LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES DE SÃO PAULO: O que esperar e cobrar?

CONFIRA A MATÉRIA COM AS MINUTAS DO EDITAL NA ÍNTEGRA CLICANDO NESTE LINK LOGO ABAIXO:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/07/09/confira-o-edital-de-licitacao-dos-transportes-de-sao-paulo/

licitação São Paulo

Ônibus em São Paulo. Licitação ainda não deve atender a todas as necessidades de evolução da mobilidade urbana, mas avanços vão ocorrer e podem ser modelos para todo o País. Foto: Adamo Bazani

Opinião – LICITAÇÃO DE SÃO PAULO: Sistemas mais enxutos e eficientes

Novo modelo dos transportes de São Paulo traz aspectos positivos. Mas o que vai ocorrer com a infraestrutura?

ADAMO BAZANI

O decreto do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, publicado na sexta-feira da semana passada e que dá bases para o sistema de transportes da Capital Paulista traz pontos positivos e dúvidas que servem não só para o maior serviço de ônibus da América Latina, como também para levantar discussões importantes a respeito de como as outras cidades podem melhorar a mobilidade em todo o País.

Inicialmente, pelo que é visto, a intenção do poder público é enxugar o sistema, mas deixando-o mais eficiente. Esta é uma questão fundamental na evolução dos transportes: oferecer um bom sistema de mobilidade não significa gastar muitos recursos e criar serviços complexos.

Hoje vários exemplos em todo o mundo mostram que quanto mais simples do ponto de vista operacional é um sistema, ele se torna mais eficiente.

Assim, reduzir as sobreposições, possibilitar que só veículos de alta capacidade circulem pelos grandes eixos da cidade e criar redes de linhas que se interligam são ações positivas esperadas para São Paulo com a licitação.

Mas aí vai uma dúvida: E a infraestrutura para isso? Não serão colocados mais uma vez os bois na frente da carruagem?

É ótimo pensar que os ônibus terão mais capacidade e velocidade nos corredores. Mas cadê os corredores? Com problemas financeiros específicos e relacionados à atual situação financeira do País, a meta dos 150 quilômetros de corredores até 2016 está gravemente ameaçada. Interferem também no ritmo das obras de corredores desavenças políticas entre TCM – tribunal de Contas do Município – e Prefeitura, além de erros em projetos. Isso sem contar que mesmo que a meta fosse cumprida, a malha de corredores de ônibus em São Paulo ainda seria insuficiente. De acordo com o instituto Embarq Brasil, hoje São Paulo deveria ter em torno de 450 a 500 quilômetros. Se os 150 quilômetros fossem entregues, se somariam aos cerca de 120 e teríamos 370 quilômetros apenas.

Não adianta seccionar linhas se não houver corredores de ônibus. As baldeações que poderiam ser eficientes e que tendem a ser mais numerosas com o novo modelo se tornariam pouco práticas, cansativas e poderiam resultar no que todos não querem: desestimular o uso dos transportes coletivos. Não adianta o passageiro ter um ônibus biarticulado ou superarticulado com wi-fi, ar condicionado e monitor de entretenimento se este veículo ficar preso no trânsito.

O ideal é que as mudanças de linhas não ocorram de acordo com uma simples data colocada num papel, mas sigam o avanço da infraestrutura para o transporte coletivo. Isso a sociedade deve cobrar.

A TIR  – Taxa Interna de Retorno para as empresas de ônibus, que deve cair para 9,9%, tem de realmente garantir o que se propõe: retorno aos investimentos dos empresários. Não se trata de defender as viações, mas a viabilidade do sistema. Se a empresa de ônibus não tiver o retorno necessário, os investimentos e a qualidade caem. A redução da margem de 15% a 18% de TIR para 9,9% foi pensada na expectativa da redução dos custos operacionais.

O poder público, nesta licitação, deveria também pensar mais em frota limpa e como viabilizar a colocação de ônibus não poluentes no sistema. Em 16 de abril deste ano, em entrevista a este repórter, o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, admitiu que a Lei de Mudanças Climáticas, que determina 100% de frota de ônibus mais amigáveis ao meio ambiente não deve ser cumprida integralmente.

Ele justificou dizendo que a indústria brasileira não teria como atender a esta demanda. O argumento é contestável. O Brasil possui empresas que não só fabricam, mas também desenvolvem tecnologia para ônibus não poluentes e tem atraído investidores internacionais.

O empresariado por aqui, depois de tantas crises, acostumou a se virar e a responder bem às oportunidades. Se aparecer uma demanda como Tatto diz, as fabricantes dão seu jeito.

Apesar das lacunas e das dúvidas, inclusive em relação aos empregos dos trabalhadores do setor, não se pode desqualificar um processo de licitação como de São Paulo. Mesmo que ainda não atenda tudo o que é necessário em relação à mobilidade. É um avanço.

Lembro-me que quando houve a apresentação dos resultados da verificação externa das contas dos transportes pela Ernest & Young no final do ano passado, o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, disse que haveria revisões ao longo do tempo de contrato.

E é isso que se espera. São 20 anos de concessão. O modelo não pode ficar engessado, já que transportes são serviços dinâmicos e acompanham as necessidades e novas realidades sociais e econômicas. Pelo ritmo atual, em 20 anos muita coisa pode mudar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

14 comentários em LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES DE SÃO PAULO: O que esperar e cobrar?

  1. Jose gomes junior // 6 de julho de 2015 às 13:51 // Responder

    Teria um prazo para o fim dessa licitação!
    As garagens já podem contrata funcionários
    Grato…

    • A licitação só deve terminar no final do ano. As garagens são livres para contratar a qualquer momento, mas não sei se elas estão dispostas neste momento. No entanto, se o senhor busca colocação no mercado, o importante é tentar sempre, sem esperar.
      Abraços

  2. Tudo piada bla bla bla licitação vai ficar tudo do mesmo jeito o reais beneficiários serão os empresários, e quem paga a conta são os trabalhadores sempre que não recebem seus direitos trabalhistas de forma honesta e ainda tenho que ver este blog defender o lucro das empresas. Este blog representa e encarroçadora e empresas de ônibus não trata de forma transparente os fatos como o transporte público de São Paulo é um cartel de cartas marcadas. O que esperar o mesmo claro tudo em benefício dos empresários financiadores de campanha

  3. Quanto a estrutura, acho que está bastante claro que o Tribunal de Contas está agindo politicamente nessa onda anti-petista que, no final das contas, prejudica a população que precisa dos ônibus.

  4. Amigos, boa noite.

    PREVISIVELLLLLLLLLLL

    Ja postei antetiormente, sem estrutura e sem sustentacao finsnceira, mais uma construcao a ser iniciada sem nem ter o terreno, pior do que comecar a contruir pelo telhado.

    O que esperar ?

    O buzao e claro, o qual continuara atrasado.

    O que cobrar ?

    Nada, pois nao adianta, afinal o carro foi vistoriado e liberado para rodar e bla bla bla…

    Seremos sim e cobrados, tarifa, impostos, taxas e o que puderem arrarcar do contibuinte.

    Att,

    Paulo Gil

  5. Ao comentário do Leo sobre a posição do blogpontodeonibus, aqui não estou defendendo o editor jornalista Adamo Bazani, que apenas repassa as informações que vêm às suas mãos. Eu acho que os elaboradores dessa Licitação são responsáveis pelo caos na cidade de São Paulo. Há a presença dos Sindicatos que deveriam colaborar com os transportes públicos, mas, a interferência dos Sindicatos só atrapalham o andamento dos sistemas. São os sindicatos que ditam as normas para o trabalho das empresas de ônibus.

  6. Pedro Lucas Vieira // 7 de julho de 2015 às 01:15 // Responder

    Cobrar mais transportes sustentáveis

  7. QUANTO AS COOPERATIVAS ELAS VÃO VIRAR EMPRESA MESMO ? COM OS MESMOS BENEFICIOS DAS EMPRESAS E ETC…? OBRIGADO

  8. É brincadeira de mau gosto a Sptrans extinguir, seccionar e encurtar várias linhas de ônibus !

  9. Prezado Adamo,
    Achei bem coerente a linha de raciocínio colocado pelo senhor neste texto referente a LICITAÇÃO DE SÃO PAULO: Sistemas mais enxutos e eficientes mas, tirando a minha opinião pessoal a respeito desta atual administração da cidade de São Paulo lhe pergunto :
    1 – O senhor prefeito e seu secretário dos transportes tiveram acesso a esta reportagem ?
    Expressaram algum opinião a respeito ?
    Para o caso de ainda não tiverem lido a matéria, não seria um ótima oportunidade de questiona-los a respeito dos itens elecando na matéria ?

    2 – Pergunto porque, em todas as vezes que esta cidade elegeu como prefeito um “petista”, a coisa é sempre do jeito que eles querem e pronto, não importa a opinião da população, cobranças do TCU enfim, não importa nada, cito como exemplo a ex prefeita Dona Marta que acabou os os trolleybus (ônibus elétricos) repassando as linhas aos empresários que, por dedução (Opinião/ Palpite) minha, acho que sejam fiéis contribuidores as campanhas eleitorais municipais petistas, enfim …

    3 – Outro fato que a mim, leigo nestas questões de licitações, não é de se estranhar que a licitação que será aberto para incentivar, inclusive, empresas de outras cidades ou internacionais, tenham empresas de, pelo menos dois grandes grupos fortes desta cidade que é São Paulo, estarem adquirindo muitos ônibus super articulados com Wi-Fi, ar condicionado, entradas para carregamentos de celulares e outros benefícios, sem terem a certeza de que permanecerão ou não no sistema, não é estranho ?
    Maldosamente pensando, será que não seria esta licitação apenas para cumprir “tabela” no processo seletivo onde os pequenos são excluídos e favorecendo os grandes com uma ampla atuação, talvez exclusiva exploração do sistema de transporte urbano da cidade, não seria ?

    Há muitas coisas, talvez, escondidas por trás desta licitação que, para vir a tona, se faz necessário muita investigação enquanto ainda há tempo, inclusive pela imprensa a qual, estimado Adamo, o senhor pertence, o senhor seria repórter investigativo ?

    Termino por aqui, levanto, até o momento, três pontos os quais, tenho quase certeza, de que jamais terei a oportunidade de ler um retorno, seja dos administradores da cidade, sejam dos empresários ou mesmo da imprensa mas, fica aí registrado minhas dúvidas, meus questionamentos.

    Abraços,

    Mário Brian

    • Verdade Mário Brian. Há pontos pontos que precisam ser esclarecidos. Que a licitação precisa ser feita por questão legal é um fato e que as empresas têm adquirido ônibus de altíssimo valor induz a este pensamento.
      Acredito que o ideal mesmo seria uma abordagem mais profunda de toda a imprensa. mas confesso, convencer os chefes dos órgãos de comunicação a colocar fatos relacionados aos transportes além das versões oficiais é uma tarefa árdua
      Abraços

  10. Adamo Bazani, como evitar que a Prefeitura de São Paulo junto com a Sptrans elimine a linha 179X-10?
    A demanda de passageiro dessa linha é muito grande.
    Não existe ônibus batendo lata nessa linha…

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: