BRT tem de ser planejado não como uma obra, mas como um sistema de transportes, diz NTU

BRT ônibus

Ônibus em sistema de BRT. NTU defende que corredores sejam mais pensados como sistemas de transportes e não apenas como obras de engenharia. ITDP diz que para ser considerado BRT, corredor deve seguir alguns critérios básicos e nem sempre estes pontos são empregados no Brasil completamente.

BRT tem de ser planejado não como uma obra, mas como um sistema de transportes, diz NTU

Já ITDP revela que muitos sistemas não seguem ainda todos os critérios básicos de BRT e que corredores podem ajudar até mesmo para corrigir efeitos de crescimento desordenado das cidades

ADAMO BAZANI  – CBN

Os BRTs – Bus Rapid Transit, que popularmente são conhecidos como corredores de ônibus de alta velocidade, são consideradas soluções de mobilidade urbana amplamente utilizadas em todo o mundo com as características de baixo custo de implantação e maior rapidez para a conclusão das obras em relação a outros modais.

Bem planejado e com a possibilidade de integrações com meios de transporte também de grande capacidade, como o metrô, um BRT não se esgota com o tempo e, além do deslocamento de pessoas, traz outros benefícios como redução da frota de ônibus comuns em circulação, das emissões no meio ambiente e permite uma reorganização das cidades e qualificação da região onde for implantado.

No entanto, quando se fala na expansão dos BRTs no Brasil há ressalvas que devem ser consideradas pelos gestores públicos e que revelam a necessidade de um aperfeiçoamento da qualidade e da abrangência dos corredores.

Segundo o diretor executivo da NTU  Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Marcos Bicalho dos Santos, em muitos casos, os BRTs ainda são encarados pelos gestores públicos como obras de engenharia e não como sistema de transportes.

“Isso faz toda a diferença, porque não basta pensar no corredor e nas estações em si. É necessário levar em consideração os impactos no dia a dia das pessoas e projetar aquela obra para o futuro e como algo integrante de um sistema muito maior que a própria área atendida pelo BRT. No caso do metrô, por exemplo, em todo o mundo, as linhas são implantadas por operadores ou gestores especializados em metrô. Para que haja uma ‘metronização do ônibus’ , os BRTs devem ser vistos como integrante da cidade e como um todo” – disse Marcos Bicalho dos Santos no painel “Como garantir e manter bons padrões de qualidade nos sistemas de BRT”, que integrou o 20º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, realizado em Santos, no Litoral Paulista.

Bicalho defendeu uma gestão unificada dos sistemas de transportes, sejam BRTs totais ou não, e citou como exemplo o Corredor Metropolitano ABD, na Grande São Paulo.

“O modelo do corredor operado pela Metra é interessante. A Metra é responsável pela operação dos ônibus e manutenção do corredor e dos terminais e pelo que vemos tem dado resultados interessantes no nível de satisfação dos passageiros” – completou Marcos Bicalho.

A diretora-executiva do ITPD, entidade que reúne especialistas de transportes em diversas partes do mundo, cuja sigla em português é Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, Clarisse Cunha Linke, disse que hoje a imagem do BRT é prejudicada por erros de implantação. estrutura, gestão e até mesmo operação. Ela também participou do painel.

“Os BRTs devem seguir, pelo menos, cinco critérios básicos: infraestrutura totalmente segregada para os ônibus; alinhamento de vias preferencialmente com o corredor ao centro; tratamento de intersecções (cruzamentos que privilegiem o transporte público); cobrança de tarifa fora do veículo (em estações, por exemplo) e plataformas no mesmo nível do assoalho do veículo. Só assim poderíamos dar uma eficiência de metrô ao transporte por ônibus, mas nem todos os sistemas hoje no Brasil apresentados como BRT atendem a estes critérios” – disse Clarice Linke.

Ela também falou que as cidades cresceram com desequilíbrios territoriais e de população e que um bom sistema de transporte, ao trazer desenvolvimento local integrado, pode ajudar nesta realidade.

Também participaram do painel, trazendo experiências locais que podem servir de exemplo para outras regiões, o gerente de Infraestrutura do Consórcio Operacional do BRT do Rio de Janeiro, Alexandre Castro, e o presidente da BHTrans, Ramon Victor César.

“Vemos oportunidades de melhorar os serviços no Rio de Janeiro e nossa meta é de que com todos os sistemas de BRT implantados tenhamos 63% da população usando o transporte coletivo. Hoje são 17%” – disse Alexandre Castro, que também citou uma pesquisa do Instituto Datafolha que mostra que 73% dos passageiros dos BRTs no Rio de Janeiro estão satisfeitos com os serviços. A rapidez nas viagens foi o principal ponto destacado pelos usuários.

“O sistema de BRT de Belo Horizonte é acompanhado por uma série de iniciativas como o Mobi Centro, que vai permitir correções viárias, muitas vezes simples, mas importantes. A comunicação com o usuário e a segurança são pontos importantes na operação e gestão de um BRT. Sofríamos muito com vandalismo. Hoje existem equipes de seguranças nas estações com o custo de R$ 1 milhão ao mês, mas vale a pena pela redução da depredação e para o passageiro se sentir mais confiante e tranquilo nas estações e ônibus” – disse Ramon.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

4 comentários em BRT tem de ser planejado não como uma obra, mas como um sistema de transportes, diz NTU

  1. BEM MAIS BARATO Q O METRÔ E A CPTM…E UM POUCO MAIS BARATO Q OS VLTs! P Q NÃO MEU DEUS??? AQUI EM SP/SP A UNICA COISA Q DA PRA TER ORGULHO E CHAMAR DE BRT MESMO…É SÓ O EXPRESSO TIRADENTES! ALIÁS ESSE BRT NOSSO DEVERIA MUDAR DE NOME …DE NOVO…DEVERIA SE CHAMAR “EXPRESSO SUDESTE”! POIS INFELIZMENTE ESSA EXCELENTE IDEIA FOI ABANDONADA PELA PREFEITURA E PELO ESTADO…POIS ESSAS ANTAS ACHARAM MAIS LEGAL $$$$…FAZER MONOTRILHO…DA VILA PRUDENTE ATÉ A CIDADE TIRADENTES…PASSANDO POR SÃO MATHEUS…MISERICÓRDIA! QUANTA ROUBALHEIRA! QUANTA INCOMPETENCIA E QUANTA “OSTENTAÇÃO” ! O CUSTO DE MANUTENÇÃO DESSA PORCARIA É ENORME! POR ISSO Q ESSA PORCARIA DE PAÍS NUNCA CRESCE MESMO! PARABÉNS AS AUTORIDADES COLOMBIANAS E AO AUTORIDADES MEXICANAS Q INVESTEM MUITO ATUALMENTE NESSE SISTEMA DE TRANSPORTE RAPIDO POR ÔNIBUS DE GRANDE CAPACIDADE! PARABÉNS MESMO! E OLHA Q NA CIDADE DO MÉXICO, TEM METRÔ PRA TUDO Q É LUGAR HEIN!

  2. Amigos, boa noite.

    Tudo na vida tem de ser planejado, principalmente algo que custa milhões de dólares; principalmente .quanto a disponibilidade de área para o traçado, porque senão fica “parador”,
    com um semáforo a cada 600 m +/- e poucas ou nenhuma área de ultrapassagem.

    Em Sampa não há áreas disponíveis, sem grandes custos e desapropriações, por isso, a maioria dos BRT´s em Sampa será natimorto ou será mais um “parador”.

    Exceto o Expresso Tiradentes.

    Esse modelo é a saída para Sampa, mas com as estações ao nível da rua, só assim haverá menos desapropriações e despesas.

    Vai ficar feio ? É óbvio que vai, mas é a única saída mais lógica, ou já faz tudo AEROTREM,
    mas com planejamento é claro.

    Por falar em AEROTREN lembrei da PPP do VLT da baixada; pelo que conta no post do blog de uns dias atrás (“Devem ser investidos R$ 5,6 bilhões num prazo de 20 anos, sendo que R$ 666 milhões virão da iniciativa privada.”), não parece parceria, pois o valor a ser investido pela iniciativa privado é ínfimo se comparado com o investimento público.

    Ai eu pergunto: Isso é parceria ????

    Isso vai dar certo ???

    Claro que não, afinal está desequilibrado antes de começar, resultado: será algo parecido com o AEROTREM que só tem as colunas e um trecho piloto em teste e as previsões de solução serão a longo prazo.

    Outra saída é implodir um “X” em Sampa, ai sim teremos área para o traçado do BRT; mas mesmo assimm tem de ser planejado.

    Quanto ao corredor ABCD (apesar de também ser um parador) operado pela METRA, funciona por um fator básico:

    A Metra faz a parte dela, simples assim, claro que é uma operação gigante, mas ela faz.

    Uma das coisas que eu odeio no buzão é a sujeira interna; mas os da Metra são limpos; ou seja,
    ela cumpre com suas obrigações contratuais.

    Gostaria de saber qual é o melhor BRT do mundo e se esse BRT tem “ralão” nos pontos de embarque para os passageiros não tomarem banho de água suja igual em Sampa.

    Se alguém souber informar, eu agradeço.

    Pra mim, “ralão” em ponto de parada de BRT significa um BRT planejado, coletando a água da via do buzão para, após tratamento, lavar o próprio buzão, ai sim além de planejado será sustentável.

    No mais, não passará de mai um “parador”

    Volto a repetir minha sugestão já dada.

    Faz um metro ou CPTM na Marginal Tiete e ligações a esquerda e a direta por VLT até
    as vias principais.

    Mas …

    Se nem as linhas são planejadas, como poderá haver planejamento no BRT de Sampa, difícil.

    Isso se não houver impugnação dos órgãos de controle ou questionamentos judiciais.

    Att,

    Paulo Gil

    • Amigos, bom dia.

      Ontem estivd pensando e faco uma correcao no BRTR (Bus Rapid Transite Ralao)

      A captacao da agua de chuva em toda a estensao do BRTR, mais sustentavel e ecologico ainda e tambem pode funcionar como um mini piscinao.

      Att,

      Paulo Gil

  3. Texto faz observação muito importante, principalmente para cidades enormes.
    Infelizmente a ÚNICA exceção que ocorre quando se fala em implantar como sistema de transportes é o VLT de Santos/São Vicente. E mesmo ele, nem da Baixada deverá ser mais: Praia Grande vem pressionando um monte para um “BRT” sem planejamento.

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