Auditoria em São Paulo: Cidade paga por viagens não realizadas e SPTrans falha

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Ônibus em São Paulo. Auditoria aponta graves falhas tanto das prestadoras de serviço como da gerenciadora SPTrans. Foto: Adamo Bazani

Ernest & Young diz que SPTrans paga às empresas de ônibus 10,5% das partidas previstas e que não são realizadas
Isso representa um gasto de R$ 369,3 milhões aos cofres públicos. Auditoria apontou irregularidades na fiscalização da SPTrans
ADAMO BAZANI
Com informações O Estado de São Paulo
Mais um relatório da empresa de auditoria Ernest & Young, que recebeu R$ 3,9 milhões para analisar as contas e a prestação dos serviços de transportes na Capital Paulista, mostra uma série de irregularidades e falhas tanto por parte das empresas de ônibus como da gerenciadora SPTrans – São Paulo Transporte, segundo noticiou o jornal O Estado de São Paulo.
De acordo com o relatório, o poder público paga às empresas R$ 369,3 milhões por ano referentes à partidas não realizadas. Isso significa 10,5% do total diário previsto.
Como há falhas na fiscalização e as multas são relativamente baixas em muitos casos, indica o relatório, esse descumprimento, sugerem os técnicos, é pensado pelas próprias empresas e cooperativas de ônibus para diminuir os custos de operação.
Esse não cumprimento de partidas, ainda segundo o relatório, reduz o custo mensal fixo das empresas e cooperativas em R$ 30 milhões 770 mil 467.
Para obter estes dados, a Ernet & Young analisou uma semana do ano passado de operação na qual não houve chuva, manifestações, feriados ou outros problemas que poderiam justificar não cumprimento de viagens.
Para evitar novos problemas deste tipo, que podem ser maiores em casos de dias com ocorrências que prejudiquem a operação, mas não a tal ponto de justificar tantas reduções de viagens e que podem ser usadas de pretexto pelas operadoras, a Ernest & Young sugere que haja um monitoramento eletrônico dos ônibus mais eficiente.
ITENS DO CONTRATO NÃO SÃO CUMPRIDOS:
De 37 itens que deveriam estar no interior dos ônibus e são previstos no contrato entre as empresas e prefeitura, pelo menos 20,9% não são cumpridos. Quase nenhum ônibus possui câmeras de monitoramento e metade da frota não estava com os triângulos de segurança, usados em caso de parada do veículo na rua por defeito, num local de fácil acesso para os motoristas.
Nas garagens das empresas e cooperativas, ao menos 8% do prevista em contrato não foram cumpridos. A cidade ainda possui 108 ônibus com mais de dez anos de uso, na verificação feita pela Ernest & Young, o que não é permitido pelo contrato entre a prefeitura e empresas ou cooperativas.
FISCALIZAÇÃO É FALHA:
A SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema, também não ficou de fora das observações da Ernest & Young.
Há falhas da gerenciadora, principalmente na fiscalização e cobrança das multas.
Para se ter uma ideia, a auditoria pegou uma amostra de 25 multas. Estas infrações levaram seis meses para ser pagas. Além disso, o parcelamento destas multas, que é autorizado pelo departamento financeira da SPTrans, deixa as penalidades leves.
Ou seja, vale a pena, em determinados casos, cometer a infração. O lucro por não seguir a determinação em contrato frente às multas brandas e com facilidade de pagamento dá margem para ser vantajoso prestar um mau serviço, sugere a Ernest & Young.
A forma de aplicação das multas apresenta falhas também. As anotações são manuais e imprecisas. As infrações demoram para ser digitalizadas e 10% por cento em média destas multas são cancelados por imprecisões nos dados, erros de preenchimento ou rasuras.
Mas a SPTrans falha não somente na aplicação de penalidades, aponta este novo relatório.
O sistema de controle e monitoramento da bilhetagem eletrônica dá margem para erros, tanto na documentação, estrutura da rede de vendas de créditos e controle de passageiros. Há riscos de perdas de dados de arrecadação.
Até o IQT – Índice de Qualidade do Transporte criado pela SPTrans em 2009 tem defeitos, segundo os auditores. São avaliados dez quesitos entre cumprimento de horários, qualidade da frota, acidentes e reclamações dos passageiros. Os técnicos criticam a falta de punição adequada e de uma espécie de premiação com base no IQT.
O relatório conclusivo da Ernest & Young deve ser entregue em 10 de dezembro. Com base neste relatório, a prefeitura vai elaborar o edital de licitação que deve ser concluída até a metade do ano que vem e definir o valor da nova tarifa para 2015.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Com informações O Estado de São Paulo

3 comentários em Auditoria em São Paulo: Cidade paga por viagens não realizadas e SPTrans falha

  1. Mas essa auditória está saindo melhor que a encomenda !!

  2. Amigos, boa noite.

    Esse relatorio ta com muito bla, bla, bla.

    O que interessa sao 2 dados.

    1) Saber o valor do custo real do buzao em cada area, seja Reais/ passageiros ou / kilometros, / ou qualquer unidade de uso internacional, falhas nao e uma unidade internacional.

    2) Qual e o prejuizo do erario, seja em Reais, dolares/ dia/ mes/ ano.

    Depois e so fazer o balancete com as contas “reais” da PMSP/ SMT e da fiscslizadora.

    Havendo irregularidades, basta aplicar as leis pertinentes.

    Nao esquecsm de computar a multa por atrado na entrega do relatorio.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Duarte Rosa Filho // 8 de dezembro de 2014 às 17:40 // Responder

    Mais uma vez, um verdadeiro assalto ao bolso da população: em Vitória, ES, começou o lock out.

    Discutir planilhas de custos é discutir sobre o sexo dos anjos. O verdadeiro problema é a fonte dos dados de passageiros realmente transportados e viagens efetivamente realizadas pelos ônibus nas linhas que operam. É preciso que as agências supostamente reguladoras façam pesquisas de campo para obter estes dados, o que não é feito na maioria das vezes. Estes são os os divisores dos custos e base de cálculo do IPK e do PMA, abreviaturas que servem para opacificar cálculos de passageiros transportados e quilometragem percorrida. Não se deixem enganar, pois são milhares de componentes de custos (por exemplo, peças e acessórios e custos de manutenção) que levarão a discussões intermináveis e não tem a mesma respercussão no valor da tarifa que o IPK e o PMM.
    O problema não são as planilhas de custo, são os divisores: IPK e PMM (ou PMA, caso o custo fixo seja calculado por ano).
    Tem-se então 2 divisores dos custos que são informados pelas empresas e nunca são verificados pelas agências (supostamente) reguladoras: o número de passageiros efetivamente transportados (para o cálculo do IPK), o número real de viagens realizadas e a quilometragem efetivamente peercorrida (para o cálculo do PMM ou PMA).

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