Tatto DESCARTA estatização de transportes e não apoia CPI

ônibus

Ônibus em São Paulo. Secretário de Transportes, Jilmar Tatto, nega “estatização” dos transportes e diz que modelo atual é adequado, necessitando apenas de melhorias. Ele não vê uma razão objetiva para CPI dos transportes. Foto: Adamo Bazani

Tatto diz que não haverá estatização de transportes em São Paulo.
Cidade deve continuar com modelo atual, com gerenciamento público e operação privada ainda mais concentrada
ADAMO BAZANI – CBN
Quem leu parte do noticiário de hoje com a manchete “Prefeitura de SP Estuda Estatizar Ônibus” deve estar atento.
A declaração de Tatto ontem, num seminário da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego – na verdade foi uma resposta formal sobre a existência de “modelos de transportes”
Na manhã desta terça-feira, dia 25 de junho, Jilmar Tatto descartou a possibilidade de estatização dos transportes em São Paulo, em entrevista à Fabíola Cidral, âncora do CBN São Paulo, produzido pela jornalista Fabiana Boa Sorte.
“Estamos abertos a ouvir todos os cenários, mas este modelo atual é indicado para São Paulo, necessitando sim de melhorias, mas estatização não”. – disse Tatto.
Ele também falou que existe o modelo misto, pelo qual a frota é pública e a administração de garagens e de mão de obra é de responsabilidade da iniciativa privada.
Mas os rumos que seguem os transportes de São Paulo estão bem longe da “estatização”.
Muito pelo contrário, o modelo da licitação, cujos contratos de R$ 46,4 bilhões por 15 anos, devem ser assinados ainda este ano, concentra ainda mais os serviços.
As oito áreas operacionais, hoje dividida em consórcios, serão administradas por apenas três SPEs – Sociedades de Propósitos Específicos.
Cada SPE pode reunir várias empresas. Mas já é certo quem serão os chefes destas três SPEs: José Ruas Vaz (Viação Cidade Dutra, ViaSul, VIP, Campo Belo, Ambiental Trans), família Saraiva (Viação Santa Brígida) e Belarmino de Ascenção Marta (Viação Sambaíba). Outras empresas, como MobiBrasil/Paratodos/VIM-Viação Metropolitana, de Niege Chaves e família, Oak Tree e Gato Preto de alas diferentes da família Gatti, entre outras, vão tentar ficar no sistema
Entre 1947 e 1993, São Paulo teve um modelo misto de transportes com a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Metropolitanos. Ela foi criada para reorganizar o sistema de transportes nos anos de 1940, quando havia disputas por linhas com maior demanda e as áreas de mais difícil tráfego e afastadas tinham pouco atendimento.
Enquanto existiu, a CMTC foi exemplo de operação e gerenciamento de rua.
Mas, por ser uma empresa pública, não foi respeitada pelos administradores públicos e sofreu grandes rombos financeiros. Desvios de recursos em dinheiro e patrimônio (até peças) e cabides de emprego eram comuns
Em 1991, a então prefeita Luiz Erundina implantou um modelo chamado de maneira equivocada de “municipalização” dos transportes. Municipalização não era porque, mesmo com a CMTC e a maior participação do poder público no gerenciamento dos transportes, as empresas particulares continuavam a atuar.
O que mudou foi a forma de remuneração. Em vez de passageiros transportados, havia outras variantes, como frota à disposição, número de viagens, quilometragem, etc.
Em várias regiões, a oferta de transportes melhorou. No entanto, os custos para a CMTC aumentaram.
O prefeito seguinte, Paulo Maluf, em vez de tentar recuperar a CMTC, entregou os serviços à iniciativa privada entre 1993 e 1994.
Se a cidade de São Paulo quisesse “estatizar” os transportes completamente, teria de comprar ao menos 15 mil veículos, entre vans, minionibus, ônibus midi, ônibus convencional, ônibus padron, ônibus de três eixos, ônibus articulados, ônibus articulados com quatro eixos e ônibus biarticulados, além de contratar pessoal, ter estrutura de garagens e manutenção e controlar completamente a bilhetagem.

TATTO NÃO VÊ MOTIVOS PARA A CPI:

O secretário municipal de Transportes, também em entrevista à Fabíola Cidral, disse que não vê motivos para instalação de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito dos Transportes. O pedido para instalação foi feito pelo vereador Ricardo Young, alegando pouca transparência na relação entre empresas e poder público má prestação de serviços.
Para que a CPI seja aprovada são necessários posicionamentos favoráveis de 28 vereadores.
Tatto diz que não há falta de transparência. Ele falou que pelo site da SPTrans é possível consultar as planilhas do sistema, mas depois voltou atrás depois da manifestação de ouvintes que disseram que não acharam os dados de maneira fácil.
Tatto explicou que em linhas gerais, os custos dos transportes são divididos em: 48% correspondentes a mão de obra, 19% de diesel e o retorno de capital dos empresários é de 6,2%.
“Isso não significa que eles lucrem isso. Depende das linhas, dos serviços que operam, dos tipos de ônibus. Assim, podem ter lucro maior ou menor que isso, mas nada que extrapole a realidade do setor” – afirmou.
Ele disse que não vê sentido numa “CPI sem objeto”.
“Qual objeto desta CPI? Não há uma irregularidade para ser investigada. Há seis meses na Secretaria de Transportes não assinamos nenhum contrato novo, nenhum aditivo. Se fosse fazer CPI deveria ser sobre as administrações de (José) Serra e (Gilberto) Kassab (ex prefeitos). Não vai ajudar a discussão sobre a mobilidade e ainda tememos que nesta CPI haja mais uma disputa política” – disse.
Ricardo Young disse que é direito da população saber para onde vai o dinheiro das passagens.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

18 comentários em Tatto DESCARTA estatização de transportes e não apoia CPI

  1. Valeu Adamo pelo esclarecimento da CMTC , quanto esse Tatto , será que ele não está equivocado com a transparência do Transporte privado , sim porque se fosse público a tarifa seria zero e ele podia trazer de volta a CMTC para organizar , o que eu percebo hoje , não em todas as linhas , mas tem umas que o percurso é menor e exige muitos ônibus , quando em tempos pretéritos as linhas eram mais longa , em compensação atendia muitos bairros ao mesmo tempo , volto a insistir de uma linha que usei muito tempo , Pq.Bristol/Praça da República , circulava pela Av. Padre Arlindo , do começo ao fim , passava pela Via Anchieta , Sacomã , Lino Coutinho , Av. D. Pedro I , Av. Dos Estados , etc , com isso servia a muitos Bairros , sei lá eu acredito que as empresas quando tomavam conta era bem melhor…..

  2. Tem que ter CPI sim. Aliás, foi na época da Marta, em que várias empresas fecharam, O Tatto era Secretário dos Transportes. Tem muito chapéu de bico que não recebeu até hoje. Eu não vou com a cara desse Cidadão. Adamo, entreviste alguns chapeus de bico e Você terá a resposta.

  3. Caio do Valle é especialista em sensacionalismo. Ninguém do meio aguenta mais as pautas idiotas dele. Não entendo como um jornal supostamente sério como o Estado de São Paulo emprega gente assim.

    • Lembrando que a opiniao e do leitor.
      O Blog Ponto de Onibus nao tem nenhum problema com o colega Caio.do Valle.
      Mas nao poderiamos impedir a manifestacao do leitor.
      Reiteramos nosso respeito ao colega Caio, ao Grupo Estado e aos nossos leitores,por isso deixamos opinioes sobre as materias.
      Nao julgamos que se tratou de ofensa pessoal.
      Mas o espaco esta aberto ao colega.
      Adamo

  4. Amigos
    Sobre o assunto, quero lembrar que a frota de Trólebus ainda dispõe de veículos pertencentes ao município de São Paulo, sendo operados pela Ambiental.
    A Renovação da frota é que leva a aquisição ser feita pela iniciativa privada, conforme o Contrato.
    Então, o sistema trólebus poderia ter usado (aproveitado) os veículos largados nas garagens e ainda em condições de uso, se assim quisessem.
    Não há interesse politico em tal assunto.
    abraços

  5. Acho que deveria ter CPI mesmo,mais deveria começar com os vereadores que levam dinheiro dos empresários do transporte,lembram de uma suposta irregularidade em Campinas de um grande grupo que opera em são paulo?Acho que tem maracutaia mesmo.Tomara que o Tatto tenha boas intenções,porque monopólio é ruim…e estamos cansados de onibus baratos e empresários com muitas linhas operando com onibus básicos,vazios e outras lotadas.Algo é eStranho o que acontece no transporte e outras Áreas.O site da sptrans não se consegue vizualizar os grupos que concorrem a licitação 2013,é lento,algumas pessoas desistem.Falta transparencia.O povo paga passagem,merece saber aonde vai os investimentos.O pedágio a mesma coisa.Como a fernão dias por exemplo se paga RS1,40 em todo trajeto?Rodovia federal.Na estadual se gasta de carro quase 100,00 até são josé do rio preto.Tem político que é dono de concessionária de rodovia.Este é o brasil….Vamos cobrar mais acho que não vai mudar muita coisa.

  6. Fabio Maia Ferreira, informou que na gestão Marta houve intervenção, mas, foi em 1984 que 17 empresas de ônibus ficaram sob INTERVENÇÃO, na época do Jânio Quadros.

  7. Quanto a CPI nos transportes, já sugeri que a Comissão da Câmara Municipal de São Paulo, faça a inspeção nas empresas de Ônibus, com Fiscais do Ministério da Fazenda, Polícia Militar, Auditores e Vereadores que tenham conhecimentos de custos no Transporte, sem a presença da SPTRANS, quem dá as coordenadas para as planilhas. Só com uma intervenção sem prévio aviso. Outra coisa as linhas que temos hoje foram implantadas há mais de dez anos, Os bairros se tornaram centros comerciais, que precisam de circulação entre bairros.

  8. Amigos, boa noite.

    Esse comentário vai dar trabalaho..

    1) TARIFA REDUZIDA ou TARIFA ZERO = A ESTATIZAÇÃO JÁ COMEÇOU.

    Conforme consta no post acima:

    “Estamos abertos a ouvir todos os cenários, mas este modelo atual é indicado para São Paulo, necessitando sim de melhorias, mas estatização não”. – disse Tatto.

    2) Corretíssimo esse modelo, principalmente o modus operandi dos corredores e o linguição ora trefegando pela Rua Tabapuã, ora batendo lata num sabadão nos corredores Santo Amaro e 9 de Julho.

    ” Ele também falou que existe o modelo misto, pelo qual a frota é pública e a administração de garagens e de mão de obra é de responsabilidade da iniciativa privada.”

    3)Esse modelo é a cara do Brasil, tem tudo, mas tudo mesmo para dar certo.

    Aqui cabe uma pergunta:

    Qual é o passivo trabalhista que a SPTrans herdou daquele monte de empresa de Buzão que naufragou há tempos atrás ??

    A obtenção dessa cifra será muiiiiiiiiiiiiito pedagógica.

    Será que o MPL sabe ?

    Será que o MPL sabe que esse passivo existe ????

    ” Muito pelo contrário, o modelo da licitação, cujos contratos de R$ 46,4 bilhões por 15 anos, devem ser assinados ainda este ano, concentra ainda mais os serviços.”

    4) Esse ano ???

    Que isso. Esse ano ? Esse ano já acabou.

    Qualquer mandado de segurança, já jogará essa licitação para o segundo semestre de 2014 e olha lá heim.

    P R E V I S Í V E L LLLLLLLLLLL

    “Cada SPE pode reunir várias empresas. Mas já é certo quem serão os chefes destas três SPEs. ”

    5) Certame dirigido ?

    Ahhhhh, não né; pilotado.

    Quem sabe não fica tudo na mão do SPE-4 …

    6) CMTC, desapeguem, isto é passado.

    ” Se a cidade de São Paulo quisesse “estatizar” os transportes completamente, teria de comprar ao menos 15 mil veículos…”

    7) Que nada, confisca, desapropria, é só pagar.

    “O secretário municipal de Transportes, também em entrevista à Fabíola Cidral, disse que não vê motivos para instalação de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito dos Transportes.”

    “Ele disse que não vê sentido numa “CPI sem objeto”.
    “Qual objeto desta CPI? Não há uma irregularidade para ser investigada. Há seis meses na Secretaria de Transportes não assinamos nenhum contrato novo, nenhum aditivo”

    8) Nem eu, não há motivos para tal; tá tudo belezinha; nem Buzão SUJO internamente tem.

    Objeto ? Que isso ?

    O único objeto que tem é o Buzão.

    “SE LHE PEDIREM PARA SER VARREDOR DE RUAS, VARRA AS RUAS COMO MICHELANGELO PINTAVA, COMO BETHOVEN COMPUNHA OU COMO SHAKESPEARE ESCREVIA.”

    Martín Luther King

    Att,

    Paulo Gil

    • Paulo Gil,
      Voce tem razão, na época do Janio Quadros na Prefeitura, a CMTC encampou a Viação Brasilia e usou sua frota e operou suas linhas e pagou conforme Processo Judicial instalado.
      abs

      • Lembrando que ainda tem restos da antiga frota da Viação Brasília mofando lá na garagem Araguaia. Bom e já pensou o quanto a Prefeitura gastaria para comprar os tais 15 mil ônibus? e quando expirar os 10 anos vão ficar mofando nos pátios por aí por mais de 15 anos aguardando leilão (isso se houver renovação)? quanto gastaria ao todo com funcionários? quantos cobradores perderiam seus empregos caso a passagem tornasse gratuita?

      • Jair, boa noite.

        Você entende tudo do Buzão, heim.

        Eu não tinha lembrado da Viação Brasilia, mas o esquema é idêntico
        e pau na máquina.

        Abçs,

        Paulo Gil

      • Luizinho, boa noite.

        Ótima informação, isso demonstra como tudo é gerido.

        Desculpe meu desconhecimento, mas aonde fica a garagem Araguaia ?

        Dinheiro tem de sobra não se preocupe, depois de 10 anos compra tudo novo, lembra das grandes compras da CMTC em 1978 tinha O-362 zeradinho em todo canto.

        O gasto com colaboradores existia ontem, existe hoje e existirá amanhã; assim enquanto não tivermos Buzão “driver less” haverá esse custo.

        Quanto ao fim da profissão de cobrador de Buzão, este é irreversível, ela acabará por si só e isto será bom pois estes profissionais passaram a exercer novas funções e muitos deles poderão até ganhar mais.

        Não pensemos nessa questão com mentalidade CMTC.

        Não sou capaz e nem quero acabar com nenhuma profissão e muito menos tirar o pão da boca de ninguém, mas esta já é uma realidade que os cobradores tem de entender, e partir para outra área o quanto antes, pois aquele monte de ferro retorcido ao redor da catraca e a própria catraca serão eliminados em muito pouco tempo.

        Alguém ainda manda TELEX (tem gente que nem sabe o que é isso); então havia a profissão de operador de telex, porém esta foi eliminada em função do fax.

        E se não fosse pelo FAX, seria pelo e-mail, portanto TUDO MUDO, exceto o Buzão de Sampa, nem de cor não muda mais.

        Abçs,

        Paulo Gil

  9. Amigos, boa noite

    Ops, falei que ia dar trabalho esse comentário, faltou algo importantíssimo, uma correção:

    Conforme consta no post acima:

    “Cidade deve continuar com modelo atual, com gerenciamento público e operação privada ainda mais concentrada”

    Na verdade, o correto é:

    Com gerenciamento privada e operação pública (não tem dono e todo mundo faz o que quer).

    Att,

    Paulo Gil

    • Paulo Gil,
      Desculpe a intromissão.
      A antiga garagem da CMTC ganhou o nome de Araguaia usando o nome da rua onde ela estava. A Rua Araguaia fica atraz do Museu da CMTC uns 2km + ou -, antigo ponto final da linha de bonde Canindé.
      Era muito versatil, pois, abrigou Onibus Diversos e Bondes e quando estes foram extintos foi reformada somente para onibus, tendo abrigado uma grande frota de 0-362 dos 2.000 comprados pelo então prefeito Setubal.
      Foto frontal aérea da Garagem antiga pode ser visto no site Toffobus.
      abs

  10. Precisamos fazer passeatas, pedindo a saída do senho Gilmar Tatto, a CPI em nada atrapalha o andamento do transporte em SP, apenas incomoda aqueles que tem rabo preso, vamos abrir a caixa preta e vamos ver de quem são os rabos presos.

  11. até quando vai ficar aquele monte de ferro velho na garagem araguaia…
    tudo o que nao presta fica no canindé
    qual a proxima novidade…

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