ENTREVISTA: Empresas que se planejaram não tiveram dificuldade de cumprir lei de acessibilidade na íntegra

ônibus

Ônibus da CS Brasil, do Grupo JSL. Operando em quatro cidades do estado de São Paulo, todos os veículos possuem acessibilidade desde 2008, cumprindo exigência de frota preparada para atender pessoas com deficiências. Foto: Divulgação – Matéria: Adamo Bazani

ENTREVISTA: Empresas que se programaram conseguiram cumprir integralmente lei da acessibilidade
CS Brasil,que opera em quatro cidades do Estado de São Paulo, tem 100% da frota com condições para atender pessoas com dificuldades de locomoção desde 2008
ADAMO BAZANI – CBN
Na última quarta-feira, 03 de dezembro de 2014, foi celebrado o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.
A data neste ano, porém, foi marcada por uma um debate importante sobre a acessibilidade nos transportes públicos.
É que terminou o prazo de dez anos estipulado por decreto de 2004 para que todos os ônibus urbanos, metropolitanos, suburbanos e rodoviários oferecessem aos cidadãos equipamentos como elevadores para cadeira de rodas, rampas de acesso (no caso de veículos com piso baixo) ou cadeiras de transbordo (para os modelos rodoviários e de fretamento).
Mas a realidade nas cidades não é como previa a lei. Uma parte significativa da frota no País ainda não possui nenhum equipamento que facilite o acesso ao interior do ônibus por parte de quem possui algum tipo de deficiência. Pessoas com restrição de locomoção sentem na pele como é difícil andar de transporte público.
O diretor administrativo e institucional da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Marcos Bicalho, afirmou em entrevista ao Blog Ponto de Ônibus que as viações não deixaram de cumprir a lei, que permite que o restante da frota ainda sem acessibilidade seja trocada de acordo com os contratos de concessão. Confira em: https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2014/12/03/entrevista-empresas-seguem-lei-de-acessibilidade-diz-ntu/
No entanto, a lei é de 2004. Os grupos empresariais de transportes de passageiros que se programaram conseguiram cumprir integralmente a lei que garante um melhor acesso aos ônibus.
É o caso da CS Brasil, empresa do Grupo JSL. Operando nas cidades de Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Guararema e São José dos Campos, a CS Brasil possui 357 veículos para transportes municipais. De acordo com o gerente geral de ônibus CS Brasil, Rodrigo Silva, desde 2008, todos os veículos destas linhas são acessíveis. A CS Brasil transporta 275 mil pessoas por dia
Ele diz que cumprir a lei de acessibilidade no prazo previsto não foi difícil porque houve planejamento. Rodrigo Silva também afirmou que os custos de operação e manutenção dos equipamentos de acessibilidade são irrisórios perto do benefício que trazem à população.
Confira a entrevista na íntegra:
ADAMO BAZANI: A CS Brasil tem 100% de frota acessível desde 2008, quando todos os ônibus começaram a sair de fábrica obrigatoriamente dotados de elevadores ou rampas no caso dos modelos de piso baixo. Mas se a frota é acessível desde 2008, antes mesmo deste ano a CS já adquiriu veículos nesta configuração? O grupo decidiu comprar ônibus acessíveis antes da obrigatoriedade de serem fabricados nesta configuração? Se sim, a que se deveu esta decisão?
RODRIGO SILVA: A CS Brasil iniciou a política de adaptação de sua frota antes da obrigatoriedade. Iniciamos o processo gradual por Mogi das Cruzes, cidade-sede da empresa. Em 2008, começamos a operar em São José dos Campos, onde a frota foi integralmente adaptada desde o início das operações no município. A partir daí seguimos um cronograma de adaptação, à medida que renovamos as frotas das outras cidades que operamos: Guararema, Sorocaba e Itaquaquecetuba. O processo de renovação planejado, realizado pela empresa, também contribui para manter a baixa idade média da frota, de 1,5 anos e consequentemente, a menor emissão de gases poluentes e a continuidade do padrão de prestação de serviços da companhia.

ADAMO BAZANI: O que o senhor acha da lei que obriga que todos os ônibus tenham equipamentos de acessibilidade? Na prática, é difícil para o empresário seguir a determinação legal?
RODRIGO SILVA: A lei é positiva. Nós, como prestadores de serviços, temos de estar atentos às necessidades dos usuários. De maneira geral, as empresas que fizeram o planejamento de investimentos e renovação e se programaram para atender à nova lei, conseguiram cumprir os prazos.

ADAMO BAZANI: Qual a maior dificuldade para ter e manter um ônibus acessível?
RODRIGO SILVA: Os cuidados com a manutenção são ampliados. Além da parte mecânica, de motores, é preciso também fazer a manutenção dos elevadores.

ADAMO BAZANI: Como se dá o trabalho de qualificação dos colaboradores da CS Brasil não apenas na capacitação técnica de manuseio dos elevadores, mas também na humanização do atendimento ao portador de deficiência física? Há treinamentos? Qual a periodicidade? Como são feitos?
RODRIGO SILVA: A CS Brasil ressalta que todos os colaboradores da empresa recebem treinamentos frequentes que incluem aulas de código de trânsito brasileiro, direção defensiva e atendimento ao cliente. A reciclagem e atualização dos treinamentos são periódicas.

ADAMO BAZANI: Um equipamento de acessibilidade aumenta em quanto os custos de operação e manutenção dos ônibus?
RODRIGO SILVA: O custo é irrisório, perto do valor dos veículos. Claro que o cuidado com a manutenção e o uso correto dos equipamentos é maior, mas sem um ônus financeiro.

ADAMO BAZANI: Na sua opinião, além de ônibus acessíveis, o que falta para que o transporte coletivo atenda adequadamente quem porta dificuldade de locomoção?
RODRIGO SILVA: O Brasil já evoluiu muito em políticas de acessibilidade nos últimos anos, mas ainda existem pontos a melhorar. No caso do transporte coletivo, pode-se repensar o números de assentos e os espaços reservados para os deficientes, além da implementação de rampas de acesso nos pontos. Quando se tem plataformas, em sistemas de BRTs é possível oferecer uma estrutura mais completa para ajudar as pessoas com mobilidade reduzida.

ADAMO BAZANI: Na maior parte das vezes, é o poder público, após pressões de correntes sociais, que exigem melhorias na prestação de serviços por parte dos operadores de ônibus. Faltam iniciativas e ideias que partam do próprio empresariado?
RODRIGO SILVA: De maneira geral, sim. Mas a CS Brasil tem o DNA da JSL de prestação de serviços e tem como princípio pensar à frente e antecipar as necessidades para oferecer as melhores soluções aos clientes.

Rodrigo Silva Júlio Simões CS Brasil

O gerente geral de ônibus da CS Brasil, Rodrigo Silva, é enfático ao dizer que as empresas que se programaram conseguiram cumprir todos os prazos da lei de acessibilidade. Foto: Divulgação – Matéria: Adamo Bazani

ADAMO BAZANI: Quando se fala em acessibilidade nos ônibus, logo se pensa em veículos de piso baixo ou com elevadores. Mas há passageiros, como portadores de limitações visuais e auditivas, que se beneficiam pouco destes equipamentos. Como oferecer mais acessibilidade para quem possui deficiência que não seja necessariamente de locomoção?
RODRIGO SILVA: Nossos ônibus são equipados também com piso podo tátil, para deficientes visuais e auditivos, assim como balaústres e campainhas para o sinal de paradas com linguagem braile.

ADAMO BAZANI: A CS Brasil tem investido em tecnologias interativas que possam ajudar no melhor acesso ao transporte, como aplicativos para celulares que informam a chegada dos ônibus, por exemplo?
RODRIGO SILVA: Hoje dispomos de painéis eletrônicos, principalmente em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, que são atualizados online via GPS, para prever a chegada dos ônibus. Estamos desenvolvendo outras tecnologias móveis, como aplicativos, para oferecer as informações aos usuários, mas ainda não estão operando.

ADAMO BAZANI: Qual a frota total da CSBrasil, municípios onde atua, número de linhas, funcionários, passageiros transportados e conte-nos um pouco da história da CS Brasil.
RODRIGO SILVA: A CS Brasil, empresa controlada pela JSL, é uma concessionária de serviços públicos. No transporte de passageiros, atualmente, a CS Brasil mantém uma frota total de 357 veículos para as operações de transporte municipal de passageiros nas quatro cidades paulistas. Cerca de 2,6 milhões de quilômetros são rodados por mês e 275 mil pessoas são transportadas por dia útil. Ao todo, a companhia opera 98 linhas, sendo 34 em Mogi das Cruzes, 23 em Itaquaquecetuba, 14 em Guararema e 27 em São José dos Campos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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