Atuais contratos serão prolongados por mais um ano. Jilmar Tatto, secretário dos transportes, criticou empresários de ônibus e disse que eles não querem seguir contratos . Foto: Agência Brasil
Tatto diz que contratos com empresas de ônibus e cooperativas serão prorrogados pro mais um ano e ataca empresários
Após questionamentos da sociedade sobre a forma de remuneração das empresas e o valor das tarifas, licitação foi cancelada.
ADAMO BAZANI – CBN
O secretário municipal de transportes de São Paulo, Jimar Tatto, disse nesta quinta-feira, dia 04 de julho, que os atuais contratos com as empresas de ônibus e cooperativas que prestam serviços na cidade serão renovados por mais um ano.
As manifestações populares sobre as tarifas e a qualidade dos transportes fizeram com que o prefeito Fernando Haddad anunciasse o cancelamento da licitação dos transportes prevista para este ano.
Pelo modelo sugerido pela prefeitura, todo o sistema de ônibus seria dividido em apenas três SPEs- Sociedades de Propósito Específico e doze lotes de cooperativas. Hoje o sistema conta com 15 mil veículos e transportou em 2012, 2,9 bilhões de pessoas. Os contratos da licitação cancelada valeriam por 15 anos para as empresas e por 10 anos para as cooperativas, somando R$ 46,4 bilhões, o maior da história e maior que o Orçamento Anual da cidade de São Paulo, que é em torno de R$ 42 milhões.
Com a decisão de Tatto e Haddad (há quem diga que foi nesta ordem mesmo), o modelo atual de remuneração, baseado principalmente por passageiros transportados e subsídios, deve continuar por mais um ano.
Tatto diz que no site da Secretaria de Transportes serão publicados com mais detalhes os contratos das empresas de ônibus com o poder público.
TATTO DIZ QUE EMPRESAS DE ÔNIBUS NÃO GOSTA DE CONTRATO:
Jilmar Tatto pegou pesado no discurso contra os empresários de ônibus, colocando a culpa de boa parte dos atuais problemas do sistema sobre a cultura empresarial.
Ele disse que a nova licitação vai discutir outras formas de remuneração. Segundo o Secretário, a reclamação dos operadores é o GPS, que mostra que as partidas não são cumpridas de acordo com o previsto no edital. Se a remuneração fosse por qualidade, eles perderiam, de acordo com Tatto.
Em encontro de secretários organizado pela Frente Nacional de Prefeitos – FNP, Tatto foi além nas críticas e disse que empresário gosta de agir sem o comprometimento de um contrato:
“Pela minha experiência, eu acho que empresário de ônibus não gosta de contrato de longo prazo. Ouso dizer que às vezes não gosta nem de contrato. Gosta de credenciamento, aquela coisa emergencial.”
Sobre a CPI, Tatto diz que a atual administração não tem nada a temer.
Mudando de discurso completamente depois das pressões populares, o secretário municipal de transportes espera que a CPI ajude dar um salto de qualidade nos transportes.
Antes das manifestações populares, Tatto sempre se colocou contra a CPI.
Considerada chapa branca, a CPI segue o modelo proposto na última hora pelo vereador governista Paulo Fiorilo (PT), que vai se limitar a análise das planilhas do sistema.
Os outros dois modelos, de Ricardo Young (PPS) – oposição- e de Paulo Frange (PTB) – sustentação – previam investigações mais profundas sobre a qualidade dos transportes e eventuais irregularidades promovidas pelas empresas.
Nesta semana, os governistas (em especial a base petista) impediram a convocação do promotor Saad Mazloum, que investigou o sistema de transportes e achou irregularidades em quase todas as empresas de ônibus e cooperativas de São Paulo.
Entre as irregularidades apuradas por Saad Mazloum estavam suspeitas de enriquecimento ilícito, desvio de verbas e confusão jurídica envolvendo empresas do Consórcio Leste 4, como a antiga diretoria da Cooperativa Nova Aliança (que cobrava dinheiro das empresas), a Himalaia Transportes (hoje as operações são da Ambiental Transportes, do Grupo Ruas), a Novo Horizonte Transportes (empresa S.A. acusada de irregularmente operar como cooperativa) e a Happy Play Tour (empresa que ganhou a licitação como operadora, recebia repasses de quase R$ 5 milhões da Prefeitura para isso, mas não tinha nenhum ônibus em sua frota).
A ligação entre Tatto e integrantes de cooperativas e do consórcio Leste 4 chegou a ser alvo de outras investigações.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes