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EXCLUSIVO: Suzantur confirma que vai participar de licitação em Mauá, mas nega envolvimento com empresários da região

Ônibus com nova padronização de pintura que será adota pela Suzantur que contratou um profissional da área. Layout tem predominância das cores branca e vermelha e o slogan Sistema Integrado de Mauá, em alusão ao SIM, novo modelo de bilhetagem eletrônica da cidade. Divulgação Suzantur.

Suzantur confirma que vai participar de licitação de Mauá, mas nega envolvimento com empresários da região
Empresa tem relações comercias com o Banco Caruana desde os anos da década de 1980 e possui contrato de cinco anos com o empresário de transporte de Mauá, Baltazar José de Sousa, para aluguel da garagem no Jardim Zaíra
ADAMO BAZANI – CBN
A Suzantur confirmou oficialmente que vai participar da licitação dos transportes públicos na cidade de Mauá, no ABC Paulista.
As propostas da empresa e de outros possíveis interessados devem ser apresentadas à prefeitura no próximo dia 13 de junho.
O prefeito de Mauá, Donisete Braga (PT), que antes afirmava que a cidade poderia comportar mais de duas empresas e que a concorrência durante a prestação de serviços entre as companhias seria melhor para a população, mudou de postura e lançou um edital de caráter monopolista. Todos os passageiros de ônibus de Mauá serão atendidos por uma única empresa.
Durante a apresentação do edital à imprensa, o prefeito Donisete Braga sustentou que a operação por parte de uma empresa é economicamente mais vantajosa. A companhia tem de pagar uma outorga de R$ 5 milhões (R$ 2,5 milhões à vista e R$ 2,5 milhões em 24 meses), taxas de contrato de cerca de R$ 500 mil e repassar 4% da receita bruta. A empresa vai poder operar em Mauá por até 20 anos, dez anos de contrato que podem ser renovados por outros dez anos.
Nesta sexta-feira, dia 09 de maio de 2014, a diretoria da Suzantur recebeu a reportagem do Blog Ponto de Ônibus e do Canal do Ônibus na garagem alugada pela empresa, no Jardim Zaíra 04.
O aluguel é pago ao empresário Baltazar José de Sousa, que monopolizou os transportes por 30 anos na cidade e é dono de companhias como Viação Cidade de Mauá (Barão de Mauá), E.A.O.S.A. – Empresa Auto Ônibus Santo André, Viação São Camilo Ltda, Empresa Urbana Santo André e Viação Ribeirão Pires.
No entanto, o proprietário da Suzantur, Claudinei Brogliato, que mora na cidade de Santo André, negou envolvimento com empresários de ônibus da região.
“Vi poucas vezes o Baltazar. Algumas vezes aqui em Mauá e em eventos sobre transportes. O aluguel da garagem é pago à pessoa física dele e o local foi escolhido por ser o único que estava disponível em Mauá que tinha estrutura para receber uma empresa de ônibus. Estávamos provisoriamente nas antigas instalações da Philips, em Capuava. Aqui já tinha sido abrigada uma garagem (Estrela de Mauá)” – disse Claudinei Brogliato.
O empresário confirmou que mantém relações com o Banco Caruana, o mesmo que também financiou ônibus para outros empresários da região, como o próprio Baltazar José de Sousa.
Mas, segundo ele, o relacionamento é apenas comercial. Brogliato disse que conhece José Garcia Netto, Netinho, um dos proprietários do Caruana desde os anos de 1970.
“O conhecimento do Banco Caruana não surgiu agora com a entrada da Suzantur em Mauá. Nos anos de 1970 existia uma empresa de ônibus de fretamento e de linhas urbanas em Santo André, a Garcia Transportes, de Ângelo Garcia. Nesta época eu trabalhava no setor de crediário das Casas Bahia e consegui alugar dois ônibus para os funcionários. Como conhecia a família, aceitei o desafio de trabalhar na Garcia onde conheci os filhos de Ângelo, Ângelo Roque Garcia e José Garcia Netto. Nos anos de 1980, a Garcia passou por dificuldades financeiras e foi vendida. Então, eu fui convidado para participar da Suzantur onde entrei em 1988” – conta Claudinei Brogliato.
Ele disse que nesta época, a Suzantur precisava renovar parte da frota e que os dez primeiros veículos deste processo de renovação tiveram já o financiamento do Caruana.
Brogliato também confirmou que Ângelo Roque Garcia foi sócio dele na Suzantur. Mas, segundo ele, Garcia saiu do quadro societário da empresa em 2011.

Da esquerda para a direita: gerente de tráfego da Suzantur, Robson de Jesus Francisco; proprietário da Suzantur, Claudinei Brogliato; gerente operacional da Suzantur, José Rafael Sanchez Brito; recebem o repórter Adamo Bazani, na garagem usada pela empresa em Mauá. Empresário diz que Suzantur vai participar da licitação e confirma que relações comerciais com o Banco Caruana são antigas, mas nega envolvimento com empresários da região e direcionamento para que a companhia fique na cidade. Foto: Antonio Moreira.

De acordo com um documento apresentado por Claudinei Brogliato à reportagem, da Junta Comercial de São Paulo, sob protocolo 0.467.219/11-4, a saída de Ângelo Roque Garcia foi formalizada em 31 de março de 2011.
Nesta época, a prefeitura não ensejava oficialmente fazer um contrato emergencial para os transportes da cidade, mas a Viação Estrela de Mauá, fundada por Baltazar José de Sousa e depois assumida pelo ex-executivo de Constantino Oliveira, David Barioni Neto, lutava contra a Leblon Transporte de Passageiros, do Paraná, para operar o lote 02 dos transportes municipais. A entrada da Leblon em 06 de novembro de 2010 representou a quebra do monopólio dos transportes em Mauá.
Agora o monopólio nos transportes em Mauá vai voltar, independentemente da empresa que assumir os serviços, de acordo com o modelo elaborado pelo prefeito Donisete Braga e pelo ex-secretário de mobilidade urbana, Paulo Eugênio, que deixou a pasta para ser candidato pelo PT ao cargo de deputado estadual. Hoje o secretário de mobilidade urbana é Azor Albuquerque, homem de confiança de Donisete Braga e de Paulo Eugênio. O objetivo é o continuísmo da postura de Paulo Eugênio Pereira.
A quebra de monopólio foi recomendada em 2006 pelo Ministério Público Estadual de São Paulo ao exigir que Mauá lançasse um edital de licitação. O certame começou em 2008 e dividiu a cidade em dois lotes operacionais. A Viação Cidade de Mauá participou no lugar da Viação Barão de Mauá, que estava impedida por causa de dívidas e irregularidades trabalhistas e fiscais. A empresa assumiu os serviços com os mesmos ônibus, funcionários, diretoria, garagem e estrutura da Barão, mas com um nome novo. A Viação Januária, antiga operadora do lote 02 de Baltazar, também não poderia participar da licitação pelos mesmos problemas. Em abril de 2006, mesmo ano da recomendação do Ministério Público para a licitação, Baltazar criou a Viação Estrela de Mauá e a Trans-Mauá para concorrer a este lote, mas a Leblon, de Haroldo Isaak e Ronaldo Isaak, foi reconhecida judicialmente como vencedora.
A Suzantur desde 31 de março de 2011, segundo o documento apresentado à reportagem, tem 99% das quotas pertencentes à Claudinei Brogliato. Um por cento está em nome de Daniel Scaldelai Dela Coleta, com residência em Mauá.
Parte da frota atual da Suzantur é ainda financiada pelo Banco Caruana.
Estes veículos foram comprados pela Viação Estrela de Mauá e alguns chegaram a operar pela Viação Branca do Leste, em Imperatriz, no Maranhão, após a Estrela de Mauá ser impedida pela Justiça de operar na cidade do ABC Paulista na época que a prefeitura concedeu o lote 02 em operação conjunta com a Leblon, numa decisão administrativa.
Os ônibus estão alienados ao Banco e em nome da Estrela de Mauá.
“Na verdade, precisávamos de mais ônibus e o banco tomaria estes veículos da Estrela de Mauá que hoje só existe no papel. Então, na verdade, assumimos as dívidas referentes a estes ônibus e os colocamos para operar” – justifica Claudinei Brogliato.
Ele também falou sobre o fato de a empresa ter em sua frota atual veículos de empresários que já foram parceiros de negócios de Baltazar José de Sousa, como Ronan Maria Pinto, dono de companhias de ônibus em Santo André e do jornal local Diário do Grande ABC.
“Temos sim dez ônibus que eram da Viação Guaianazes, do Ronan. São veículos ano 2008 que não estavam mais sendo usados em Santo André. Estes pagamos por financiamento próprio, nota promissória, sem o Banco Caruana. Pagamos um ônibus no valor de R$ 121 mil por mês. Assim como temos ônibus da Niege (Niege Chaves, dona da MobiBrasil, empresa de Diadema e da Capital Paulista), os da Piracicabana do Grupo do Constantino, outros vindo do Rio de Janeiro. Quando a Leblon foi retirada da cidade, e não quero entrar no mérito da disputa judicial, eu precisava de mais ônibus e estes eram os que estavam disponíveis” – contra Brogliato.
A suspensão dos contratos da Viação Cidade de Mauá – VCM e da Leblon Transporte de Passageiros foi publicada pelo prefeito Donisete Braga na manhã de 18 de outubro de 2013, uma sexta-feira.
Para isso, a prefeitura de Mauá alegou que as duas empresas haviam feito consultas sem autorização ao sistema de bilhetagem eletrônica da cidade. Pelo número de supostas consultas realizadas, a Leblon foi multada em R$ 12,2 milhões e a VCM – Viação Cidade de Mauá, em R$ 8,4 milhões. As empresas também foram consideradas pela prefeitura como inidôneas não podendo participar da licitação.
A equipe de Donisete Braga não conseguiu comprovar manipulação dos valores.
Mas o caso ainda não se encerrou nos tribunais.
A Leblon Transporte de Passageiros diz que há uma série de irregularidades no processo de descredenciamento e luta ainda na Justiça pelo restabelecimento dos serviços, mesmo já tendo retirado toda a frota da garagem de Mauá, que estava na garagem que operava num terreno alugado pertencente à Igreja Batista Água Viva, na Vila Augusto.
A sindicância que resultou no descredenciamento não foi unanimidade sequer na prefeitura de Mauá.
A procuradora do município de Mauá, Thaís de Almeida Miana, em parecer de 27 de junho de 2013, acatou os argumentos da Leblon de que a prefeitura autorizou a consulta dos dados. A procuradora recomendou uma nova sindicância, mais técnica, já que o procedimento que determinou o descredenciamento das empresas tinha como bases relatos testemunhais e documentos considerados genéricos.
A recomendação para fazer uma nova sindicância não foi seguida pelo prefeito Donisete Braga e pelo então secretário de mobilidade urbana, Paulo Eugênio Pereira.
Além disso, a Leblon argumenta que a prefeitura de Mauá começou a enviar as cartas-convite para eventuais interessadas no contrato emergencial ainda quando as duas companhias municipais estavam no prazo para apresentar os recursos administrativos da sindicância, o que segundo a empresa, indicava que o objetivo da prefeitura era retirar a companhia paranaense.
Isso fez com que a Leblon entrasse com recurso contra a “caducidade” do contrato.
De acordo com os autos na Justiça, aos quais o Blog Ponto de Ônibus/Canal do Ônibus teve acesso, a empresa Leblon protocolou recurso na esfera administrativa no dia 30 de setembro.
No dia seguinte, 1º de outubro, ou seja, ainda dentro do prazo de análise do recurso, a Prefeitura de Mauá elaborou uma carta-convite à empresa de ônibus MobiBrasil, que presta serviços em Diadema e na Capital Paulista.
Na carta, a Prefeitura ainda estipulava o prazo de apenas 48 horas para a empresa convidada começar a prestar serviços.
A MobiBrasil não aceitou o convite, mas Claudinei Brogliato, da Suzantur, decidiu assumir o contrato emergencial em outubro, com validade de 180 dias.
“Era um risco, claro, eu tive 15 dias para decidir quando recebi a carta, mas vi que seria uma boa oportunidade. Naturalmente, pela disponibilidade do mercado, a maioria da mão de obra seria da Viação Estrela de Mauá. Faltavam os ônibus, já que nesta época eu só estava com a Suzantur de fretamento. Coincidentemente, a Oak Tree de São Paulo, tinha falido e os ônibus estavam parados. Então, os ônibus da Oak Tree, os de porta à esquerda que o pessoal reclamava, foram alugados por R$ 1.500 cada. Não compramos ônibus da Oak Tree e estamos devolvendo toda a frota desta empresa. Começamos com 52 ônibus deles, agora estamos com oito e destes, dois serão devolvidos nos próximos dias” – contra Claudinei Brogliato.
Se o passageiro teve um choque com a mudança dos transportes na cidade, principalmente com a saída da Leblon que era bem avaliada pelos usuários, segundo o próprio prefeito de Mauá, Donisete Braga, em diversas declarações e pesquisa realizada pela empresa especializada Tectrans, os funcionários do setor de transportes de Mauá temeram as alterações.
No dia 19 de outubro de 2013, quando a Suzantur assumiu parte das linhas da Viação Cidade de Mauá, quatro ônibus alugados da Oak Tree operados pela empresa de Claudinei Brogliato foram incendiados. Outro foi depredado.
Após esta data, ocorreram várias decisões judiciais liminares (provisórias) que ora davam vitória para a prefeitura, ora para a Viação Cidade de Mauá e ora para a Leblon.
A liminar que mantinha a Viação Cidade de Mauá operando foi derrubada pela Justiça de São Paulo em 16 de dezembro de 2013, antes, portanto, da decisão mais recente favorável à prefeitura para a retirada da Leblon que foi oficializada em 23 de dezembro de 2013.
Mesmo assim, no dia 29 de dezembro de 2013, a prefeitura preferiu tirar primeiro a Leblon de circulação de uma vez só.
A retirada da Viação Cidade de Mauá tem sido aos poucos desde o início de 2014.
As duas empresas foram descredenciadas, mas até agora apenas a Leblon foi retirada de fato.
Apesar disso, as tensões continuam envolvendo os funcionários da Viação Cidade de Mauá.
Nesta última quinta-feira, dia 8 de maio de 2014, pessoas que se apresentaram como funcionárias da Viação Cidade de Mauá cercaram a garagem onde está a Suzantur e impediram a saída dos primeiros ônibus.
O receio é em relação à manutenção dos empregos.
Entre as várias declarações do prefeito Donisete Braga em relação ao polêmico descredenciamento da Leblon e da Cidade de Mauá é que os empregados destas duas companhias teriam prioridade na contratação pela Suzantur.
Ocorre que a empresa de Claudinei Brogliato já contava com mão de obra da Viação Estrela de Mauá.
Alguns funcionários da Leblon estão na Suzantur. Outros foram contratados e já se desligaram e houve uma parte que preferiu sequer entrar na empresa. Situação semelhante de alguns funcionários da Viação Cidade de Mauá.
Mas os empregados que eram da Estrela de Mauá e que estão na empresa e os que vão ser dispensados da Viação Cidade de Mauá temem não haver vagas para todos.
O diretor-presidente da Suzantur, Claudinei Brogliato, disse que a empresa trabalha para resolver a questão.
“Vamos cortar as horas extras e criar o terceiro turno para motoristas e cobradores. O pessoal que era da Estrela de Mauá começou conosco, deu a cara para bater quando ainda não tínhamos segurança e não sabíamos se íamos continuar operando ou não. Não é justo cortá-los e não é nossa intenção” – conta Claudinei Brogliato.
Hoje a empresa possui 380 trabalhadores da área operacional, entre motoristas e cobradores, e aproximadamente 550 funcionários no total, contanto com as áreas de manutenção, fiscalização, Recursos Humanos, monitoramento do GPS em tempo real e de administração. A estimativa é que nos próximos dias, este número aumente para 630 funcionários.

Mesmo antes do resultado licitação que vai participar, companhia investe em renovação da frota. Empresa nega, no entanto, que investimentos são sinal de que o resultado do certame seja conhecido. Foto: Adamo Bazani

Mesmo antes do resultado da licitação, a empresa faz investimentos na adequação da garagem e na compra de ônibus zero quilômetro.
Hoje operando 28 linhas (18 linhas correspondentes a Leblon), a empresa tem 125 ônibus (118 operacionais e sete reservas). Deste total, 13 ônibus são zero quilômetro, sendo sete convencionais e seis midi (micrão).
“Esses ônibus novos compramos com crédito que temos na APTA (revendedora da marca MAN/Volkswagen Caminhões e Ônibus), com financiamento na Caio (encarroçadora) e na Neobus (encarroçadora). Outros ônibus são por linhas próprias e parcelamento. Não é tudo o Banco Caruana não” – disse.
A empresa deve receber nos próximos dias mais quatro ônibus zero quilômetro. Dois serão do novo modelo Torino, da Marcopolo, e outros dois de quinze metros, com três eixos.
Não é intenção da empresa, até o momento, incorporar à frota ônibus articulados, como os da Leblon.
A Suzantur também contratou um profissional de design que desenvolveu a nova pintura padronizada, que tem a predominância dos tons Branco e Vermelho e a inscrição SIM – Sistema Integrado de Mauá, referente à nova bilhetagem eletrônica que, futuramente, deve permitir integração com os trens da CPTM.
Além disso, a Suzantur investiu sistema de monitoramento da empresa Auttran.
É a mesma empresa que faz o monitoramento dos ônibus da Viação Cidade de Mauá, de Baltazar José de Sousa.
“Nossa versão, no entanto, é mais moderna e completa. Conseguimos com precisão localizar onde o ônibus está, seu prefixo e horário. Toda a frota é monitorada. O edital de licitação prevê que os passageiros tenham acesso a estes dados pela internet em computadores convencionais ou por dispositivos como tablets e celulares” – contou o gerente operacional da Suzantur, José Rafael Sanchez Brito, que a época também atuou na Viação Estrela de Mauá.
A empresa diz também que realiza treinamentos com os funcionários para aperfeiçoar a capacitação técnica e o atendimento aos passageiros.
“Tentamos passar a visão para nossos funcionários de que as pessoas que transportamos não são apenas passageiros e sim clientes da empresa, é quem faz parte da nossa rotina, todo o dia. Já vieram técnicos da Volvo, da Volkswagen, da Caio para a melhor operação dos ônibus, treinamento de direção defensiva e de relações humanas. Também tentamos nos aproximar da população com ações espontâneas. No Terminal Central de Mauá distribuímos ovos de páscoa para as crianças e agora, para o Dia das Mães, as mulheres receberam uma rosa” – conta o gerente de tráfego da Suzantur, Robson de Jesus Francisco.
“O pessoal fica nos cobrando por qualidade, ainda mais a mim que mora em Mauá há muito tempo. E temos resultado, diminuíram as reclamações contra a empresa.” – complementa Robson que já atuou em companhias de Baltazar, como a Viação Ribeirão Pires.
Todos estes investimentos da empresa, tanto em frota nova, como em monitoramento e treinamento são feitos a poucos dias da abertura das propostas para a licitação de Mauá.
O empresário Claudinei Brogliato nega que a empresa tem a certeza de que ganhará o certame, apesar dos recursos aplicados.
“Claro que vamos participar da licitação e quem participa é para ganhar. Mas não sabemos o que pode acontecer. É um risco, mas também era um risco quando assinamos o contrato emergencial. Compramos ônibus usados e estamos agora num processo de aquisição de ônibus zero quilômetro. Claro que estas compras não são à vista. Até assumir quem vencer a licitação, estaremos operando, pagando as prestações destes ônibus e tendo o retorno financeiro das operações. Se não der certo, após a transição, vendemos os ônibus. Quanto à garagem, temos cinco anos de contrato com o Baltazar, se não ficarmos, saímos do pátio e pagamos a multa de rescisão. Se ganharmos, os investimentos serão grandes. Parte do dinheiro virá da venda dos ônibus usados, de recursos próprios, do retorno financeiro das operações e teremos de diversificar a quantidade de bancos e instituições para financiar os ônibus novos. Normalmente um banco só não financia um valor e uma quantidade de ônibus tão altos. Mas se ganharmos vamos investir além do que pede o edital. Pensamos, por exemplo, em colocar TV Digital e wi-fi (internet grátis) nos ônibus.” – disse Brogliato.
A empresa que vencer a licitação vai comandar todas as linhas de Mauá sem concorrência. A exigência é que as operações comecem com todos os ônibus de fabricação 2014 – modelo 2014, requisitos nos quais se enquadram os veículos que estão sendo comprados pela Suzantur. A frota vai aumentar dos 215 veículos atuais para 250 ônibus em toda a cidade.
A prefeitura de Mauá nega qualquer possibilidade de direcionamento da licitação e diz que o processo vai melhorar a mobilidade urbana.
A Leblon mantém as ações judiciais para retomar as operações em Mauá.
“Os ônibus não estão mais em Mauá porque a empresa preferiu dar prioridade aos trabalhadores nas rescisões e não sabe quando haverá um parecer definitivo. Muitos pontos que são anunciados como novidades, a Leblon já trazia para a população, como TV nos ônibus, monitoramento por GPS com o passageiro já podendo acompanhar em casa os horários e linhas pela internet, a garagem tinha uma preocupação ambiental com o reuso de água e descarte adequado de resíduos, os treinamentos dos funcionários eram constantes,todos os ônibus foram colocados zero quilômetro com acessibilidade e a Leblon foi a primeira empresa urbana de Mauá a receber as certificações ISO 9001 (qualidade) e ISO 14001 (meio ambiente)” – disse a companhia paranaense em nota.
A reportagem do Blog Ponto de Ônibus / Canal do Ônibus não conseguiu localizar nenhum representante da Viação Cidade de Mauá, mas deixa o espaço aberto.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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