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LICITAÇÃO DE SÃO PAULO: Estrangeiros só com empresas brasileiras

Ônibus midi (tipo micrão) de empresa que se originou de cooperativa zero quilômetro para o sistema de São Paulo, com ar condicionado – que será exigência. Profissionais acreditam que quem hoje atua nos transportes vai permanecer após licitação. Foto: Caio Takeda.

Viações devem investir R$ 22 milhões em Wi-Fi, mas vão lucrar com publicidade. Ex-cooperativas renovam frota com ar condicionado às vésperas de certame

ADAMO BAZANI

Quando apresentou o resultado da verificação externa nas contas do sistema de ônibus da Capital Paulista no final do ano passado, o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, disse que grupos internacionais do setor poderiam participar da licitação que visa remodelar o sistema.

No entanto, de acordo com o edital de licitação publicado ontem e que o Blog Ponto de Ônibus trouxe em primeira mão já pela madrugada, grupos estrangeiros só vão poder entrar na concorrência caso se associem com empresas que já atuam no Brasil. A matéria com as minutas do edital você confere neste link: https://diariodotransporte.com.br/2015/07/09/confira-o-edital-de-licitacao-dos-transportes-de-sao-paulo/

Com a restrição, na prática, os grupos que atuam no setor de transportes em São Paulo desde os anos de 1950 acabam sendo beneficiados. Isso porque, se houver mesmo interesse de investidores internacionais, eles devem procurar empresários já estabelecidos na cidade e que conhecem o mercado para não correr risco.

No final do ano passado, grupos da Inglaterra, Estados Unidos e China procuraram se informar sobre a licitação de São Paulo.

Profissionais do setor, entretanto, acham pouco provável que empresas estrangeiras, mesmo associadas com as nacionais, participem de fato. É comum em todo o mundo, grupos empresariais pesquisarem os modelos de licitações e transportes de ouras cidades e até mesmo países.

Após o lançamento da prévia do edital, o Blog Ponto de Ônibus conversou com fontes do setor. O posicionamento é o mesmo do que o veiculado em matéria de 25 de junho deste ano: haverá poucas alterações na estrutura de quem opera os ônibus na cidade, mesmo com a exigência de que as empresas formem SPEs – Sociedades de Propósito Específico e com o fim da atuação de cooperativas.

Atualmente, famílias como Saraiva, de José Ruas Vaz e de Belarmino de Ascenção Marta, juntas controlam pouco mais de 75% da rede estrutural da cidade, que compreende os ônibus maiores e as linhas que unem as regiões da cidade e vão até o centro.

As empresas destas famílias continuam comprando ônibus de alto valor, os superarticulados podem custar em torno de R$ 800 mil. Estes investimentos não seriam à toa, aposta o mercado.

Já os diretores das antigas cooperativas também devem continuar no setor em São Paulo. Estas associações se tornaram empresas para participar da licitação e muitas delas continuam comprando ônibus novos. Os micro-ônibus têm sido substituídos por mídis, ou micrões, veículos que se posicionam entre os micros e os ônibus básicos.

TECNOLOGIA:

O edital de licitação dos ônibus em São Paulo prevê investimentos em tecnologia para operação e gerenciamento do sistema de transportes.

As empresas devem investir R$ 800,5 milhões em CCO – Centro de Controle Operacional para monitorar toda a frota da cidade.  Parte deste valor, R$ 22 milhões, será para a instalação de equipamentos de acesso à internet grátis, wi fi, nos veículos, em especial nos superarticulados.

Catracas que recarregam o Bilhete Único dentro dos ônibus também estão previstas dentro dos avanços tecnológicos exigidos nas minutas do edital.

Ar condicionado também é outra exigência da prefeitura. Para se prepararem, até mesmo as empresas que tiveram origem em cooperativas já estão comprando ônibus micrões com o equipamento de refrigeração.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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