Em 2013, Tatto dizia que Paulista teria corredor de ônibus

ciclovia paulista

Ciclovia na Paulista. Secretário de transportes disse há dois anos que local teria corredor de ônibus. Especialista defende área para coletivos que atenderia mais pessoas e daria mais espaço para pedestres. Foto: Tatiana Santiago/G1

Em 2013, Tatto dizia que Paulista teria corredor de ônibus central

Especialista defende espaço mais apropriado para transporte coletivo na avenida e ciclovias nas paralelas

ADAMO BAZANI – CBN

A inauguração oficial da ciclovia na Avenida Paulista foi recebida com festa pelos cicloativistas e dividiu a opinião entre a população em geral.

O espaço para as bicicletas tem 2,7 quilômetros de extensão, fica na área central da avenida entre a Praça Oswaldo Cruz a Avenida Angélica.

Por causa da obra, a faixa para ônibus, que é à direita em cada sentido, passou de 3,5 metros de largura para 3,3 metros. A largura da carroceria de um ônibus pode chegar a 2,6 metros que devem ser somados aos ângulos dos retrovisores e espaço para desvios de eventuais obstáculos. Já as faixas para carros tiveram redução de 3 metros para 2,8 metros de largura.

O que foi recebido com comemoração esconde uma promessa da prefeitura. Em 10 de julho de 2013, quando apresentou as faixas de ônibus à direita da Paulista, o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, disse que um dos projetos da prefeitura era usar exatamente o canteiro central da Paulista para um corredor de ônibus.

Na ocasião, ele disse que o corredor poderia oferecer uma velocidade maior ao transporte coletivo e evitaria problemas como carros que precisam entrar à direita ou acessar garagens de prédios e estabelecimentos comerciais. “O carro não atrapalharia o ônibus e o ônibus não vai interferir nos carros”. O corredor também evitaria invasões e seria conectado a outros eixos previstos para o transporte público, como na Avenida 23 de maio.

A promessa foi esquecida.

Nesta segunda-feira, um dia depois da festa pela ciclovia, o especialista em transportes e integrante da Abraspe – Associação Brasileira de Pedestes, o engenheiro Horácio Figueira, defendeu em entrevista à Folha de São Paulo que seria mais adequando o corredor de ônibus prometido na Avenida Paulista, levando em conta a democratização do espaço urbano, ou seja, a quantidade de pessoas que usam ônibus na Paulista e as que pedalam.

“Eu não teria feito ali. Eu teria feito na Alameda Santos, São Carlos do Pinhal [vias paralelas à Paulista], tirando espaço do automóvel daria para acomodar. Na Paulista eu teria feito corredor de ônibus à esquerda. Até porque ali, se passarem 100 ciclistas por hora, já é um sucesso. Se a gente falar que passam 5 mil pessoas por hora nos ônibus no horário de pico, então a bicicleta ali vai ser a minoria da demanda total. [Sem contar o metrô], o meio que mais transporta na avenida Paulista é o transporte a pé, depois vem o ônibus, as faixas de automóveis e depois vai vir a ciclovia. Houve uma inversão da lógica, pensando na coletividade. É bom que a bicicleta venha, mas não pode inverter. Prioridade é primeiro pedestre e o transporte coletivo.” – disse o especialista.

Horácio Figueira também disse que o investimento em transporte coletivo ajudaria os deslocamentos dos pedestres na Avenida Paulista.

À esquerda, o corredor beneficiaria a maioria dos usuários da Paulista. O que eu beneficiaria? Toda a circulação de pedestres na Paulista onde tempo de verde é pequeno e de espera é muito grande, as pessoas acabam atravessando no vermelho. É só ir na esquina da Paulista com a Augusta para ver, chegam a ficar 100, 200 pessoas [para atravessar], esperando para virar meia dúzia de carros. É ridículo. O semáforo da Paulista seria separado em duas fases: uma fase para o ônibus e duas faixas centrais de automóveis [à esquerda]. A do ônibus teria tempo de verde maior [melhorando o fluxo do transporte coletivo, que quando está do lado direito, como acontece hoje, perde velocidade devido aos cruzamentos]. Para a conversão [à direita] eu deixaria 20, 30 segundos, e o restante do tempo ficaria verde para o pedestre. Os carros ficariam numa fila de espera. – complementou

OPINIÃO – NÃO SE TRATA DE RIVALIZAR MODAIS:

A lembrança de que Jilmar Tatto disse que a Avenida Paulista abrigaria um corredor de ônibus e  os números apresentados por Horácio Figueira estão muito longe de rivalizar os modais: ônibus e bicicletas. Na verdade, os dois podem se complementar de maneira eficaz.

No entanto, a visão mostra a necessidade de mais planejamento lógico na ocupação das vias de São Paulo, que não têm mais para onde fisicamente crescerem.

Antes de pensar em mudar cultura, é necessário ver a quantidade de pessoas atendidas pelos diferentes modais e quem são estas pessoas.

As bicicletas, por mais que possam registrar um aumento de uso, nunca terão a capacidade do transporte coletivo. Além disso, o pedestre ainda precisa ser visto com mais atenção pelo poder público.

As pessoas que podem usar a bicicleta na Paulista, de uma maneira geral, moram relativamente perto do local, área nobre de São Paulo, com exceções, obviamente.

Já quem vem de ônibus mora em regiões mais distantes, muitas pessoas de menor renda que trabalham em prédios e estabelecimentos na Paulista ou imediações.

A ciclovia na Paulista não elimina espaço para o carro e não desestimularia, portanto, de maneira significativa o uso do transporte individual motorizado. O corredor de ônibus com as ciclovias nas paralelas faria com que motoristas que não tivessem a Paulista como destino procurasse outras rotas.

Além disso, é importante sempre respeitar, mas estar com um pé atrás em discursos do prefeito Fernando Haddad e do secretário de transportes Jilmar Tatto.

Até setembro do ano passado, ambos defendiam publicamente com veemência que os táxis não deveriam trafegar, mesmo com passageiros, pelas faixas de ônibus. Falavam que os veículos atrapalhariam o transporte coletivo.

No dia 07 de setembro de 2014, entretanto, a então candidata à reeleição pela presidência da República, Dilma Rousseff, que também tentava eleger o ex-ministro Alexandre Padilha ao governo do estado de São Paulo, se reuniu com lideranças de taxistas em São Paulo, entre eles Natalício Bezerra, presidente do Sinditaxi, com forte influência política.

Uma semana depois, o prefeito e o secretário do mesmo partido de Dilma e de Padilha apresentaram um estudo que contradizia o que defendiam e liberaram as faixas de ônibus para táxis.

O Ministério Público viu na ocasião motivações políticas na decisão de Haddad e Tatto.

Sobre a ciclovia na Paulista, também não se trata em pedir para a prefeitura voltar atrás: a obra custou R$ 12,2 milhões.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

5 comentários em Em 2013, Tatto dizia que Paulista teria corredor de ônibus

  1. Amigos boa noite.

    Pela obra se conhece o autor.

    Sem mais.

    Att,

    Paulo Gil

  2. O consultor Figueira está certo: ônibus deveriam ocupar as faixas da esquerda, como vinha sendo projetado. Ciclovia na Paulista teve oportunismo político e realmente estaria melhor nas paralelas.
    Quanto aos usuários do corredor de ônibus da Paulista – na faixa da esquerda ou como está – certamente não deveriam vir de regiões mais distantes, exceto para completar seu percurso, se for o caso. Afinal as estações de metrô são relativamente próximas umas das outras.
    Para vir de regiões mais distantes, independente da renda, tem que ser usado transporte de alta capacidade: metrô/trem.
    A falta de ação de Tatto neste particular torna os corredores ineficientes, cheios de linhas diferentes que, não raro, acabam exigindo mais pontos de parada: receita de mau funcionamento.

  3. Cada dia mais Sâo Paulo se torna uma cidade inviável de se trabalhar, se estudar e se morar. Você tem restrição para uso de seu carro pelo rodízio, pelas faixas de ônibus e pela ciclovia. Não tem direito a um transporte no mínimo tolerável, que você é obrigado a subir e descer de coletivos, passando frio e chuva por que não há um lugar adequado para baldeações. O sistema metroviário progrediu de forma tão lenta que ultrapassou o limite de superlotação a tempos. E ainda temos governantes que investem em modais que atendem uma parcela pífia da população, como se os demais modais estivessem perfeitamente sincronizados. É um tapa na cara da sociedade todo o dia.

  4. RIDICULO! Cadê os trouxas q diziam q Corredor de Ônibus deixaria a Av. Paulista feia ??? realmente o PT esta destruindo SP/SP! Haddad pior q Pitta! pelo menos ta se esforçando pra isso! E A LICITAÇÃO, ATÉ AGORA, NADA!!!! 30/06/2015!

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