Descartada greve de ônibus em Curitiba e região anunciada para esta segunda, 22

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Ônibus em Curitiba. Houve acordo entre empresas e trabalhadores. Greve anunciada para segunda-feira foi descartada. Foto: Adamo Bazani

Descartada greve de ônibus em Curitiba e região

Paralisações de surpresa atrapalharam a saída dos veículos durante a semana

ADAMO BAZANI – CBN

Em reunião realizada nesta quinta-feira no MPT – Ministério Público do Trabalho do Paraná, motoristas e cobradores de ônibus descartaram a greve anunciada para esta segunda-feira, dia 22 de junho de 2015, em Curitiba e Região Metropolitana. Houve acordo com as empresas de ônibus que se comprometeram a não realizar demissões até dia 29 de junho, quando ocorre outro encontro entre representantes de empresas e trabalhadores com mediação dos promotores.

O Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana realizou na terça-feira desta semana uma série de paralisações de surpresa atrasando a saída dos ônibus das garagens entre às 04h30 e 05h30. A entidade diz que as empresas estavam demitindo representantes do sindicato que atuaram nas greves de janeiro e fevereiro na ocasião por atraso de pagamentos. As empresas lamentaram que as paralisações foram feitas sem ter avido uma tentativa de diálogo anterior.  Somente na quinta-feira, as partes se encontraram o que suspendeu a ameaça de greve.

Se houvesse diálogo anterior, acreditam as empresas, nem haveria paralisações nas garagens.

O MPT abriu um Procedimento Promocional – PROMO que é uma ferramenta que permite constante diálogo entre as partes independentemente de reuniões agendadas no Ministério.
A relação entre empresas de ônibus e  Sindimoc tem sido marcada por tensão nos últimos meses.

Com a desintegração financeira entre os sistemas metropolitano (de 13 cidades da RIT – Rede Integrada de Transporte) e o urbano de Curitiba, atrasos de repasses da Urbs (gerenciadora municipal) e da Comec (gerenciadora das metropolitanas) no final do ano passado, houve queda de arrecadação e aumento dos custos para empresas e poder público. Esta situação de desordem com motivações partidárias também influenciou a questão trabalhista.

Apesar de pagar os compromissos com os trabalhadores, algumas empresas dizem estar em situação econômica delicada e a desintegração exigiu a criação de novos procedimentos operacionais e de gestão, aumentando custos e burocracia.

Esta desintegração dos recursos para a integração entre as linhas metropolitanas e as urbanas de Curitiba tem como raiz as desavenças políticas entre o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT).

Há mais de dez anos empresas de ônibus e especialistas alertavam para a necessidade de ajustes para a manutenção das integrações. Como seriam feitos antes do acúmulo de déficits, principalmente no sistema urbano, os ajustes não trariam tanto impacto à população, empresas e trabalhadores.

Mas enquanto Luciano Ducci (PSDB) era prefeito de Curitiba, como o governador é do mesmo partido, qualquer alteração era “jogada para baixo do tapete” e “empurrada para frente” já que mudanças nos transportes sempre causam um descontentamento da população..

Os problemas foram se acumulando.  No entanto, vale lembrar que se as alterações fossem feitas no tempo certo, não haveria tanto impacto.

Beto Richa não conseguiu manter o PSDB na prefeitura entrando no poder o opositor político PSD.

Assim, se antes prefeitura e estado se ajudavam na imagem política, agora o objetivo de ambas as partes é uma prejudicar a imagem da outra.

Uma pesquisa de origem e destino contratada pela Comec apontou a necessidade de mudanças e o descompasso entre as receitas das metropolitanas e urbanas. A demanda das metropolitanas e a arrecadação eram de acordo com a pesquisa maior do que a Urbs da prefeitura estimava.  Feito entre março e outubro de 2014 pela Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, o estudo concluiu que a participação da Região Metropolitana de Curitiba no sistema integrado é de 31,2%, maior do que os 21,7% estimados pela gestão municipal da capital paranaense.

O custo das linhas metropolitanas dentro da RIT era de 27,82%. A Urbs alegava que somente 21% de toda a receita (passageiros pagantes) do sistema eram originados pelas linhas metropolitanas, com isso gerando um prejuízo de 6,82%, os quais estavam sendo cobertos pelas linhas urbanas.

A Comec, amparada pela pesquisa da Fipe, disse totalmente o contrário. O órgão alega que 31,2% de toda a receita do sistema são originados pelas linhas metropolitanas, com isso, gerando lucro de 3,38%, cobrindo desta forma o prejuízo das linhas urbanas municipais.

Os números da Fipe são muito semelhantes a um levantamento contratado pelas empresas de ônibus em 2004 que apontou, na época, que 28% da demanda da RIT são provenientes das linhas metropolitanas.

Até 2012, o custo do sistema era pago diretamente pela tarifa de ônibus. Já no cargo de governador, Beto Richa estabeleceu neste mesmo ano um acordo com a prefeitura de Curitiba para subsidiar o transporte coletivo da Capital. Ele começou a repassar R$ 64 milhões ao ano. A medida tinha o evidente objetivo de promover o então prefeito Luciano Ducci, seu aliado na disputa pela reeleição. Para fundamentar este subsídio, alegou-se que o transporte metropolitano gerava prejuízo na RIT – Rede Integrada de Transporte, que é formada por linhas metropolitanas e municipais. A jogada, porém, foi insuficiente para eleger Ducci, que acabou derrotado pelo atual prefeito Gustavo Fruet. Com a eleição de um adversário, Richa passou a dizer que o subsídio era um “socorro momentâneo e que o Estado não poderia ser sobrecarregado com uma despesa de responsabilidade da prefeitura da Capital. Em meio a muita polêmica e sob o risco de saírem da história como vilões, Richa e Fruet selaram as pazes, isso pelo menos até o fim do ano passado quando o acordo dos repasses venceu.

Ninguém mais quis pagar a conta, ou pelo menos, reduzir esta conta. A Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, órgão do Governo do Estado, propôs no início deste ano a redução no valor dos subsídios para os ônibus da região metropolitana de R$ 7,5 milhões por mês para R$ 2,3 milhões.

A Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., órgão da prefeitura, não aceitou a redução e rompeu o convênio que garantia as integrações nos ônibus metropolitanos.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

1 comentário em Descartada greve de ônibus em Curitiba e região anunciada para esta segunda, 22

  1. “…motoristas e cobradores de ônibus descartaram a greve anunciada para esta segunda-feira, dia 22 de junho de 2014, em Curitiba e Região Metropolitana.” … Por favor, poderia arrumar a data do texto, sendo que foi publicado em 2015, dia 19 de junho.
    Obrigada

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