Implantação do Bilhete Único Metropolitano esbarra em questões políticas, diz Tatto

Bilhete Único

Várias novidades tecnológicas têm sido implantadas no sistema de transportes de São Paulo. Mas quem usa os sistemas da capital e da região metropolitana ainda não tem praticidade e precisa usar vários bilhetes. Não há uma comunicação entre os ônibus da EMTU e os serviços da CPTM, Metrô e os ônibus da SPTrans. Debate deve marcar campanha eleitoral. Foto: Adamo Bazani.

Implantação de Bilhete Único Metropolitano esbarra em questões políticas, diz Tatto
Para secretário dos transportes de São Paulo, se houvesse acordo, em um mês integração poderia ser realidade
ADAMO BAZANI – CBN
No dia 02 de junho, a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo anunciou um pacote de tecnologias para o sistema de ônibus da Capital Paulista.
Os ônibus devem ter contadores de passageiros, que vão informar de maneira mais precisa a quantidade de usuários por dispositivos instalados nas portas de entrada e saída, novo sistema de monitoramento por GPS, painéis internos indicando as próximas paradas como ocorre com algumas composições do metrô, internet grátis, e o código de barras QR Code nos pontos, que informa a previsão de chegada dos ônibus, deve ser colocado em mais paradas na cidade. O Bilhete Único pode ser já recarregado e ter o saldo consultado por celular, dependendo do modelo de aparelho de telefonia móvel, um relógio da Rede Ponto Certo poderá ser usado com um chip para pagar as tarifas e há estudos para o Bilhete Único ser utilizado para pagamento de corridas de táxi e até mesmo em cinemas.
No entanto, tantos avanços tecnológicos, alguns ainda na promessa e outros aos poucos entrando em vigor, não têm trazido um benefício para quem mora da Grande São Paulo e usa os transportes na Capital Paulista: a praticidade.
Hoje quem mora na região do ABC, por exemplo, precisa ter pelo menos três cartões: um do sistema municipal de ônibus, o Cartão BOM para os ônibus intermunicipais comuns, seletivos ou dos serviços de trólebus e ônibus da Metra no corredor Metropolitano ABD, e o Bilhete Único, hoje usado na CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, no Metrô e nos ônibus, trólebus e cooperativas em São Paulo que têm os serviços gerenciados pela SPTrans- São Paulo Transporte.
Situação semelhante ocorre com outras regiões da Grande São Paulo, como Osasco, Guarulhos, Taboão da Serra, entre outras.
Mas se há tanta tecnologia para pagar ônibus com relógios e celulares, por que então a vida do passageiro metropolitano não pode ser mais prática?
Segundo o secretário municipal de transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, o tema deve ir para a campanha eleitoral. Ao Blog Ponto de Ônibus, Rádio CBN e Canal do Ônibus, ele disse que hoje o impedimento é mais político do que tecnológico. Para o secretário, em um mês seria possível os ônibus metropolitanos da EMTU estarem integrados aos ônibus, trens e metrô em São Paulo.
“Existe uma dificuldade para fazer (a integração) e é política. Do ponto de vista tecnológico, em menos de um mês faz. É só político. O que acontece lá? Tem a integração do Bilhete Único com o Metrô e a CPTM, que já existe. O correto era fazer com a EMTU. Não existe porque tem características próprias lá. Um dos motivos é que o controle da tecnologia não é público, é privado. Talvez seja um dos problemas para esta integração. Quando se fala em Bilhete Único Metropolitano, falta uma perna de comunicação que é a EMTU. E também pode ser dos outros municípios. Você pode fazer esta integração. Criar um Bilhete Único que envolve todos os municípios. O Bilhete Único não é uma marca de uma prefeitura, da cidade de São Paulo. Hoje ele tem que ser integrado do ponto de vista tarifário e do ponto de vista operacional também” – concluiu o secretário.
A integração metropolitana será um dos principais temas de campanha ao Palácio dos Bandeirantes. Aliás, Bilhete Único sempre tem sido promessa recorrente nas últimas eleições, inclusive as municipais.
Hoje o Governo do Estado de São Paulo mantém um contrato com a PromoBom Autopass S.A. A companhia pertence a grupos que operam ônibus intermunicipais e em 2008 foi contratada pelo CMT – Consórcio Metropolitano de Transportes que reúne as 45 empresas de ônibus intermunicipais.
O Cartão BOM já pode ser usado em estações para o pagamento das passagens dos trens da CPTM e do Metrô.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

1 comentário em Implantação do Bilhete Único Metropolitano esbarra em questões políticas, diz Tatto

  1. Várias questões importantes e interessantes:
    – “Os ônibus devem ter contadores de passageiros” – Sem dúvida, mas tão importante quanto para o usuário é BILHETES ÚNICOS (já que só a reportagem cita 3…) sejam checados na entrada E SAÍDA dos ônibus. Informação crítica para saber como o usuário ocupa o espaço no transporte público e por quanto tempo. Para ele próprio, para as cias de transportes, para os órgãos reguladores e de planejamento.
    – “painéis internos indicando as próximas paradas” – Hoje é fácil e relativamente barato implantar. TODOS saem ganhando: usuários, empresas, órgãos públicos.
    – Tatto quer um bilhete só e faz em um mês: desde que a administração seja “dele”, ou seja, do partido dele, dos fornecedores dele. Tudo bem ele querer, só que o problema TAMBÉM É DELE, não só do usuário. Ele que se acerte com o Governador e seu Bilhete Bom.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: