Vale do Silício vai apoiar ônibus elétricos nos EUA

Proterra bus

Proterra Inc. vai contar com apoio de corporação do Vale do Silício para testes de ônibus elétricos em Seattle, nos EUA. Empresa internacional de análise de mercado estima que até 2020, maior parte dos ônibus urbanos no mundo terá tração elétrica. Mas realidades mudam de acordo com região.

Corporação do Vale do Silício vai apoiar ônibus elétrico nos EUA

Dois veículos serão testados em Seattle por seis meses. Objetivo é aprimorar tecnologia de veículos movidos a energia armazenada em baterias Hoje, 41% dos ônibus urbanos nos EUA têm propulsão limpa. Estimativa é que nos principais mercados, frota de elétricos-híbridos alcance 59% do total de ônibus e 12% de puramente elétricos. No Brasil, mortes provocadas pela poluição causam prejuízos de US$ 1,7 Bilhão por ano, segundo estudo da USP

Texto: ADAMO BAZANI

Informações Bloomberg/Infomoney

Cada vez mais o mundo está atento para o aprimoramento de formas de deslocamento urbano que trazem impactos menores ao meio ambiente. E uma das soluções para que este objetivo seja alcançado é a expansão das frotas de ônibus elétricos.

Enquanto no Brasil, as empresas que produzem tecnologia e soluções para veículos de transportes coletivos menos poluentes ainda carecem de incentivos e competem num ambiente desfavorável, em diversas partes do mundo não apenas o poder público, mas as grandes corporações , dão apoio a projetos para a busca pelo desenvolvimento de modelos mais eficientes, tanto do ponto de vista operacional como energético.

É o que vai ocorrer em Seattle, nos Estados Unidos, durante os próximos seis meses.

Um ônibus elétrico, de nova geração, que depende apenas da energia acumulada pela bateria, vai circular na cidade com o apoio da empresa Kleiner Perkins, do Vale do Silício, cujo um dos financiadores é Warren Edward Buffett, investidor e filantropo norte-americano, o principal acionista, presidente do conselho e diretor executivo da Berkshire Hathaway. Warren aparece constantemente na lista dos mais ricos do planeta, ocupando o primeiro lugar da revista Forbes, em 2008, com US$ 60 bilhões de fortuna à época.

A Kleiner Perkins Caufield & Byers – KPCB, criada em 1972, é uma das maiores corporações especializadas em investimentos em empresas cuja carreira esteja no início ou de novas ideias e soluções para diversas áreas.

Os dois ônibus financiados para os testes são fabricados pela Proterra Inc, que não está no início de carreira, mas em fevereiro deste ano lançou uma nova linha de ônibus elétricos a bateria.

Nos Estados Unidos, Warren Edward Buffett também apoia outras empresas que fabricam ônibus elétricos ou elétricos híbridos, como a chinesa BYD e a New Flayer Industries Co.

Uma das vantagens dos testes, segundo os investidores, é que Seattle obtém hoje 95% de sua energia elétrica de fontes renováveis, em especial de represas.  Em outras palavras, a geração de energia para estes ônibus também traz impactos ambientais reduzidos.

Os veículos da marca foram usados também em Dallas, San Antonio e Massachusetts.

A emissão de poluente é zero na operação e o nível de ruído é menor.

As cidades onde foram testados os ônibus possuem frotas de ônibus a gás natural e também unidades movidas a células de hidrogênio, cujo combustível é basicamente obtido a partir da água.

ÔNIBUS ELÉTRICOS DEVEM SER MAIORIA NOS MUNDO DESENVOLVIDO ATÉ 2020

Hoje, nos Estados Unidos 41% da frota de ônibus urbanos são puramente elétricos, elétricos híbridos ou movidos a células de combustível que geram energia elétrica, como é o caso do “ônibus a hidrogênio”.

De acordo com estudos da empresa internacional de consultoria e inteligência de mercado, Frost & Sullivan, até 2020, a frota de ônibus urbanos em todo o mundo deve ser composta por 59% de veículos elétricos híbridos e 12% de ônibus puramente elétricos.

Mas esta realidade é bem diferente entre as regiões do Planeta.  A maior parte desta frota estará concentrada na América do Norte, Europa e Ásia, como já é hoje.

Na América Latina, África e Oceania, ainda haverá até 2020 a preponderância de ônibus urbanos a diesel.

Basta olhar a realidade brasileira para ver que esta diferenciação regional no mundo deve continuar por um tempo. O País tem há mais de 30 anos uma produtora de tecnologia para a fabricação de ônibus não poluentes, a Eletra, em São Bernardo do Campo. A empresa desenvolve soluções para trólebus e diz que foi a primeira a colocar em circulação um ônibus elétrico híbrido articulado em 1999, no Corredor ABD, entre a cidade de São Paulo e a região do ABC Paulista. Também testa um ônibus totalmente elétrico, em parceria com a japonesa Mitsubishi, e vai lançar um híbrido dual, que congrega no mesmo veículo as configurações “trólebus” e “a bateria”.

No entanto, apesar das pesquisas da empresa, não há um marco regulatório por parte do poder público que de fato incentive e crie compromissos para a ampliação da frota de ônibus não poluentes. Desde 2012, a Volvo produz elétricos híbridos na cidade de Curitiba, no Paraná, e a chinesa BYD recentemente se instalou em Campinas, no interior paulista, para montar ônibus puramente elétricos.

A frota destes ônibus para os serviços urbanos e metropolitanos no País é pequena diante da quantidade de ônibus movidos a diesel o que acaba resultando em dificuldades para as fabricantes.

Esta realidade passa por diversos fatores, dentre os quais, o principal é a falta de incentivos públicos e privados. Quando se fala em incentivo público, não é necessariamente injeção direta de recursos, mas a criação de cronogramas que aos poucos, sem impactos para os investidores, possam mudar o perfil da frota de ônibus urbanos e metropolitanos brasileiros.

O frotista deve também ser estimulado a trocar o tipo de ônibus. O custo inicial de um não poluente (ou menos poluente) ainda é alto.

Com o aumento da demanda, as empresas estabelecidas no Brasil, diante da concorrência, poderiam desenvolver veículos elétricos mais baratos e eficientes.

As chamadas externalidades da poluição, ou seja, os custos provocados à saúde pública ainda não são levados em consideração para a formulação de eventuais políticas públicas para a mudança do perfil da frota de ônibus urbanos e metropolitanos no Brasil. Estes custos são superiores a qualquer montante para estimular um transporte menos poluentes por ônibus.

Um estudo da USP, divulgado em 2014,  levantou “o impacto econômico de eventos de saúde associados com a poluição do ar em regiões metropolitanas brasileiras. A partir de estimativa da mortalidade atribuível às concentrações de Material Particulado (MP) em 29 Regiões Metropolitanas, que totalizaram 20.050 óbitos, foram calculados os custos associados a essa mortalidade por meio da metodologia DALY (Disability Adjusted Life Years). O custo das mortes prematuras no Brasil resultou em US$ 1,7 bilhão anualmente. A tradução de perdas em saúde pública para valores econômicos serviu para comparar com o orçamento de gastos do Ministério da Saúde e evidenciar as prioridades na tomada de decisão de políticas públicas que minimizem a magnitude desses impactos.” A íntegra pode ser conferida em: http://www.ecodebate.com.br/2014/10/14/custos-da-poluicao-atmosferica-nas-regioes-metropolitanas-brasileiras-por-simone-georges-el-khouri-miraglia-e-nelson-gouveia/

Nos Estados Unidos, Warren Edward Buffett não investe nos ônibus elétricos apenas por filantropia e “amor ao meio ambiente”, mas porque foram criadas condições para este mercado.

Enquanto isso, no Brasil, nem a lei é cumprida. A Lei de Mudanças Climáticas, aprovada em 2009 para a Capital Paulista, determinava a troca anual de 10% da frota de ônibus urbanos na cidade de São Paulo até a conclusão da meta de 100% de veículos de transportes coletivos municipais que não dependem de combustíveis fósseis em 2018.

O cronograma não foi seguido, a meta não vai ser cumprida conforme a lei e o edital de licitação dos transportes que vai determinar como serão os serviços e a frota de ônibus nos próximos vinte anos não prevê um novo cronograma para a implantação de veículos não poluentes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

3 comentários em Vale do Silício vai apoiar ônibus elétricos nos EUA

  1. Amigos, boa noite.

    Adamo, parabéns pela matéria, muitíssima oportuna, face a existência de um Pré Edital que não cumpre a Lei.

    O mundo pensa em despoluir, o Brasil pensa em poluir; claro não se faz isso num piscar de olhos, mas negligenciar é uma aberração.

    Lindão esse buzão, a frente lembra o Squalo da legítima Caio.

    Eu adoraria dar uma volta nesse buzão, parece que é rebaixado.

    O interessante ou trágico é que no Brasil várias indústrias são modelos para as
    suas matrizes em seus países de origem.

    Inteligência a maioria dos brasileiros possuem, mas tem uma parcela que sequer
    usam a cabeça para pentear cabelo.

    Outra qualidade que são desprovidos é a seriedade.

    Vão colocar buzão com ar condicionado ao invés de estimular o e-bus da Eletra que é uma empresa brasileira e introduzir a obrigatoriedade do BuzãoVerde na licitação.

    O Brasil não pode mais integrar o BRICS.

    Ele já faz parte do “BREQUES”.

    Quantas mentes jurássicas.

    Só o disco voador salvará nós, só indo para outro planeta mesmo.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Sonho um dia ver esta cena no Brasil
    https://youtu.be/CFeJGbwb5JA

    • Daniel, boa tarde.

      Muito obrigado por ter comoartilhado o link, sempre e bom estarmis atualizados.

      Mas esse buzao magrelinho aqui no Brasil, vai tombar na primeira curva, aqui so em planas e retas.

      Abcs,

      Paull Gil

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