Pátio anexo da garagem da Princesinha, onde estavam os ônibus da Estrela de Mauá, amanheceu só com um ônibus, que não teve condiçoes de ser retirado por problemas mecânicos. Sumiço seria pressão à prefeitura.
Ônibus da Estrela de Mauá “somem” da cidade
Da noite de domingo para a madrugada desta segunda-feira, verdadeira operação de guerra retirou veículos. Diretoria não se manifestou
ADAMO BAZANI – CBN
Os cerca de 80 ônibus que a Viação Estrela de Mauá tinha guardados num terreno anexo da garagem da Princesinha, no Zaíra 4, em Mauá, “desapareceram” literalmente da noite para o dia.
A retirada dos veículos começou a ser feita noite deste domingo.
A diretoria da empresa não foi localizada para comentar o paradeiro dos veículos, mas é certo que a companhia ainda tenta operar na cidade do ABC Paulista.
Trabalhadores do setor de transportes de Mauá dizem que a ação é uma forma de pressão da empresa para que a Prefeitura de Mauá coloque a companhia em operação.
Fundada pelo empresário Baltazar José de Sousa, hoje procurado pela Polícia Federal por crimes financeiros contra a União, e atualmente em nome de David Barioni Neto, ex excecutivo da Gol Linhas Aéreas, de Nenê Constantino, a empresa pleiteia desde 2008 a operação do lote 2 dos serviços de Mauá com ações judiciais contra a comnpanhia paranaense Leblon Transporte de Passageiros, que em 2010 teve a vitória na licitação reconhecida pela Justiça e um contrato de concessão assinado pela prefeitura de Mauá.
A Estrela de Mauá perdeu todos os recursos que moveu contra a concorrente Leblon.
“Os ônibus não devem estar muito longe não, devem estar em galpões e garagens do ABC espalhados ou em outras regiões” – disse um operador de transportes de Mauá, que por questão de segurança não pode se identificar.
Há também a especulação de que os veículos teriam ido para o Rio de Janeiro ou mesmo para Imperatriz, no Maranhão.
Lá, a VBL – Viação Branca do Leste, por má prestação de serviços, teve o contrato suspenso e 80 veículos antigos que rodavam no ABC foram apreendidos.
A VBL – Viação Branca do Leste é do empresário Mário Elísio Jacinto, que pertence ao chamado Grupo dos Mineiros, composto por outros donos de empresas de ônibus como Baltazar José de Sousa, Nenê Constantino e Ronan Maria Pinto.
Em abril deste ano, a Estrela de Mauá foi alvo de um suposto assalto no dia do pagamento de funcionários. Ninguém se feriu na ação, mas um grupo disparou contra o interior da garagem. Na ocasião, David Barioni Neto ameaçou levar os ônibus para outras localidades, como Rio de Janeiro.
Em julho, a empresa demitiu 130 funcionários operacionais, acumulando dívidas trabalhistas. Alguns ainda não tiveram o FGTS pago.
A Estrela de Mauá operou por 13 dias na cidade, após um ato administrativo da gestão Oswaldo Dias, do PT, no final de dezembro.
Em janeiro, mesmo com a mudança de prefeito, entrando Donisete Braga, também do PT, a empresa continuou operando sobrepondo as linhas servidas pela Leblon.
Ao retornar de recesso, a Justiça entendeu o ato administrativo como ilegal e desrespeito à decisões judiciais anteriores que até previam multas em caso da entrada da Estrela de Mauá.
Mesmo com a determinação de recolha dos veículos, nem o prefeirto Donisete Braga, nem o secretário de mobilidade urbana, Paulo Eugênio, e nem David Barioni Neto acataram a ordem da Justiça.
Os ônibus só foram tirados de circulação depois da intervenção da Polícia Militar.
Com intermediação de Donisete Braga, a Estrela de Mauá ofereceu proposta para comprar a concorrente Leblon, mas a empresa paranaense nega que a conversa tenha avançado.
Até o fechamento desta matéria, a prefeitura de Mauá também não soube informar o paradeiro dos ônibus.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes