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Vendas de ônibus acumulam queda de 12,5%

Vendas de ônibus tiveram pequena reação em julho, mas não o suficiente para reverter os números negativos acumulados neste ano. Cenário não é favorável nem no setor e tão pouco em relação à macroeconomia. Foto: Adamo Bazani.

Vendas de ônibus esboçam reação, mas acumulam queda de 12,5% no ano
Até julho foram emplacados 17 mil 455 ônibus ante 19 mil 949 em semelhante período de 2013
ADAMO BAZANI – CBN
Legado da Copa do Mundo. Com certeza para o mercado de ônibus ele não foi sentido, o que também é um termômetro em relação às obras de mobilidade anunciadas pelo Governo Federal quando comemorou a escolha do Brasil como sede do mundial de futebol.
Com a aproximação do evento, fabricantes e revendedores esperavam que as obras ganhassem ritmo e consequentemente refletissem na procura por ônibus novos.
Mas isso não aconteceu.
Balanço divulgado nesta sexta-feira, dia 01º de agosto de 2014, pela Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores mostra que o mercado de ônibus está com resultado abaixo das perspectivas menos otimistas.
No acumulado do ano, entre janeiro e julho, foram emplacados 17 mil 455 ônibus ante 19 mil 949 unidades vendidas em período semelhante de 2013. A queda é de 12,5%
De junho para julho, houve uma reação, com alta de 10,86%. Em junho foram emplacados 2 mil 237 ônibus e em julho foram 2 mil 480.
A alta ainda não foi suficiente para reverter o cenário negativo no comércio de ônibus. Tanto é que na comparação entre julho deste ano (2 mil 480 ônibus) e julho de 2013 (3 mil 144 ônibus) a queda foi de 21,12%.
Atribuir estes números negativos ao legado insuficiente da Copa é analisar a questão de forma parcial.
Há fatores ligados ao mercado de ônibus e outros da macroeconomia que explicam o cenário.
Em relação ao setor, há o peso das indefinições até então sobre a licitação das linhas rodoviárias interestaduais da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, que deixaram os empresários em compasso de espera quanto às renovações em maior número.
No mês passado, por uma Medida Provisória, após aprovação na Câmara e no Senado, o Governo Federal desistiu de medir forças com as empresas que eram contra a licitação e nãol vai mais fazer a concorrência pública. Agora, as linhas serão concedidas separadamente por meio de autorizações. O edital da ANTT previa dividir e licitar o sistema em 54 lotes de 16 grupos.
O efeito das manifestações de junho do ano passado ainda conta também. Por causa dos protestos, boa parte das tarifas em todo o País ficou congelada.
Nem todos os sistemas contaram com subsídios para cobrir os aumentos dos custos e mesmos os empresários que tiveram as complementações de receita afirmaram que o dinheiro não era suficiente para bancar as renovações. Alguns também aproveitaram a “oportunidade” e preferiram não investir, mesmo com as verbas.
Além disso, algumas licitações importantes foram paralisadas após as manifestações que exigiam tarifas menores, mais qualidade nos transportes e transparência nas planilhas de custos dos sistemas.
O exemplo mais contundente é da Capital Paulista que tem uma frota de aproximadamente 15 mil veículos de transporte coletivo municipal. A licitação ocorreria em 2013, mas após os protestos, foi suspensa, e só deve ser relançada neste ano ao término da auditoria externa feita por R$ 4 milhões pela consultoria Ernest & Young sobre as contas do sistema.
Já em relação à macroeconomia deve-se destacar o baixo crescimento do PIB – Produto nterno Bruto previsto para este ano que reflete o desaquecimento de diversos setores que impactam diretamente na produção e vendas de ônibus.
Para reverter o quadro, o Governo Federal toma atitudes pontuais de estímulos, como um reforço nos recursos disponíveis no PSI – Programa de Sustentação do Investimento – Ver matéria neste link: http://diariodotransporte.com.br/2014/07/31/psi-com-mais-recursos-para-onibus-e-caminhoes/
MARCAS:
O ranking de participação das marcas de ônibus não sofreu alteração de posições. Somente a Mercedes-Benz, de acordo com a Fenabrave, responde por quase metade dos emplacamentos acumulados entre janeiro e julho deste ano.
1º MERCEDES-BENZ – 8.147 ônibus – 46,67% de participação no mercado.
2º VOLKSWAGEN/MAN – 4.201 ônibus – 24,07% de participação no mercado.
3º MARCOPOLO – Volare – 2.828 ônibus – 16,20% de participação no mercado.
4º VOLVO – 943 ônibus – 5,40% de participação no mercado.
5º SCANIA – 532 ônibus – 3,05% de participação no mercado.
6º IVECO – 395 ônibus – 2,26% de participação no mercado.
7º AGRALE – 375 – ônibus – 2,15% de participação no mercado.
SETOR AUTOMOTIVO:
Considerando todos os segmentos do setor automotivo, incluindo carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus, é o pior mês de julho desde 2009 para as vendas de veículos.
A queda foi de 13,88% comparando julho de 2014 e julho de 2013. Na comparação do acumulado entre janeiro e julho deste ano com período semelhante de 2013, a baixa nas vendas foi de 8,57%
Nos sete primeiros meses de 2013, foram emplacados 2 milhões 141 mil 245 veículos. Já entre janeiro e julho deste ano, a comercialização de veículos somou 1 milhão 957 mil e 659 unidades.
Ainda em relação a veículos pesados, os emplacamentos de caminhões registraram queda de 13,18% no acumulado do ano. Foram 77 mil 786 unidades entre janeiro e julho deste ano ante 89 mil 599 do período de 2013.
Os veículos leves (carros e comerciais leves) tiveram ligeira queda de 8,33 % nas vendas acumuladas nos sete primeiros meses deste ano comparativamente com o intervalo de 2013.
Foram 2 milhões 031 mil 697 veículos leves entre janeiro e julho de 2013 ante 1 milhão 862 mil 418 unidades neste ano.
O mercado de motos teve queda acumulada no período de 4,96 por cento. Foram 838 mil 742 motocicletas entre janeiro e julho de 2014 diante de 882 mil 475 motocicletas.
O mercado de implementos rodoviários teve queda acumulada de 12,97%, com 33 mil 374 unidades vendidas no período de 2014 ante 38 mil 347 do intervalo de 2013.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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