Corredores de ônibus: Só 13% da meta alcançados e obras entregues estão incompletas

corredor de ônibus

Corredor da Berrini tem trechos que sequer receberam pavimento – Foto: Adamo Bazani

Corredores de ônibus feitos por Haddad foram entregues incompletos e só 13% da meta saíram do papel

Prefeitura de São Paulo atribui o atraso à situação econômica do País

Texto: ADAMO BAZANI – CBN

Com informações de Eduardo Athayde – Diário de São Paulo

O tempo passa e os corredores de ônibus, apontados por especialistas como uma das soluções para melhorar os transportes na cidade e uma das principais promessas de campanha do prefeito Fernando Haddad, têm ficado apenas na esperança.

Os avanços foram poucos em relação à meta de campanha e mais ainda em relação à necessidade dos paulistanos.

Levantamento feito pelo repórter Eduardo Athayde, do Diário de São Paulo, mostra que dos 150 quilômetros de corredores de ônibus prometidos até 2016, 20 quilômetros foram entregues. O número corresponde a apenas 13% da meta.

E o pior, os quatro corredores de ônibus que a prefeitura entregou estão incompletos.

O corredor da Inajar de Souza, na zona Norte de São Paulo, segundo a prefeitura, teve 85,6% de obras prontas. Somente 40% do corredor M Boi Mirim, na zona Sul, ficaram prontos e os espaços do Binário Santo Amaro, também na zona Sul, só tiveram 30% concluídos.

A prefeitura promete concluir as vias neste ano ainda.

A SPObras diz que 60 quilômetros de corredores estão em andamento, o que corresponde a 40% da meta. Se forem somados estes 40% em obras com os 13% entregues, Haddad cumpriria 53% do total prometido. Quantos aos outros 47%, ainda há indefinições.

Alguns corredores estão sem previsão real, como o da Avenida Celso Garcia, na zona Leste de São Paulo, que deveria ter 26,5 quilômetros de extensão. Os 14 quilômetros do corredor Aricanduva, por enquanto, estão apenas no papel.

Há um conjunto de fatores que contribuem para isso:

– Situação econômica do País: Os problemas de gestão da equipe econômica do Governo Federal e os gastos públicos exagerados nos anos anteriores fizeram com que o país registrasse crescimento zero e que o Ministério da Fazenda propusesse cortes no Orçamento que devem ficar em torno de R$ 70 bilhões. Os recursos o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento estão sendo liberados muito lentamente para novas obras. O PAC para a mobilidade deveria somar R$ 6 bilhões.

– Endividamento e renegociação: A cidade de São Paulo possui um endividamento com a União de R$ 62 bilhões. No ano passado, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que troca dos indexadores dos débitos. Mas a lei não foi aplicada e nem regulamentada por causa da contenção de gastos que o Governo Federal está fazendo só agora. Com a troca do índice, a dívida cairia para R$ 34 bilhões. Haddad entrou na Justiça e conseguiu a aplicação da nova correção. Mas o dinheiro ainda não pode ser usado para obras e outros investimentos. Até o cumprimento da promessa da regulamentação da lei somente em fevereiro de 2016 ou até o esgotamento do processo, o dinheiro vai para uma conta judicial.

– TCM – Tribunal de Contas do Município: A licitação de 128 quilômetros de corredores, num total de R$ 4,2 bilhões, foi barrada em janeiro de 2014 pelo órgão que argumentou que a cidade de São Paulo não apresentava fontes de recursos para as obras. Em dezembro de 2014 a prefeitura então cancelou os editais. A postura do TCM é atribuída ao vice-presidente Edson Simões, considerado opositor de Haddad e que analisa os contratos da área de transportes. Como tática, a prefeitura mudou a licitação de três corredores para a Siurb – Secretaria de Infraestrutura Urbana. Quem analisa estes contratos é o conselheiro João Antônio da Silva Filho, aliado político de Haddad. Veja a matéria completa neste link: https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/05/21/confira-os-tres-corredores-de-onibus-que-serao-licitados-em-junho-pela-siurb/

– Desapropriações: O grande número de desapropriações, que não são financiadas pelo PAC, também é considerado pela própria prefeitura fator que impede o avanço das obras. A SPObras realiza estudos para diminuir as cinco mil desapropriações previstas inicialmente.

ACOMPANHE A SITUAÇÃO DAS OBRAS DOS CORREDORES:

Em abril deste ano, a reportagem da Rádio CBN e do Blog Ponto de Ônibus visitou as principais obras de corredores de ônibus de São Paulo e verificou o ritmo lento dos trabalhos. Confira a situação das obras dos corredores no link:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/04/10/especial-entrevistas-acompanhe-a-situacao-de-cada-corredor-de-onibus-em-sao-paulo/

No dia seguinte a veiculação da matéria, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, admitiu que as obras devem atrasar. Confira em:

https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/04/11/entrevista-tatto-admite-atraso-em-corredores-ate-2030-cidade-deve-ter-mais-500-km-de-corredores-de-onibus/

Texto: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Informações: Eduardo Athayde, repórter do Diário de São Paulo

3 comentários em Corredores de ônibus: Só 13% da meta alcançados e obras entregues estão incompletas

  1. Republicou isso em alugandoe comentado:
    Apesar da incorreção do diagnóstico da situação econômica do País, o artigo vale pela atualização do não cumprimento da meta de corredores de ônibus em SP: estamos em 13% dos 150km previstos até 2016, e não vamos chegar a cumprir a metade disso, se muito.

  2. Amigos, boa noite.

    Nesses corredores ai vai ter ralão para ninguém tomar banho de água suja quando o buzão para e passa nos dias de chuva ???

    Além de útil pode ser utilizada como água de reuso para irrigar e lavar os imundos corredores.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Entendo que os alcaides ainda nem aprenderam a priorizar, planejar, executar e fiscalizar o trajeto dos corredores e faixas de ônibus e querem fazer isto, o sr. Haddad prometeu 150 km de corredores e só entregou 37,5 km, 25% do previsto, e um dos motivos senão o principal alegado é a falta de verba, e em troca ampliou as ciclovias simplesmente ocupando faixas de pedestre ou de veículos, e por consequência a diminuição da velocidade dos veículos com a suposta alegação de segurança, além de aumentar para gravíssima a multa do infeliz que a ultrapasse com o aval do governo federal.

    E também parar de se comportar como uma biruta que ao resultado das pesquisas eleitorais e pressões politicas promovem mudanças que em tempos recentes se diziam imutáveis, como a volta dos taxis nas faixas de ônibus.

    Em São Paulo qual é a finalidade daquele Memorial da América Latina na Barra Funda que foi construído em um local estratégico para ser uma ampla estação Rodo Ferroviária, e de onde veio o dinheiro para erguer aquele esqueleto de concreto do Museu do Trabalhador que esta sendo erguido em pleno centro de São Bernardo do Campo por aquele partido que tem como lema “Pátria Educadora”, quanto dinheiro inútil desperdiçado para monumentos sem funcionalidade nenhuma, e que visam exclusivamente ao culto de personalidades, será que ira constar da placa inaugural a origem do dinheiro? E estranhamente planejados pelos mesmos preocupados em mudar o nome de ruas e do elevado Costa e Silva, e que citam o elevado como degradador do espaço urbano, e que as atuais colunas e vigas dos Monotrilhos são a solução urbana arquitetônica para as grandes cidades, portanto são opiniões mais políticas do que técnicas, e varias verdades conforme suas conveniências.

    Para não dizerem que não citei exemplos de obras utilitárias e funcionais; Estação de tratamento de Aguas do ABC, Sistema Cantareira, Terminal Rodoviário do Tiete, todos construídos a mais de trinta anos passados.

    Enquanto isto na região da Luz, a “cracolândia” segue a todo vapor, em mais um fracasso do governo municipal, e a estação metrô ferroviária da Luz se encontra ultra saturada, ocorrendo sérios perigos de segurança, a sua vizinha próxima Júlio Prestes esta as moscas, e se encaminha melancolicamente para sua desativação como estação ferroviária por falta de uso e transformada em sala de exposições, e nem a estação ferroviária do Bom Retiro prometida pelo governo estadual sequer foi iniciada.

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