População de Araucária volta a se revoltar contra fim da integração na RIT

RIT Curitiba

Manifestação de passageiros contra a desintegração do sistema de transportes em Curitiba e região metropolitana. Modelo de mobilidade é prejudicado por questões políticas e financeiras. Foto: Lineu Filho/Paraná On Line

Fim da integração na RIT gera mais um protesto da população
Possibilidade de mais uma greve de motoristas e cobradores de ônibus neste ano e até denúncias de manobras por parte de empresas mancham um dos modelos mundiais de mobilidade urbana
ADAMO BAZANI – CBN
A desintegração da RIT – Rede Integrada de Transporte ainda provoca revolta na população de municípios vizinhos de Curitiba.
Por causa de desentendimentos políticos entre o prefeito Gustavo Fruet, do PDT, e o governador Beto Richa, do PSDB, quanto ao financiamento das integrações entre ônibus municipais de Curitiba e metropolitanos de 13 cidades vizinhas, a gestão da tarifa que era unificada pela Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., da prefeitura da Capital, foi separada, sendo agora a administração dos recursos das linhas metropolitanas feita pela Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, do governo do estado.
Estas mudanças já foram sentidas pela população. Diversas linhas metropolitanas tiveram os trajetos encurtados, para conter custos, obrigando os passageiros a fazer mais transferências de um ônibus para o outro. Alguns destes passageiros declararam que, por causa das transferências serem cansativas e aumentarem o tempo de viagem, decidiram abandonar os ônibus e se deslocar de carro e moto. Ou seja, a situação nos transportes de Curitiba tem ido na contra mão do que se espera de política de mobilidade.
Outra mudança foi a separação da bilhetagem. A Comec e a Metrocard, companhia de bilhetagem que é propriedade das empresas de ônibus metropolitanas, lançaram um bilhete de papel para os ônibus que ligam as cidades vizinhas à capital. O cartão Urbs só será aceito até 06 de julho nos ônibus metropolitanos. A suspensão seria imediata se não fosse o Ministério Público intervir alegando que se os créditos comprados antes do aumento tarifário, em 06 de fevereiro, não fossem aceitos, o direito do consumidor seria gravemente ferido. Os passes de papel devem dar lugar a um bilhete eletrônico metropolitano elaborado pela Comec e Metrocard.
A pior das mudanças é o fim de fato da integração tarifária em algumas linhas, como é o caso da ligação entre Araucária e Curitiba.
A população que pagava R$ 3,30 para se deslocar entre os dois municípios paga agora R$ 5,80. A tarifa municipal de Araucária baixou para R$ 2,50, mas o passageiro que precisa ir para Curitiba tem de pagar outros R$ 3,30, totalizando R$ 5,80. Este deslocamento “ida e volta” que antes era de R$ 6,60 passou a ser em fevereiro de R$ 11,60 por dia. Considerando esta diferença de R$ 5,00 por dia, num perfil de 22 dias em que a pessoa se desloca de ônibus por mês, o custo mensal a mais é de R$ 110.
A população no início da noite desta quinta-feira, revoltada fez uma nova manifestação no Terminal Angélica, na Avenida das Araucárias. O terminal foi fechado para impedir invasão. Cerca de 300 pessoas, de acordo com a Polícia Militar, estavam indignadas com o fim da integração. A manifestação foi pacífica. No dia 19 de fevereiro, outro ato também fechou o terminal em Araucária.
NOVOS PROTESTOS:
Movimentos sociais e passageiros alertaram que se não for resolvida a questão em Araucária, novas manifestações devem acontecer.
Também está previsto ocorrer em outras cidades da região metropolitana o mesmo que aconteceu em Araucária: redução da tarifa local, mas fim da transferência gratuita para os ônibus metropolitanos. Isso deve certamente deixar tanto o prefeito Gustavo Fruet e o governador Beto Richa numa saia justa política. Por este motivo que as medidas que estavam na gaveta ainda não foram anunciadas.
MANOBRA AUMENTA PREJUÍZO ALEGADO PELAS EMPRESAS, DIZ AUDITORIA REVELA DA POR JORNAL:
As empresas de ônibus em Curitiba e as metropolitanas alegam que estão operando no prejuízo. Por causa disso, não pagaram o adiantamento de janeiro dos salários de motoristas e cobradores, o que resultou em greve da categoria, prejudicando 2,2 milhões de passageiros nas cidades compreendidas pela RIT por dia.
As companhias metropolitanas não recebem repasses referentes ainda às verbas que a Comec deveria depositar à Urbs até 31 de dezembro do ano passado.
A Comec admite os débitos e diz que vai acertar as dívidas com as empresas metropolitanas gradativamente até maio.
As municipais de Curitiba também alegam prejuízo.
Mas uma reportagem do jornal Gazeta do Povo, do Paraná, assinada pelo jornalista Raphael Marcchiori, coloca em dúvida os números apresentados pelas empresas municipais de Curitiba.
Com base nos balanços apresentados pelas próprias empresas, analisados por auditores das comissões de tarifa, foi detectada uma suposta manobra das companhias de ônibus para aumentar os prejuízos alegados e assim ganhar mais subsídios e aumentos de tarifas.
A manobra envolve as companhias de ônibus da família Gulin, que detém pelo menos 68% dos serviços municipais de Curitiba. Entre dezembro de 2010 e junho de 2013, mais de R$ 55 milhões foram movimentados por estas empresas e destinados a outras companhias da mesma família. Estas movimentações são consideradas empréstimos, aprisionamento de recursos e dívidas judiciais e acabam sendo registradas como prejuízo pelas empresas de ônibus. Ocorre que este dinheiro vai, segundo a auditoria revelada pela reportagem, para os caixas da própria família dona das empresas de ônibus. O pior, de acordo com os auditores, é que os empreendimentos que recebem esta grande quantidade de recursos aparentam ser de fachada. O capital social destes empreendimentos soma R$ 365 milhões, mas as sedes não passam de salas comerciais abandonadas, consultórios e até salinhas dentro das próprias garagens. O Setransp, que é o sindicato que reúne as empresas de ônibus em Curitiba e região metropolitana, alega que as conclusões dos auditores são “precipitadas e decorrem de interpretação errônea dos balanços das empresas”. O Setransp ainda alega que os transportes em Curitiba dão prejuízos às empresas de ônibus e que as famílias precisam ter outras atividades para manter equilíbrio financeiro e a prestação de serviços.
Confira a matéria completa em: http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/manobra-das-empresas-de-onibus-indica-sangria-do-lucro-do-sistema-682vs51oapnfopexxy8zjluyz
NEGOCIAÇÃO SALARIAL:
Outro agravante que permeia os transportes em Curitiba e região metropolitana e a questão trabalhista.
Há muito tempo empresas e trabalhadores estão em verdadeiro descompasso sobre diversos aspectos. As greves são constantes, como a que ocorreu em janeiro. Em fevereiro, os motoristas e cobradores não pararam porque empresas e poder público entraram em acordo financeiro para pagarem o adiantamento salarial de 40% previsto em convenção trabalhista.
E mais uma greve pode ser ocorrer na próxima semana. Motoristas e cobradores rejeitaram proposta das empresas de 7,13% de reajuste salarial e R$ 385 de vale-alimentação. Eles reivindicam 10,34% de aumento, R$ 500 de vale-alimentação e mais R$ 350 de abono salarial. Houve consenso apenas no abano salarial.
Outro ponto de divergência é o anuênio pago para a categoria. As companhias de ônibus querem limitar o pagamento a até oito anos de trabalho ou 16% da remuneração.
MODELO DE MOBILIDADE:
A RIT – Rede Integrada de Transporte foi considerada modelo de mobilidade urbana para o mundo. Diversos sistemas, como na América Latina, África do Sul, Europa e Estados Unidos se basearam no modelo operacional de Curitiba e região que conta com corredores de ônibus e estações de embarque e desembarque. Curitiba é considerada o berço do BRT – Bus Rapid Transit, sistema de corredores para trânsito rápido de ônibus.
O que está acabando agora, a integração tarifária e o uso de uma única forma de pagamento para percorrer 14 cidades era uma característica muito mais de destaque da RIT do que até mesmo os corredores e estações. Representavam baixo custo de deslocamento para a população e praticidade, afinal, um cartão atendida a todas as necessidades.
Mas os desentendimentos políticos entre prefeitura de Curitiba e o governo do Estado e a questão financeira das empresas ameaçam todos estes ganhos. A culpa não é do sistema em si. Os BRTs provaram que estão entre as soluções economicamente e do ponto de vista operacional. Basta não haver injustiças, politicagens e pouca transparência de todas as partes envolvidas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

3 comentários em População de Araucária volta a se revoltar contra fim da integração na RIT

  1. É Adamo, tanto a Urbs quanto à Comec não explicam porque os ônibus municipais de Curitiba fazem algumas linhas intermunicipais do linha Direta (Tamandaré-Cabral/Barreirinha-São José/ Pinhais/Campo Comprido) Também é valido para as empresas que operam as linhas intermunicipais que fazem refoço nas municipais curitiba (Viação do Sul fazendo linha na região do Santa Candida)e o TCM que não apontou irregularidades na licitação.
    É uma pena que a Rit esteja desintegrada, pois quem perde é o próprio governo – Quem tem uma renda maior vai preferir andar de carro ou moto, claro.

  2. Amigos, bom. dia.

    So no Brasil acontece uma aberracso assim.

    Desenvolvemos um sistema de buzao, o qual e considerado modelo e nos mesmos destruimks o que desenvolvemos?

    Esse e um fenomeno a ser estudado por pesquisadores do mundo todo.

    Brasillllllllll

    Att,

    Paulo. Gil

  3. Boa noite ADAMO
    Faz tempo que venho dizendo que o sistema curitibano já não atende mais a população local. Além do que se constata verifiquei em minhas pesquisas recentes que os semáforos não estão sincronizados com os ônibus, pois estes entram numa avenida, para num ponto ou estação de embarque, sai e na sequência para num semáforo. Este e outros semáforos deveriam estar completamente sincronizados com o vai-e-vem dos ônibus. Além disso, outra constatação é o sistema de pinturas das frotas. Volto a insistir que cada empresa de ônibus de Curitiba e Região deveria ter sua própria identidade visual, a fim de facilitar a identificação imediata por parte dos passageiros, os maiores prejudicados com essa medida que há tantos anos os sacrifica. Essa história de ter ônibus branco para hospitais, ônibus vermelho troncal, ônibus desta ou de outra cor para outros locais só atrapalha. Inclusive o empresário, posto que sua garagem fica um festival de cores quando os carros são recolhidos, sem sequer a possibilidade de eventuais remanejamento dos carros, sob pena de algum desavisado pegar o ônibus errado.
    Saudações,
    MARIO CUSTÓDIO

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