Ônibus perderam 560 mil passageiros por dia em 2013

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Ônibus em São Paulo. Demanda de passageiros cai em todo o País. Por dia ônibus perderam 560 mil passageiros. Falta de prioridade ao transporte coletivo é uma das principais causas, diz presidente da NTU. Foto: Adamo Bazani

Ônibus perdem 560 mil passageiros por dia em todo o País, diz NTU
Queda de velocidade no transporte coletivo e falta de prioridade aos ônibus no espaço urbano explicam os números
ADAMO BAZANI – CBN
Mesmo com tarifas em média 4,9% mais baixas em todo o País, com as reduções e congelamentos após as manifestações em junho do ano passado, os ônibus em nove capitais brasileiras perderam 175 milhões de passageiros em todo o ano de 2013, somando as médias mensais.
É o que mostra levantamento divulgado nesta sexta-feira, 1º de agosto, pela NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos.
Segundo a entidade, os números das nove capitais mostram uma perda de 153 mil passageiros por dia. Projetando estes números para todo o País, a quantidade de pessoas que os ônibus deixaram de atender no Brasil em 2013 foi de 560 mil passageiros por dia.
De acordo com o presidente da NTU, Otávio Cunha, a maior explicação para a perda do número de passageiros é a queda no desempenho do transporte público.
Sem espaços preferenciais, como corredores e faixas, a velocidade dos ônibus cai e as pessoas acabam optando por outros meios de deslocamento, em especial os transportes individuais.
A constatação faz parte do Anuário da NTU 2013/2014 apresentado à imprensa nesta sexta-feira.
Em 2012, por mês, os ônibus transportaram nas nove capitais 334 milhões e 400 mil passageiros. Em 2013, esta média mensal caiu para 329 milhões e 800 mil. A perda foi de 4,6 milhões de passageiros nas seguintes cidades: Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Otávio Cunha disse que em dez anos a velocidade média dos ônibus caiu de 25 quilômetros por hora nestas capitais para 10 quilômetros por hora.
Ele também apontou a queda de produtividade desde 1994, com custos maiores de operação, o que também afasta os passageiros.
“Todos esses fatores somados à queda do número de passageiros e ao aumento do óleo diesel colaboram para o cenário preocupante que o transporte público vive no país. É preciso que haja maior comprometimento do poder público com o setor”, alerta Cunha em nota oficial divulgada pela NTU à imprensa.
A entidade também comenta os aumentos constantes do óleo diesel como fator de prejuízo às operadoras, o que compromete o nível de investimento em melhorias.
“Em 2013 também houve um aumento real de 2,75% no preço médio do óleo diesel, que é um dos principais insumos e representa uma parcela considerável dos custos operacionais das empresas. No entanto, após a coleta de dados da série histórica da NTU, realizada em outubro, houve dois aumentos consecutivos no preço do óleo diesel. Portanto, no período de dezembro/2012 até dezembro/2013, foi verificado um reajuste de quase 17% no preço do litro desse combustível.”
A NTU diz que a demanda vem caindo quase que sucessivamente, somando 30% de perdas nos últimos 18 anos.
“Os indicadores da NTU ainda apontam para a consolidação da tendência de queda histórica da demanda, que alcançou a marca de 30% nos últimos 18 anos; e a redução real de 4,9% no valor da tarifa média ponderada em relação ao ano de 2012”.
A média das tarifas nas nove capitais caiu de R$ 2,85 em 2012 para R$ 2,71 em 2013 devido a isenções fiscais após as manifestações de junho de 2013.
Em valores corrigidos, há cerca de 20 anos o custo da tarifa para o passageiro era de R$ 2.
Segundo Otávio Cunha, o fato de o número de passageiros cair faz com que as tarifas aumentem. Isso porque, um número menor de pessoas está bancando os custos dos mesmos serviços ou até de uma quantidade maior de ônibus.
Hoje, por causa do trânsito e da falta de prioridade ao transporte público, são necessários mais ônibus para transportar menos pessoas.
A NTU apresentou oito propostas para reverter a situação de perda de passageiros, queda de velocidade operacional e aumento de custos. A principal delas é a criação de espaços realmente qualificados para os ônibus como os corredores BRT – Bus Rapid Transit.
ÔNIBUS QUEIMADOS:
O vandalismo e o crime organizado também contribuem para aumentar os custos das empresas e reduzir o interesse do passageiro pelo transporte público.
De acordo com a NTU, nos últimos 10 anos foram incendiados 965 ônibus, o que causou prejuízos de R$ 388 milhões. O problema só se agrava. Destes 965 ônibus queimados em 10 anos, 429 foram somente em 2013.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

7 comentários em Ônibus perderam 560 mil passageiros por dia em 2013

  1. Adamo, com todo respeito, ninguem deixou de pegar ônibus, por terem queimados esta quantidade em 10 anos, que da em torno de 100 por ano, e sim pela total falta de conforto e praticidade, e garanto que a impressão que tive no começo com o fim da novo horizonte, onde pensei que teriamos uma nova realidade, foi puro engano a empresa que substituiu continuou com o pessimo serviço, o que afasta qualquer pessoa com o minimo de bom senso de abandonar seu carros e pegar estes verdadeiros caminhoes carregadores de bicho, que é como somos tratados, propaganda so vai até a realidade e a nossa realidade e assustadora

  2. Interessante Curitiba ter perdido passageiros, pois é, sem duvida, o melhor sistema de onibus do País, com BRTs , Ligeirinhos e Atenção do Poder Público.
    Isto posto, passo a pensar em provável desemprego, ou excessiva facilidade de aquisição de motos e autos.
    abraços

    • Jair, boa noite.

      Entendo que Curitiba foi boa na gestão do Sr. Jaime Lerner o criador da obra; depois, pelo que se lê aqui, os problemas são os de sempre.

      Portanto deve ter estagnado no tempo e no espaço, portanto não há outro resultado a ser obtido.

      Apesar de ser um apaixonado pelo Buzão, eu sempre digo aqui no Blog que o mesmo é algo ultrapassado e com um custo de utilização, extremamente caro.

      Vamos considerar o último modelo

      – Bancos com 42 cm de largura útil;

      – Corredor com + ou – 54 cm de largura útil;

      – Encosto de cabeção duro que nem pau;

      – Ainda usam catracas…

      Vou parar para não ser repetitivo e cansativo, pois o resto da ladainha todo mundo já sabe.

      Quem trabalha perto de casa, é obvio que a relação custo benefício é muiiiiiiiiiiiiiiiiito maior em relação a pagar R$ 6,00 / dia; portanto é óbvio que economicamente é melhor comprar um carro.

      Buzão como é a carroceria e como é operado em Sampa, JÁ ERA.

      É a mesma coisa que dizer que a chuva molha.

      Não podia esquecer as linhas em ZIG ZAG ?

      Buzão ou carro ?

      Nem é necessário responder, afinal todos já sabem a resposta.

      Att,

      Paulo Gil

  3. Amigos, bom dia.

    Qualquer que seja o custo operacional, bem como o seu aumento, ele nao e problema e se aumentou a compensacao e feita de uma maneira ou de outra.

    Buzao, nunca deu e nunca dara prejuizo.

    Se desse, nao teria articulado rodando as 21:45 hs em epoca de ferias escolares e universitarias, como eu vi ontem ( outra vez ).

    Pena que eu nao conseguir ver direito, mas parecia que era o articuladinho trucadinho, mas uma coisa eu tenho certeza era novinho, pois era da cor prata.

    Buzao em Sampa pode ter aquele monte de problemas q todos ja sabem; mas dar prejuizo NUNCA.

    Refaco uma uma pergunta, que ate o presente momento ningurm respondeu.

    Independentemente da linha, regiao, faixa correfor; qual e o tempo medio de espera do buzao pelos passageiro.

    Nao precisa ser a linha exata, explico.

    Outro dia eu esperava um buzao da fiscalizadora, pois eu tenho BU; porem fui de EMTOSA, pois foi o primeiro que passou.

    Se alguem tiver esse dado, por favor post aqui no blog.

    Otimo final de semana a todos.

    Att,

    Paulo Gil

  4. Uma frase do texto explica a queda de usuários de ônibus: “a velocidade média dos ônibus caiu de 25 quilômetros por hora nestas capitais para 10 quilômetros por hora”

    Este número implica necessariamente em:
    – Maior incerteza nos tempos de deslocamento
    – Degradação dos intervalos

    Aborrece repetir que:
    – Sem profunda reorganização das linhas nos corredores, a eficácia dos corredores e faixas exclusivas para ônibus fica seriamente comprometida.
    – Ainda está pra nascer um BRT de verdade na RMSP.

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