Foto realizada às 14h00 de 31 de março de 2014 mostra trilhos em uma das plataformas da estação Brás, uma das principais do sistema, repletos de lixo. A poucos metros, lixeiras na estação estavam vazias. – Foto: Adamo Bazani.
Trilhos da CPTM “sofrem” com a falta de educação de passageiros
Mesmo nas áreas mais movimentadas das estações uma grande quantidade de lixo é jogada nas vias
ADAMO BAZANI – CBN
Os passageiros da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos têm razão de reclamar da qualidade dos serviços prestados pela empresa. Superlotação nas seis linhas da companhia, panes operacionais, intermináveis obras que deixam a circulação mais lenta principalmente nos fins de semana e feriados, comércio ambulante ainda nos carros (vagões) e estações; e alguns trens com pouco conforto são cenas cotidianas vividas pelos 2,9 milhões de passageiros em média que utilizam os 128 trens todos os dias que percorrem 260, 8 quilômetros em 22 municípios.
No entanto, muitos dos passageiros que reclamam não fazem a sua parte para melhorar o sistema. Desrespeito às normas básicas de segurança, como esperar o trem após a faixa amarela, dar lugar para pessoas com necessidades especiais, gestantes e idosos e manter as estações, trens e até trilhos limpos são atitudes simples, mas nem sempre adotadas por todos.
Um dos grandes problemas, por exemplo, é a quantidade de lixo que os passageiros jogam nos trilhos, mesmo em estações de grande movimento.
Nas plataformas da estação Brás, por exemplo, uma das que recebem maior quantidade de passageiros, os trilhos viraram um verdadeiro depósito de lixo: restos de comida, latas de refrigerante, garrafas plásticas, lenços de papel, pedaços de pano deixam uma péssima sensação no ambiente e podem até mesmo comprometer a segurança dos próprios passageiros e dos empregados da CPTM. Insetos e ratos são vistos mesmo durante o dia.
A maior parte das estações e dos trens é limpa. Algumas possuem até mesmo lixeiras de coleta seletiva para reciclagem. Mas o desrespeito é maior.
A superlotação das linhas e estações não é desculpa para alguém jogar uma lata ou uma garrafa nos trilhos.
Não bastasse isso, ao longo das linhas, alguns pontos viraram locais de descarte de entulho: restos de construção, madeira, móveis e até animais mortos são vistos com facilidade.
Foto realizada às 14h36 de 31 de março de 2014. Área da CPTM nas proximidades da Estação Utinga, de Santo André, virou área de descarte de entulho. Por mais que a CPTM remova o lixo, sempre há pedras e pedaços de madeira que são lançados nos trilhos comprometendo a segurança dos passageiros e empregados da companhia – Foto: Adamo Bazani
A CPTM diz que realiza a limpeza diária de estações, trens e nos trilhos. Além disso, afirma que treina seguranças, agentes de estações e demais funcionários para orientarem os passageiros quanto ao descarte correto de lixo.
A empresa ainda afirma que desde março de 2010 implantou um Sistema de Gestão Ambiental, que leva inclusive a consideração os resíduos gerados pela operação e pelos passageiros:
“A primeira etapa do processo de estruturação do Sistema de Gestão Ambiental [SGA] foi concluída em março de 2010, nas linhas 9-Esmeralda e 12-Safira. Nessa etapa cerca de 350 colaboradores da Diretoria, Gerências, líderes técnicos e terceirizados, participaram de treinamentos específicos ministrados pelas consultorias contratadas. Como sequencia de ações foram treinados colaboradores nas quantidades a seguir: em 2010-774, em 2011-706, em 2012-1000 e até Junho de 2013-565 colaboradores.Esse processo tem sido implementado com etapas intermediárias conforme segue:
Treinamento e conscientização dos colaboradores e gerentes das diferentes unidades da CPTM;
Introdução de diretrizes gerais e procedimentos para a correta gestão de aspectos ambientais [resíduos e emissões];
A preparação e implementação de Planos de Gestão Específicos – PGEs, com foco em resíduos industriais, resíduo sólido domiciliar, resíduos industriais e outras demandas.
As diretrizes para o tratamento de resíduos seguem os passos:
Classificação;
Segregação, Acondicionamento;
Armazenamento;
Transporte;
Destinação final: re-utilização, reciclagem, co-processamento, incineração e/ou disposição final em aterros sanitários” –diz a CPTM.
A empresa foi criada e começou a operar em 1992, os sistemas de trens da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) em substituição à CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos (Superintendência de Trens Urbanos de São Paulo STU/SP) e à FEPASA – Ferrovia Paulista S/A.
Apesar da necessidade de evoluir muito, a CPTM representou sim uma melhoria nos serviços de trens em São Paulo.
Ainda a qualidade do atendimento à população não é a ideal, no entanto, isso não significa que o passageiro possa deixar de ter atos simples de educação, urbanidade e cidadania, como jogar lixo no lixo.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes