EDITORIAL: Com “parceria” petista frustrada, só 2% do PAC para corredores de ônibus foram recebidos

corredor de ônibus

Corredores de ônibus não avançam em São Paulo. Cidade recebeu apenas 2% das verbas do PAC para estas obras. Apesar de serem do mesmo partido, prefeitura e governo federal tiveram parceria frustrada.

São Paulo recebe apenas 2% das verbas prometidas do PAC para corredores de ônibus

Construção de creches, obras de drenagem e recuperação de mananciais também ficaram com recursos menores que os anunciados

ADAMO BAZANI – CBN

Enquanto as faixas de ônibus, consideradas boas alternativas apenas pontuais para a mobilidade urbana não têm mais surtido o mesmo efeito com a queda da velocidade do transporte coletivo, a construção de corredores de ônibus, espaços mais adequados, também segue num ritmo bem reduzido na cidade de São Paulo.

Além dos entraves em relação a erros de alguns projetos e a indisposição entre o TCM – Tribunal de Contas do Município e a prefeitura, o maior problema é a falta de dinheiro mesmo.

E para justificar os tímidos avanços que jogaram por terra a promessa de Fernando Haddad de concluir até 2016, 150 quilômetros de corredores de ônibus que ofereceriam mais eficiência ao sistema e conforto para os passageiros, desculpas não faltam.

Reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” mostra que cerca de 2% apenas das verbas do PAC – Programa de Aceleração Crescimento, do Governo Federal, foram de fato recebidos pela prefeitura para a construção de corredores de ônibus. Outras necessidades de São Paulo, como a construção de novas creches e obras em mananciais também receberam porcentual semelhante.

Em relação aos corredores de ônibus, o PAC anunciado por Dilma Rousseff permitiria a construção de 162,7 quilômetros. Os aportes somariam R$ 4,5 bilhões. Mas até agora, a prefeitura recebeu R$ 97,9 milhões. Já o PAC São Paulo, outro anúncio de Dilma Rousseff, que inclui obras de drenagem, recuperação de mananciais e mais mobilidade urbana, teve anúncio em 2013 de R$ 9 bilhões, mas só chegaram aos cofres de São Paulo R$ 452 milhões.

EMPURRA-EMPURRA, DESCULPAS E CONTRADIÇÕES:

Na época da campanha de Fernando Haddad para a prefeitura, um dos discursos era de que a parceria com o Governo Federal aceleraria o crescimento em São Paulo.

Foi vendida a ideia de que por pertencerem ao mesmo partido, prefeito e a presidente Dilma Rousseff, seria mais fácil São Paulo conseguir estas parcerias.

Mas como diz a frase “amigos, amigos, negócios à parte”, a questão econômica frustrou esta imagem que foi vendida na campanha tanto por Dilma Rousseff, Fernando Haddad e também pelo homem-forte do PT, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

O Ministério das Cidades diz que os recursos prometidos estão disponíveis, mas que o PAC só pode financiar obras em andamento.

A prefeitura reconhece que não começou boa parte das obras. Mas ataca a própria União que não colocou em prática a lei que permite a mudança de valores das dívidas da cidade com o Governo Federal. São Paulo ganhou na justiça esta mudança, mas a diferença entre o valor antigo e o atual ainda não pode ser investida em obras, está indo para uma conta judicial.

O Governo Federal diz que a lei não foi regulamentada ainda porque o País precisa do ajuste fiscal para tentar equilibrar novamente as contas públicas mal geridas nos últimos anos, de acordo com o próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Se tivesse sido bem administrado, não seria necessário o ajuste desta monta agora”.

É uma bola de neve: governo federal não libera verba porque prefeitura não faz obras, prefeitura não faz obras porque tem de pagar dívidas com o governo federal, governo federal não cumpre a lei que renegocia as dívidas com a prefeitura porque também está endividado.

A administração Haddad ainda relaciona outros fatores para não ter capacidade financeira para iniciar as obras: a decisão da Justiça que “atrasou” em um ano o reajuste do IPTU como queria o prefeito e o congelamento das tarifas de ônibus em 2013 após as manifestações de junho, que retirou do Orçamento do Município R$ 1,5 bilhão.

No entanto, no ano eleitoral 2016, Haddad estuda manter a tarifa sem reajuste.

Enquanto o país está numa situação de recessão econômica (o PIB encolhe e nem o Governo Federal consegue negar como fazia antes), a administração municipal acumula erros de projetos e administrativos, a parceria petista municipal e federal foi frustrada (termo usado pela própria prefeitura), o transporte na cidade vai quase parando. Com táxis e constantes invasões de outros veículos, as faixas de ônibus não dão mais conta em diversas regiões.

Lula tentou convencer Dilma a liberar R$ 8 bilhões do PAC para a cidade de São Paulo. Mas “a regra é clara” como diria Arnaldo César Coelho: a não ser para obras emergenciais para reverter situações que coloquem em risco a vida, como a reparação de uma encosta, por exemplo, só pode sair dinheiro do PAC se a prefeitura ou estado começarem as intervenções.

Aliás, foi quebrando regras, dando pedaladas fiscais e outros artifícios que a dobradinha Lula/Dilma permitiu que o País chegasse a atual situação econômica que altera direitos trabalhistas e tem sido responsável por uma retração nas atividades que já resultou em cortes de milhares de empregos.

Uma cidade cresce não com promessas eleitorais ou medidas pontuais de liberação de verbas, mas com boa administração e com a economia do País fortalecida. Isso está ocorrendo?

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em EDITORIAL: Com “parceria” petista frustrada, só 2% do PAC para corredores de ônibus foram recebidos

  1. Dinheioro do PAC é só pros “Abilios Diniz” da vida… e pra “Parada Gay”! O Transporte Publico de SP/SP e Região Metropolitana esta condenado ao ostracismo!

  2. Amigos, boa noite.

    É o efeito contribuinte.

    “O contribuinte paga impostos porque é bonzinho”

    OU

    “Ou é bonzinho porque ainda paga impostos.”

    Cadê o extrato bancário do Banco do Brasil, para comprovar que o resto da verba do PAC está na conta corrente do Tesouro ???????????????????

    Tem de guardar essa verba para custear as ações judiciais de Passadina nos EUA, não haverá PAC suficiente; isso é só de despesas; imaginem se houver condenações milionárias em dólar devidamente corrigidas.

    Vai sobrar para os “bonzinhos”

    Alguém duvida ?????????????

    Att,

    Paulo Gil

  3. Os partidos com sua briguinhas internas,faltando verba pra tudo,corte somente pra população menos o salários deles e cargos,e o povo que se lasque já que não sabe votar,nunca sairemos da merda nesse país.

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