Entidades que representam pessoas com mobilidade reduzida reagem à declaração de Lula sobre “babaquice” do Metrô

Lula

Líder do PT e ex-presidente, Luís Inácio Lula da Silva, em Ferrari, no Salão do Automóvel. Ele disse que é “babaquice” pensar em metrô chegando “dentro” dos estádios para a Copa e que o brasileiro está “acostumado a andar a pé”. Declaração provocou reações de diversos setores sociais, como dos que representam quem possui mobilidade reduzida.

Entidades de deficientes físicos questionam declaração de Lula que classificou como “babaquice” metrô na porta de estádios Deputada Federal , Mara Gabrili, disse que ex-presidente não pensou em quem possui dificuldades de locomoção e no direito de ir e vir para todos. ADAMO BAZANI – CBN A declaração do ex-presidente da República e líder do PT, Luíz Inácio Lula da Silva, sobre mobilidade urbana tem provocado reações de diversos setores da sociedade. Em encontro com blogueiros nesta sexta-feira, em São Paulo, Lula disse que é “babaquice” fazer com

que o metrô chegue “dentro” do estádio, ao se referir sobre as exigências de obras de mobilidade previstas investimentos de mobilidade contemplados na matriz de responsabilidades para a Copa.
O líder do PT disse que o importante é ter metrô, mas que o brasileiro está acostumado a andar a pé.
Entre as reações contrárias à declaração do ex-presidente Lula, estão as de representações de pessoas que possuem deficiência física e precisam de transportes próximos aos locais de eventos, além de veículos acessíveis, como ônibus com rampas ou elevadores, e ruas e calçadas adequadas.
Quem possui deficiência deve ter direito não apenas de freqüentar hospitais ou clínicas de fisioterapia, mas também escolas, mercado de trabalho, comércio, eventos esportivos, shows, enfim, ter acesso a todos os serviços e entretenimentos, já que estas pessoas como as outras são cidadãs.
Do partido rival, PSDB, a deputada federal, Mara Gabrilli, de 46 anos, disse que ao fazer a declaração, Lula esqueceu que todos devem ter direito a ir e vir.

O ex-presidente Lula chamou de “babaquice” a preocupação de dar condições de primeiro mundo a torcedores durante a Copa do Mundo, como “chegar de metrô dentro do estádio”, porque brasileiro não tem problema “em andar a pé”.
“Nós nunca tivemos problemas em andar a pé. Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa”, afirmou durante palestra para blogueiros nesta sexta-feira em São Paulo.
Mas Lula não respondeu como os torcedores chegarão a pé nos estádios se o entorno desses locais está em péssimas condições. Com calçadas esburacadas, sem rampas, sinalização… imaginem como uma pessoa com deficiência, idosa ou com a mobilidade reduzida chegará ao estádio? Além disso, sem ampliar a oferta de transporte adaptado, é inviável circular pela cidade sem utilizar o metrô. Não trata-se de “babaquice”, mas do direito de ir e vir de todo o cidadão.” – disse Mara Gabrili em sua página numa rede social.
A deputada precisa de cadeira de rodas desde os 27 anos de idade, quando sofreu um acidente de trânsito.
Mara Gabrilli, após o período de adaptação – ela ficou cinco meses internada, dentre os quais dois em respirador artificial – sentiu na pele a falta de acessibilidade nos transportes públicos e nas cidades como um todo e decidiu lutar para reverter este quadro.
A declaração de Lula foi feita poucos dias depois da divulgação de levantamento com as secretarias estaduais que cuidam do evento mundial mostrar que apenas 10% das obras de mobilidade urbana incluídas na matriz de responsabilidade da Copa foram concluídos. Aproximadamente 90% das intervenções como nova sinalização em sistemas de metrô, implantação de novas linhas metroferroviárias, de corredores de ônibus, VLTs – Veículos Leves sobre Trilhos e monotrilhos, que tiveram Regime Diferenciado de Contratações – RDC, com licitações mais rápidas e menos exigentes e que contaram com benefícios para ficarem prontas antes da Copa, sequer saíram do papel ou vão ser concluídas somente depois do Mundial.
Reportagem de Sabrina Craide, da Agência Brasil, em diversas cidades-sede, revela que o acesso aos estádios e a qualidade das obras de mobilidade urbana são preocupações de entidades que representam os portadores de limitações físicas:
Apesar da previsão de um percentual mínimo de assentos destinados a pessoas com deficiências nos estádios, entidades que defendem os direitos de quem tem mobilidade reduzida estão preocupadas com o acesso a estádios e eventos durante a Copa do Mundo. Chegar ao estádio com facilidade e segurança pode ser um desafio para quem quiser acompanhar os jogos do Mundial.
Para o gerente executivo da Associação de Deficientes e Familiares de Recife (Asdef), Normando Vitorino, chegar à Arena Pernambuco pode ser mais problemático do que se locomover dentro do estádio ao jogo. Ele diz que o local tem vagas em estacionamento em número adequado, mas a maioria das pessoas não vai de carro para o estádio. “A estação de metrô fica um pouco distante do estádio, então a minha preocupação é se esses ônibus que farão a integração terão acessibilidade para cadeirantes e pessoas no geral que demandam de acessibilidade maior”, diz.
De acordo com a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) de Pernambuco, o serviço de vans do Projeto PE Conduz estará disponível nos dias de jogos para transportar pessoas com mobilidade reduzida do metrô e de pontos de estacionamentos até o estádio. Para Vitorino, a situação das pessoas com deficiência na Copa não será diferente do dia a dia. “Se hoje você tem uma dificuldade de acessibilidade no transporte público, no cotidiano de todas as cidades brasileiras, eu não imagino que vamos encontrar para a Copa uma situação mais favorável do que encontramos no dia a dia.”
A presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (Abadef), Luiza Câmera, foi para a inauguração da Arena Fonte Nova, em Salvador, e considerou o estádio adequado no quesito acessibilidade. Porém, ela ficou preocupada com o entorno da arena e o acesso das pessoas com deficiência por meio do transporte público. “Temos um número significativo de presença dessas pessoas que vão querer assistir aos jogos, não vão querer estar excluídos. E a inclusão social não é só fazer a rampa, é estar lá, participar”, diz.
A dificuldade de acessar o estádio também é observada pelo promotor de Justiça Moacyr Rey. Ele diz que a acessibilidade nos estádios da Copa está contemplada, mas o entorno das arenas e o acesso até o estádio continuam com as deficiências que sempre existiram. “As obras de mobilidade que poderiam melhorar a acessibilidade ainda não terminaram, e a acessibildiade já é ruim por si só, então somaram-se duas circunstâncias ruins. A vitrine dentro do estádio está ok, mas e o resto?”, aponta. Segundo ele, em alguns lugares, a ida dos torcedores com deficiência até os jogos será facilitada com o transporte gratuito para o estádio, mas isso só resolve o problema provisoriamente. “Fora da Copa, em outros eventos, essa estrutura não funciona tão a contento, então a pessoa tem que se deslocar sozinha. E nesse percurso até o estádio ainda tem problemas.”
A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) está acompanhando de perto o andamento das obras de mobilidade em estádios e aeroportos para a Copa do Mundo. Ela diz que recebe reclamações de entidades de diversos estados relatando problemas na acessibilidade aos estádios, principalmente relacionados ao entorno das arenas. “Não basta fiscalizar o estádio, o entorno, as calçadas que me preocupam, como as pessoas com deficiência vão chegar no estádio.”
Para a superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Teresa Costa d’Amaral, o Rio de Janeiro continua tendo dificuldades de acessibilidade em transportes, restaurantes, hotéis e casas de shows. Em relação ao Maracanã, ela critica a falta de soluções para estacionamentos. “A questão da acessibilidade, para se tornar efetiva, deve ser incorporada à rotina de serviços e políticas públicas. Eventos e jogos não mudam o padrão dos governos de negar à pessoa com deficiência o acesso aos seus direitos básicos como cidadã brasileira, mas essa realidade está evidente em todo o país”, avalia. Para ela, a Copa não deixará legado para a população, assim como os Jogos Parapan-Americanos.
Segundo o Comitê Organizador Local (COL), foi adotada, em colaboração com as sedes, uma política de alocação de vagas para pessoas com deficiência nos estádios. As vagas de estacionamento para esse público são limitadas, e as credenciais veiculares devem ser obtidas nos centros de ingressos das sedes, mediante comprovação da deficiência. Em Salvador, não foi possível encontrar um estacionamento próximo ao estádio, então a sede irá prover o transporte do Shopping Barra até o portão de entrada da arena. “Além das vagas oferecidas pelo COL, a grande maioria das sedes proverá serviço de transporte para pessoas com deficiência de um determinado ponto até o estádio”, diz o comitê. Em caso de dúvidas sobre as credenciais veiculares, os torcedores podem entrar em contato pelo e-mail enquiries@2014ftc.com.br e telefone 0300 021 2014.
Texto inicial: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Texto Agência Brasil: Sabrina Craide, com colaboração de Danilo Macedo e Pedro Peduzzi e edição de Juliana Andrade

5 comentários em Entidades que representam pessoas com mobilidade reduzida reagem à declaração de Lula sobre “babaquice” do Metrô

  1. O ex-metalúrgico não está preocupado com ninguém. Agora, que nós estamos dando holofotes, isso é insano. A capacidade do rapaz é limitadíssima. Estamos levantando a bola por pura babaquice nossa.

  2. Roberto Valente // 17 de maio de 2014 às 22:50 // Responder

    Caro Adamo

    veja alguns dados: Cadeirante sua Cidade Pensa em você ? Segundo estatísticas, há 24,5 milhões de portadores de deficiências no Brasil. Fonte: http://www.deficienteonline.com.br/cadeirantes-e-paraplegicos_pcdsc_510.html
    E número de idosos: Os idosos –pessoas com mais de 60 anos– somam 23,5 milhões, http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/09/21/numero-de-idosos-com-mais-de-60-anos-dobrou-nos-ultimos-20-anos-aponta-ibge.htm

    Ou seja, o Sr. Lula como não entende de NÚMEROS E NEM ESTATÍSTICAS, precisa respeitar tanto IDOSOS quanto os PORTADORES DE DEFICIÊNCIA OU PNE.
    Mas em OUTUBRO o “PARTIDO” SERÁ BEM LEMBRADO…

  3. Sergio Santo André // 19 de maio de 2014 às 14:00 // Responder

    O que se esperar desse cidadão ????? Nada, é lógico, ao que parece o pouco de cérebro que ele ainda tinha, foi pro ralo….

  4. Ewerton Santos Lourenço (PNE Guarulhos) // 20 de maio de 2014 às 13:52 // Responder

    Olá Internautas!!

    Eu também tenho Deficiência, no meu caso é Visual (Baixa Visão) como eu sou albino; o FDP do Lula não sabe o que um PNE passa no seu dia a dia quando sairmos aos nossos compromissos. No transporte público é sufoco prestado por: CPTM EMTU e SPTrans; sempre foram omissas com seus serviços.

    Adamo, aparece na Estações onde são feitas as Integrações: Sé, Brás; Guaianazes; Luz; nos horários de pico onde tem grande fluxo de PNE’s; aqueles Jovens Cidadãos não conseguem dar conta. E a grande maioria não respeita o Atendimento Preferencial; muitas vezes eu tive que usar de ignorancia; no caso da EMTU e SPTrans, é precário cobrador e motorista só se intromete quanto um usuário de fato DEFICIENTE aparece.

    O cobrador fala os demais passageiros, pra ceder os assentos da parte da frente sendo que o tem mais opções a não ser que o próprio PNE tome uma atitude e faça tumulto pra chamar a atençãio. A obrigação deles é intermediar pra que seja respeitado o uso do assento, caso se o usuário não seja deficiente. Viu um deficiente se identificando, peça pra ceder quem tiver ocupando indevidamente, agora a EMTU pra mim é a PIOR! Não faz fiscalizações realmente contra os perueiros clandestinos que atuam em São Miguel Paulista; e Itaim Paulista. Os RTOS operam com vans superlotadas e em alta velocidade. Agora até hoje a E.O. Vila Galvão não pretende colocar mais ônibus na Linha Intermunicipal 349 – Guarulhos (Parque Brasília) – São Paulo (Itaim Paulista) a linha opera até as 6 da tarde durante a Semana e nos Finais de Semana até as 10 da noite.

    Nos serviços prestados pelas Empresas de Ônibus e os RTOs, queria saber onde a VIPOL estava com a cabeça em comprar os MIDI Sveltos; pra operar nas Linhas Intermunicipais que ligam a Zona Leste, Região do Brás a Guarulhos?!?!? Não tem cabimento! Onde estão os assentos preferenciais; não tem segurança nenhuma pois não tem o apoio do braço. Certa vez eu usei a Linha Semi Expressa 597 – Guarulhos (Jardim Any) – São Paulo (Metrô Brás) – Via Ayrton Senna; o motorista fez a curva fechada em alta velocidade o usuário por muito pouco bate a cabeça no pilar o elevador. No ano passado, eu presenciei um cadeirante que ia usar a Linha 252 – Guarulhos (Jardim Cumbica) – São Paulo (Metrô Carrão) os motoristas queimavam o ponto e o cara estava P da vida! Simples, eu liguei na garagem da Vipol em Itaquaquecetuba passei o prefixo de carros. Depois disso nunca mais presenciei uma coisa dessas. Mas é assim a filosofia nas Cidades onde o PT atuam; caos em cima de caos. Guarulhos tem tudo pra crescer, mas o prefeito gasta dinheiro com tanta futilidade. Inclusive os tais ônibus aticulados não vai circular por aqui.

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