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Cooperativas e PCC teriam participado de incêndios a ônibus para “eliminar concorrência”, diz MP

Ônibus incendiado. Ministério Público acredita que facções criminosas com cooperativas ordenaram ataques para “eliminar concorrência”. Foto: Agestado

Relatório da PM mostra que ônibus foram queimados perto de pontos de venda de drogas
Documento faz parte de inquérito que apura suposto envolvimento do deputado Luiz Moura, do PT, com o PCC e cooperativas de transportes
ADAMO BAZANI – CBN
A maior parte dos ataques a ônibus na Capital Paulista ocorreu nas proximidades de pontos de vendas de droga neste ano, aponta relatório elaborado pelo Centro de Inteligência da Polícia Militar e enviado ao Ministério Público de São Paulo.
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, dia 25 de julho de 2014, em reportagem de Daniela Lima e Márcio Falcão, do jornal Folha de São Paulo.
O relatório faz parte do inquérito que investiga supostas ligações entre o deputado Luiz Moura, do PT-SP, o PCC – Primeiro Comando da Capital e cooperativas de transportes da cidade de São Paulo.
Luiz Moura, segundo a Polícia, estava reunido com integrantes da facção criminosa na em uma das garagens da cooperativa Transcooper em março deste ano.
O Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público, investiga há quatro anos possíveis relações entre o PCC e as cooperativas.
Uma das suspeitas é de que a facção “lave” dinheiro do tráfico de drogas e proveniente de outros crimes na operação dos ônibus e micro-ônibus das cooperativas.
Por estas apurações é que o Ministério Público chegou ao nome de Luiz Moura, que teria sido associado a uma cooperativa.
A PM cruzou os dados entre as ocorrências envolvendo o tráfico de drogas e os locais de ataques a ônibus.
Entre 1º de janeiro deste ano e 19 de fevereiro, em todo o Estado de São Paulo, 47 ônibus foram incendiados.
Na Capital Paulista, foram 29 veículos de transporte coletivos. A maior parte dos casos foi na Zola Leste, com 13 ônibus, e na zona Sul, com 11 veículos de transporte coletivo, próximo a locais onde há tráfico de drogas.
Ainda segundo o levantamento, 90% destes veículos são de empresas. As cooperativas quase não sofreram ataques.
O promotor Everton Luiz Zanella, não descarta que o crime organizado através de cooperativas quer eliminar a concorrência das empresas de ônibus.
“Considerando a existência de investigação criminal para apurar possível relação de facções criminosas com cooperativas de transportes (…), verifico a possibilidade de participação de tais facções nos incêndios a ônibus com o principal objetivo de eliminar a concorrência na lucrativa área de transporte de passageiros” – relatou na investigação enviada ao Gaeco.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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