Impasse: Urbs não define tarifa, empresas não pagam e trabalhadores falam em greve de ônibus

ônibus curitiba

Ônibus em Curitiba. Urbs não define tarifa-técnica, empresas atrasam pagamento e trabalhadores cogitam greve.

Companhias de ônibus alegam dificuldades pela indefinição da tarifa técnica pela Urbs

ADAMO BAZANI

O impasse em relação à situação financeira dos transportes por ônibus em Curitiba ganhou mais um capítulo nesta terça-feira, dia 21 de julho de 2015.

O Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana entrou na Justiça do Trabalho com uma ação contra as empresas de ônibus.

Algumas companhias não realizaram nesta segunda, dia 20, o pagamento do chamado “vale”, que é um adiantamento de parte dos salários que deve ser realizado todo o dia 20 de cada mês, de acordo com convenção trabalhista.

No início do ano, já foram realizadas duas greves por causa do atraso.

O Sindimoc pediu reparação de “danos morais coletivos” e sugere no pedido de liminar multa de R$ 1 milhão por dia caso não haja os depósitos.

A categoria não descarta novas paralisações.

O Setransp, que reúne as empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, reconhece que algumas empresas não fizeram o pagamento no dia 20 e responsabiliza o fato à indefinição da Urbs- Urbanização de Curitiba S.A., empresa municipal que faz a gestão dos serviços de ônibus, quanto ao valor da tarifa-técnica.

Este valor deveria ter sido definido, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado pelo poder público, no dia 26 de fevereiro.

Hoje a tarifa técnica, que é o que as empresas recebem por passageiro transportado é de R$ 2,93. Já a tarifa paga pelos passageiros é de R$ 3,30.

Segundo as empresas, há uma defasagem no valor por causa dos aumentos de custos de operação que não foram repostos.

Normalmente, tarifa técnica é maior que a paga pelos passageiros, sendo necessários subsídios, em especial para gratuidades como para idosos e portadores de deficiência, e para as integrações gratuitas entre as linhas de ônibus. No caso de Curitiba, o valor da tarifa técnica é menor.

Para garantir o pagamento dos salários, a Urbs por negociações encabeçadas pelo Ministério Público do Trabalho fez repasses que somaram R$ 17 milhões entre maio e junho às empresas.

Para as viações, estes repasses não seriam necessários se houvesse uma definição da tarifa técnica.

A separação dos recursos financeiros das linhas municipais de Curitiba das metropolitanas também afeta a situação econômica do sistema.

Segundo estudo da Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, contratado pela Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba , órgão do governo do estado do Paraná, as linhas metropolitanas representavam custos de 27,82% do sistema que era integrado, mas receitas de 31,2%.

A contratação do estudo teve concordância da Urbs. No entanto, depois da divulgação dos resultados, a Urbs discordou dos números.

A separação dos sistemas urbano e metropolitano ocorreu depois de impasses políticos entre o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, do PDT, e o governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB.

Antes da desintegração, era possível com o mesmo valor de tarifa e com o mesmo bilhete andar por Curitiba e treze cidades vizinhas. Agora, algumas integrações acabaram, linhas foram reduzidas e há dois sistemas de bilhetagem: para o urbano de Curitiba e o metropolitano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Impasse: Urbs não define tarifa, empresas não pagam e trabalhadores falam em greve de ônibus

  1. Amigos, boa noite.

    Isso que é a verdadeira competência de gestão.

    Att,

    Paulo Gil

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