Greves de ônibus em São Paulo trouxeram poucas conquistas para trabalhadores

Viação Santa Brígida

Ônibus parados na garagem principal da Viação Santa Brígida na semana passada, onde atua entre os trabalhadores a suposta “ala dissidente” do Sindimotoristas, apesar de o secretário de finanças da unidade, Edivaldo Santiago, ter forte base entre estes funcionários. Haddad classificou algumas greves como oportunistas. Paralisações na Grande São Paulo não alcançaram as conquistas almejadas pelos trabalhadores até agora. Foto: Elaine Freires – Helicóptero/CBN – Reportagem: Adamo Bazani – CBN São Paulo

Greves de ônibus em São Paulo não conquistaram a maior parte das reivindicações dos rodoviários
Na Capital Paulista, o prefeito Fernando Haddad classificou greves como oportunistas e citou paralisação nos serviços de ônibus
ADAMO BAZANI – CBN
A paralisação de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo, que teve início de surpresa na manhã de terça-feira, dia 20 de maio de 2014, e só terminou na quinta-feira, dia 22 de maio, ainda causa insatisfação e reações negativas por parte da administração municipal.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira, dia 28 de maio de 2014, ao comentar a paralisação de servidores municipais que algumas greves são movimentos “oportunistas” que prejudicam a população.
Ele disse que o direito de greve deve ser respeitado, mas quando há “bons acordos” e mesmo assim são feitas paralisações é porque determinados grupos querem tirar “vantagem” dos trabalhadores e ganharem espaço político e na mídia.
Haddad citou a paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus na semana passada em entrevista coletiva.
“Está havendo uma reação contrária, o que está sendo chamado de oportunismo que não leva à nada … O que aconteceu na semana passada (paralisação dos serviços de ônibus) foi repudiado pela sociedade e pela Justiça” – disse Fernando Haddad.
A realização do movimento grevista foi atribuída a uma ala dissidente do Sindimotoristas -Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo.
O grupo não aceitou acordo firmado entre a entidade e o SPUrbanuss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros.
O acordo, aprovado em assembleia em dia 19 de maio, concedeu reajuste de 10% para os motoristas e cobradores de ônibus. Hoje, um motorista na Capital Paulista recebe R$ 1955 passando para R$ 2150,50, e um cobrador ganha R$ 1130 indo para R$ 1243. Também fez parte do acordo: A licença-maternidade para as mulheres que trabalham no setor passa de quatro meses para seis meses. O reconhecimento de insalubridade para cálculos de aposentadoria, podendo o trabalhador se aposentar com 25 anos de trabalho. O vale-alimentação passa para R$ 445,50 e participação nos lucros e produtividade será de R$ 850. Os dissidentes queriam participação nos lucros de R$ 1600 e aumento salarial entre 22% e 30% e maior valor no ticket alimentação.
No dia 26 de maio de 2014, ao julgar o movimento, por cinco votos a dois, o TRT – Tribunal Regional do Trabalho declarou a paralisação como abusiva.
Foi aplicada uma multa de R$ 200: R$ 100 mil ao SPUrbanuss (sindicato das empresas de ônibus) e R$ 100 mil ao Sindimotoristas (sindicato dos rodoviários). As multas serão referentes aos dias 20 e 21 de maio.
De acordo com a desembargadora-relatora Ivani Contini Bramante, por ser difícil determinar quem participou ou não da paralisação, não serão aplicados descontos nos salários, mas os motoristas terão de repor os dias trabalhando.
NA GRANDE SÃO PAULO:
Os motoristas e cobradores de ônibus também cruzaram em cidades da Grande São Paulo, mas as greves não conquistaram plenamente o que a categoria desejava.
Em Osasco, houve paralisação total da Viação Osasco e parcial da Auto Viação Urubupungá.
Os motoristas e cobradores não conquistaram ainda os 10% de reajuste salarial, vale-alimentação diário de R$ 17,10 e participação nos lucros e resultados de R$ 850. Todos estes pontos serão decididos pela Justiça em dissídio coletivo. A conquista maior dos trabalhadores de Osasco até agora foi o fim do desconto da hora de almoço dos salários, manutenção de emprego por 90 dias após a greve e pagamento dos dias parados. O maior problema em relação a hora descontada dos salários ocorria na Viação Osasco.
Na cidade de Diadema, no ABC Paulista, os motoristas da empresa de ônibus Mobibrasil, que ganham R$ 1859,00 queriam equiparação salarial com os outros trabalhadores que atuam no ABC, cujo salário dos motoristas de ônibus subiu para R$ 2555,29.
Eles não conseguiram. A proposta de Justiça Trabalhista foi de 8% de aumento, o que vai ser discutido. Com este percentual, os motoristas da Mobibrasil ainda ganhariam bem menos que os trabalhadores da mesma região: R$ 2007,72 e continuaram num patamar inferior aos motoristas de São Paulo: R$ 2150,50 – já considerando os 10% de reajuste rejeitado pela ala dissidente do Sindimotoristas.
Em Itapecerica da Serra e Embu das Artes, os motoristas e cobradores de ônibus da Viação Miracatiba conquistaram reajuste de 8% nos salários e revisão das folgas e escalas.
Já o reajuste salarial para os motoristas da Viação Pirajuçara, em Embu das Artes, ainda vai ser discutido entre categoria e empresa, podendo parar na justiça.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

2 comentários em Greves de ônibus em São Paulo trouxeram poucas conquistas para trabalhadores

  1. Paulo Roberto Mariano Silva // 29 de Maio de 2014 às 16:20 // Responder

    Pois é, trouxeram grandes problemas aos trabalhadores, terão dias descontados e ai vai.

  2. Gostei do blog! Veja as previsões de Aline, da Cidade das Pirâmides, para o ano de 2014. https://www.youtube.com/watch?v=6v_iFO6_dyc Abraços

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