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Táxis em corredores podem ser liberados fora dos horários de pico

Ônibus na Capital Paulista. Prefeitura busca alternativas técnicas e políticas para a circulação de táxis em corredores de transporte coletivo na cidade. Prefeito e secretário de transportes já tinham se mostrado contra os táxis nos corredores, mas depois da reação da categoria, abrandaram o discurso. Foto: Adamo Bazani.

Gregos e Troianos: Prefeitura de São Paulo quer liberar táxis somente nos horários de pico nas faixas e corredores de ônibus
Proposta seria uma alternativa intermediária para não descumprir determinações do Ministério Público e não ficar mal com taxistas
ADAMO BAZANI – CBN
Agradar a gregos e troianos. Na prática, é isso que a Prefeitura de São Paulo vai tentar em relação à permissão para o tráfego de táxis em espaços que hoje deveriam ser exclusivos para ônibus.
A Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo deve propor ao promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo de São Paulo, Maurício Ribeiro Lopes, que os táxis sejam liberados em corredores e também nas faixas para circularem com passageiros somente fora dos horários de pico, de segunda a sexta-feira.
Assim, pela proposta, as faixas que hoje são proibidas para os táxis seriam liberadas. A ideia já causa polêmica. Em algumas vias, como a Avenida 23 de maio e a Avenida Paulista, a quantidade de táxis é muito grande e a permissão do tráfego poderia interferir no tempo de viagem para quem utiliza transporte público.
Pela proposta, são considerados horários de pico os períodos que vão das 7h às 10h na manhã e depois das 17h às 20h.
Desde o ano passado, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, já mostravam que não apoiavam a presença dos táxis em corredores para ônibus.
Três estudos apresentados pela Prefeitura ao Ministério Público Estadual de São Paulo demonstram que a em vários trechos de corredores, a velocidade dos ônibus por causa da interferência dos táxis cai mais da metade, indo em média de 13,5 km/h para 6 km/h – uma velocidade absurdamente baixa para qualquer via e quase inacreditável em um corredor que deveria ser exclusivo.
Ainda de acordo com os estudos, os táxis não levam sequer 1% do total de pessoas transportadas no espaço para os ônibus.
Mas politicamente a postura de Haddad e Tatto pareceu ser perigosa.
Várias associações de taxistas protestaram, o que fez o secretário e o prefeito tornarem o discurso mais brando.
Mas a proposta de liberar táxis nos corredores e também nas faixas fora do horário de pico parece não ser bem encarada por nenhuma parte e não deve agradar nem a gregos e nem a troianos.
Os taxistas dizem que a maior quantidade de passageiros que necessitam de seus serviços está justamente nos horários de pico e que a categoria não seria beneficiada.
O Ministério Público também não vê com bons olhos e pode determinar que a prefeitura apresente justificativa de que os táxis fora dos horários de pico não atrapalham os ônibus.
Já profissionais dos transportes coletivos dizem que a proposta não vai trazer resultados positivos já que no entre-pico os ônibus precisam manter também boa velocidade comercial. Além disso, nestas faixas de horário a quantidade de ônibus é menor e a redução da velocidade pode trazer mais impactos negativos para os passageiros de transporte público.
Outra proposta que circulou pelos corredores do executivo paulistano foi proibir os táxis nos corredores e liberar nas faixas.
Mas a ideia foi combatida pelo próprio prefeito, já que a medida poderia tirar a eficácia de seu único trunfo na área de transportes até agora que foi o menor tempo de viagem dos ônibus garantido pelas faixas exclusivas.
Termina nesta sexta-feira, 28 de fevereiro, o prazo para os taxistas apresentarem um estudo ao Ministério Público que contradiz os três estudos realizados a pedido da prefeitura de São Paulo. Os taxistas precisam provar que os veículos não tiram eficiência do transporte coletivo.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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