Licitação de São Paulo: Especialista aborda aspectos que devem ser considerados para a cidade

ônibus São Paulo

Ônibus em São Paulo. Momento é crucial para discutir como a maior cidade do País vai se locomover nos próximos 20 anos. Foto : Adamo Bazani

Mestre em transportes, Creso de Franco Peixoto, propõe incentivo a uso de ônibus elétricos e atenção quanto ao tempo total de deslocamentos no transporte coletivo

TEXTO DE ABERTURA: ADAMO BAZANI

ARTIGO: CRESO DE FRANCO PEIXOTO

A licitação dos transportes na cidade de São Paulo está em fase de consulta pública até o dia 10 de agosto, ou seja, o momento de discutir e propor alternativas para melhorar a mobilidade no maior sistema de ônibus da América Latina é agora.

O edital prevê um contrato com as empresas vencedoras de 20 anos e a prefeitura apresenta um novo modelo de serviços, com linhas divididas em atendimento de alta demanda com ônibus articulados (Grupo Estrutural), entre regiões diferentes da cidade sem passar pelo centro (Grupo Local de Articulação), e que circulem apenas nos bairros de uma mesma região (Grupo Local de Distribuição).

A frota hoje de 14 mil 770 ônibus deve ser reduzida para em torno de 13 mil, mas a prefeitura promete com veículos maiores e linhas mais rápidas aumentar a oferta de viagens e de lugares no sistema.

Outra preocupação da sociedade, aparentemente pouco levada em conta no edital, é em relação ao meio ambiente. A Lei de Mudanças Climáticas, de 2009, prevê 100% de frota não dependente de combustíveis fósseis a partir de 2018. Mas não houve o cumprimento da troca de 10% ao ano do tipo de ônibus em São Paulo e a meta para 2018 é impossível. Para piorar, não há nas minutas do edital sequer um cronograma ou qualquer instrumento que prevê a substituição de parte da frota poluente.

O Blog Ponto de Ônibus foi o primeiro veículo a divulgar as minutas do edital e quer contribuir neste momento que pode ser decisivo para os transportes não só na capital, mas em todo o País, já que o que ocorre em São Paulo é acaba sendo modelo para o País.

Através de textos, entrevistas, pesquisas e a participação pelos comentários, o Blog Ponto de Ônibus ouve a população, trabalhadores, poder público, empresas, indústria e trabalhadores. Nesta edição, o professor de engenharia e mestre em transportes, Creso de Franco Peixoto, da FEI, comenta pontos que devem ser discutidos mais amplamente, como os modelos de contrato com o poder público, o incentivo a tecnologias não poluentes e o real tempo de deslocamento do cidadão, que é muito mais que a simples velocidade média dos ônibus.

CONFIRA NA ÍNTEGRA:

A licitação (concessão circunstanciada) deve ser foco no transporte público porque o forte e necessário detalhamento de obrigações e direitos ajusta (não amarra) a atividade levando o operador a focar o usuário. Na permissão o caráter mais leve do contrato, defendida por parte do executivo municipal, e aplicado também nos últimos anos, o prestador tem contrato que deixa pontos em aberto e o estrabismo se faz presente: deve olhar ao mesmo tempo o executivo e o usuário, em função dos riscos e evitando situações de desgaste perante ao poder público. No convite, o pior modelo, o prestador praticamente não tem tempo para olhar o usuário porque está em condição vulnerável perante o executivo (modelo defendido por alguns prefeitos e ex-prefeitos pela dinâmica de facilidade do relacionamento público privado,  mas de denso risco de prestação duvidosa quanto à opinião do usuário).

Para o devido encontro de políticas de mobilidade legais, futuro devido do ônibus como solução e fomento tecnológico, defendo que sejam ranqueadas com melhor pontuação empresas que se proponham a efetivar testes com outros veículos e sistemas tecnológicos. Por exemplo, uma linha rápida com ônibus elétrico que não necessita linha aérea em todo o percurso: carrega apenas em pontos e, suas baterias associadas a gigantesco sistema de placas de capacitores de alta eficiência permitem carregar baterias em menos de 30 segundos,

BTS

BTS Skytrain Bangkok foi solução adotada na capital Tailandesa para melhoria do transporte urbano. A tarifa foi cheia à época desta avaliação, 2005 e não integrada a ônibus e ao metrô (na capital o metrô aéreo à época era separado em termos administrativos e tarifários, como se fosse um

BTS Skytrain Bangkok foi solução adotada na capital Tailandesa para melhoria do transporte urbano. A tarifa foi cheia à época desta avaliação, 2005 e não integrada a ônibus e ao metrô (na capital o metrô aéreo à época era separado em termos administrativos e tarifários, como se fosse um “metrô 2”). Resultado: o trabalhador não aderiu ao sistema e o governo fomentou o uso de motocicletas 2 tempos de duas e três rodas, altamente poluentes, por isso é comum funcionários e fiscais de trânsito trabalharem com máscara nas ruas (foto poluição) e sob os elevados do skytrain (foto BTS) ruas escuras e restritas de circulação de ar. O custo de construção de vias elevadas varia entre o dobro a 10 vezes mais que o quilômetro de BRT, solução ao transporte público de berço Curitibano. Fotos: Creso Peixoto

Quanto ao pregão: O modelo nacional atual de licitações públicas é na forma de “pregão eletrônico” – as propostas são encaminhadas por meio virtual gerando maior agilidade ao processo, citam os seus defensores, mas dificulta a verificação de procedência e validade de propostas que podem ter sido encaminhadas com finalidade de fomentar outras propostas (ou seja, propostas que podem ser falsas com propósito de criar cenário favorável a determinada empresa ou empresas). O rastreamento eletrônico tende a ser complexo a praticamente impossível, em caso de arguição jurídica ou de investigação policial/forense. De qualquer forma, o avanço tecnológico vem para permanecer – salvaguardas futuras podem aprimorar a cristalinidade processual.

 O sistema proposto para São Paulo deve ser provado que não gerará tempos finais médios de viagem maiores do que o atual, dada a necessária maior baldeação entre os distintos serviços: de acessibilidade (intra-bairro) ao troncal, de mobilidade plena. Como a média de velocidade é fortemente influenciada pelos tempos de parada, estudos que levem estes tempos e não simplesmente os tempos de parada dos veículos são fundamentais para mostrar sua viabilidade. Afinal, ônibus se deslocando a velocidades máximas de 60 km/h têm sua média na casa de 15 km/h, algo como 40% menor que no metrô. Caso a média de tempo de viagem aumente pode-se observar aumento predatório do uso do carro na cidade, que já apresenta motorização pior que 1,6 habitante por veículo rodoviário e nível de serviço excessivo nas linhas troncais da cidade.

Na mesma época, em Frankfurt, o velotaxi (foto velotaxi 2005) era solução para minimizar o uso de veículos automotores poluentes e de menor sustentabilidade e servem inclusive de alimentadores de ônibus - levam passageiros para o transporte público. Seus operadores trabalham em triciclos não motorizados em serviços pagos pelo usuário bem como geram receita pela sessão de espaço de propaganda no corpo veicular, com baixo risco de vida e solução possível para São Paulo, como alternativa ao inadmissível risco de vida dos motoboys, mais de 1000% maior do que para motoristas da RMSP, segundo pesquisa do IPEA. Fotos: Creso Peixoto

Na mesma época, em Frankfurt, o velotaxi (foto velotaxi 2005) era solução para minimizar o uso de veículos automotores poluentes e de menor sustentabilidade e servem inclusive de alimentadores de ônibus – levam passageiros para o transporte público. Seus operadores trabalham em triciclos não motorizados em serviços pagos pelo usuário bem como geram receita pela sessão de espaço de propaganda no corpo veicular, com baixo risco de vida e solução possível para São Paulo, como alternativa ao inadmissível risco de vida dos motoboys, mais de 1000% maior do que para motoristas da RMSP, segundo pesquisa do IPEA. Fotos: Creso Peixoto

 Flexibilidade do valor tarifário: o valor da tarifa a ser paga na clássica catraca ou aferidor de cartão pode variar de valor cheio a zero. Aos defensores da gratuidade do sistema, o fechamento das contas exige cobrança total de tarifa por parte do contribuinte segundo impostos ou taxas que abrigam cobrança extra de custos administrativos, dentre outros, gera custo final por passageiro maior, mas pode ser usado como política de incentivo ao uso do ônibus: porque ir de carro se você já paga o ônibus? Uma alternativa ao pedágio urbano que ronda as cidades brasileiras – uma questão de tempo. Cobrar valor cheio, ou seja, custos do sistema mais o necessário lucro pode ser outro problema, afinal, o teto do valor que se pode cobrar é quanto o trabalhador pode pagar – há exemplos no mundo onde a tarifa do público não foi restrita ao limite do quanto o trabalhador pode pagar e o sistema entra em prático colapso, tal como ocorrera na capital da Tailândia, resolvendo o problema da incapacidade do transporte público em atender como um problema de ordem maior: o incentivo ao uso de motocicletas dois tempos: alto risco e elevada poluição do ar. Quanto ao lucro da empresa de ônibus, este é parte da essência do negócio, emoldurado pela proposta e controle licitatório. Não há como não aferir lucro compatível de mercado – os estudos de valor presente líquido, taxa interna de retorno, valor atual de benefícios e custos e ainda riscos do negócio levam o interessado de efetiva competência para poder prestar serviço de acordo com os padrões esperados a analisar se é viável ou não participar da licitação. Em caso contrário, propostas que aparentemente são de alto lustro na prateleira política e social tendem a se mostrar de alto risco de comprometimento qualitativo a até ao abandono do negócio – não adianta a defesa de multa para sair, afinal, ao interessado vencedor da licitação já teria analisado o risco associado ao valor da multa de abandono.  

Creso de Franco Peixoto, mestre em transportes, professor do Curso de Engenharia Civil da FEI- Fundação Educacional Inaciana

MATÉRIAS RELACIONADAS À LICITAÇÃO:

CONFIRA AS MINUTAS DO EDITAL DE LICITAÇÃO EM SÃO PAULO:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/09/confira-o-edital-de-licitacao-dos-transportes-de-sao-paulo/

DECRETO PARA LICITAÇÃO É PUBLICADO OFICIALMENTE:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/03/licitacao-de-onibus-em-sao-paulo-decreto-do-edital-e-publicado-oficialmente/

LICITAÇÃO EM SÃO PAULO VAI ALTERAR 30% DAS LINHAS DE ÔNIBUS NA CIDADE:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/11/licitacao-em-sao-paulo-vai-alterar-quase-30-das-linhas/

O QUE AS EMPRESAS DE ÔNIBUS ESPERAM DA LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES EM SÃO PAULO:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/21/licitacao-dos-transportes-em-sao-paulo-onibus/

FROTA LIMPA – LEI DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS NÃO FOI LEVADA A SÉRIO:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/15/frota-limpa-lei-de-mudancas-climaticas-nao-foi-levada-a-serio/

LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES DE SÃO PAULO PREVÊ ÔNIBUS A GÁS NATURAL:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/20/licitacao-dos-transportes-em-sao-paulo-edital-preve-onibus-a-gas-natural/

LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES: MENOS MICROS E MAIS MIDIS. Maior número de Viagens:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/03/licitacao-de-sao-paulo-menos-mini-onibus-mais-microes-e-maior-numero-de-viagens/

LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES RECEBE SUGESTÕES ATÉ DIA 10 DE AGOSTO:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/08/licitacao-em-sao-paulo-recebe-sugestoes-ate-o-dia-10-de-agosto/

LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES DEVE AJUDAR A DESTRAVAR VENDAS DE CARROCERIAS:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/06/29/licitacao-de-sao-paulo-deve-ajudar-a-destravar-vendas-de-carrocerias/

AR CONDICIONADO: LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES DE SÃO PAULO VAI SER MODELO PARA O PAÍS:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/24/ar-condicionado-licitacao-de-sao-paulo/

LICITAÇÃO EM SÃO PAULO: ESTRANGEIROS SÓ COM EMPRESAS BRASILEIRAS:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/10/licitacao-de-sao-paulo-estrangeiros-so-com-empresas-brasileiras/

ADAMO BAZANI

2 comentários em Licitação de São Paulo: Especialista aborda aspectos que devem ser considerados para a cidade

  1. Luciano dos Santos // 24 de julho de 2015 às 20:23 // Responder

    quero parabenizar mais uma vez o Adamo pela cobertura da licitação. este site tem sido o único a detalhar.
    Aprovito para concordar com o que o professor Creso falou. Muito legal esta reflexão de que não basta a velocidade dos ônibus e sim o saber o tempo de deslocamento da pessoa, que são coisas diferentes.parabens

  2. Amigos, boa noite.

    O problema do buzão de Sampa ou de todo o Brasil é um só.

    Pode fazer BRT, tarifa zero, tarifa cheia, buzão Verde de última geração, Ar condicionado, licitação, pregão, pregão eletrônico, pregão manual, linha estrutural perimetral alimentadora, micro, midi, articulado;s basiquinho, linguição, trucadinho sucesso, embarque pré pago, GPS, BRT com ralão para o passageiro não tomar banho de água suja e o escambal.

    Se continuar a não existir técnica, planejamento, seriedade, cálculos e fazer o que tem de fazer na realidade mesmo e gerir como tem de ser gerida a operação sem ser um buzão de 20 em 20 e um ponto de parada e um semáforo a cada 700 m + ou – ; NADA VAI FUNCIONAR E DAR CERTO NO BUZÃO, pois o buzão continuará sempre ineficiente, ineficaz e vai continuar não atendendo quem tem de atender:

    O PASSAGEIRO.

    Portanto, tanto o presente como o futuro, digo, SEM FUTURO do buzão de Sampa e do Brasil continuarão a não funcionare sempre andando pambémra trás como caranguejo e pior o buzão faz zig zag t .

    Não esquecendo dos monopólios milenares.

    Como diria um ex chefe que eu tive.

    “NEM SEMPRE O CERTO É CERTO”

    Esse é o modelo de administração do BRASIL.

    É triste, repetitivo, lamentável; mas é a mais pura realidade.

    Em tempo agora cai um pé d’água e a temperatura abaixou mais ainda.

    Já pensaram na “meleka” que ficará internamente num buzão com ar condicionado sujo internamente numa noite como a de hoje 24.07.15 agora as 21:02 hs ?????

    Nem precisa pensar todo passageiro já sabe.

    Puxa quase esqueci e os banhos de água suja no ponto do buzão que todos estão tomando nesse momento.

    No corredor Rebouças na parada Brasil/Henrique Schauman no sentido centro bairro o banho de água suja é duplo frente e verso, tanto do buzão que vai para o bairro quanto o que vai para o centro.

    Falo isso com conhecimento de causa, pois já tomei muitos banhos nessa parada do Corredor Rebouças, ao vivo, a cores, molhado e sujo, após um dia de trabalho.

    PREVISÍVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Att,

    Paulo Gil

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