista determinou, segundo a Urbs, um percentual mínimo de 50% dos trabalhadores. O Sindiurbano diz que não foi notificado e que a adesão nesta segunda-feira se aproxima de 100%.

A Urbs reconheceu em nota as dificuldades financeiras pela qual a empresa pública passa.

 “Apesar das dificuldades, motivadas por problemas que se acumulam há anos – como a redução de receita provocada, por exemplo, pela terceirização de equipamentos – agravados no cenário econômico atual do país, a direção da Urbs reafirma seu compromisso de fazer todos os esforços possíveis para que o momento atual seja ultrapassado sem prejuízo aos servidores e à comunidade”

A Urbs possui 1.546 funcionários. Os transportes em Curitiba e região metropolitana têm passado por uma crise financeira motivada por questões políticas.

No início do ano, foi concretizada a desintegração entre os transportes metropolitanos, gerenciados pela Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (órgão do Governo do Estado), e os transportes municipais da capital paranaense.

A separação da gestão do sistema ocorreu depois de desentendimentos políticos entre o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT). Enquanto prefeito e governador eram do mesmo partido, com Luciano Ducci (PSDB) à frente do executivo municipal, a integração continuava, mesmo com déficits.

Como resultado, agora há dois sistemas de bilhetagem (antes um cartão servia para 14 cidades), linhas de ônibus foram encurtadas e algumas integrações gratuitas eliminadas. A maior parte das transferências sem cobrança é mantida nos terminais.

Além disso, por problemas de repasse de verbas e pela indefinição da tarifa técnica pela Urbs, empresas urbanas municipais de Curitiba atrasaram pagamentos aos funcionários.

Neste ano, houve diversas paralisações de ônibus em Curitiba e região metropolitana.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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