Historiadores querem preservar “ponto mais antigo” de São Paulo

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Ônibus GM ODC 210, da CMTC, com motor Alfa Romeo. Veículo trafegou na época quando foi erguido o ponto de ônibus mais antigo de São Paulo, ainda em funcionamento. Acervo – Museu Gaetano Ferola/Museu da CMTC

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Ponto na Lapa foi “descoberto” por historiadores e remete aos anos de 1950, época que a cidade passava por transformações e os transportes, ligados diretamente ao dia a dia das pessoas, também se modificavam. Foto: São Paulo Antiga.

Historiadores querem preservação do “ponto mais antigo de São Paulo”
Estrutura fica na Lapa e foi construída pela CMTC nos anos de 1950
ADAMO BAZANI – CBN
Na Praça Coronel Cipriano de Morais, no bairro da Lapa, zona Oeste de São Paulo, historiadores do Grupo São Paulo Antiga “descobriram” o que julgam ser o ponto de ônibus mais antigo de São Paulo ainda em funcionamento. É uma estrutura dos anos de 1950, que, segundo os pesquisadores, é típica da arquitetura da época do IV Centenário de São Paulo, completado em 1954.
Feito de concreto, com seis pilares em V, o equipamento foi feito pela CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, que operava linhas de ônibus e gerenciava o sistema até 1995. Em 1993, na gestão de Paulo Maluf, foi dado início à privatização da CMTC. A parte operacional foi passada para a iniciativa privada entre 1993 e 1994, com a concessão de linhas e leilões de ônibus (os trólebus foram a última etapa do processo operacional) e a gestão do sistema começou a ser feita em 1995 pela SPTrans – São Paulo Transportes, de economia mista.
Ao jornal O Estado de São Paulo, o autor do site São Paulo Antiga, Douglas Nascimento, disse que o ponto na Lapa faz parte da história dos transportes coletivos da cidade e que deve ser preservado.
Esse abrigo de passageiros não é apenas mais um. É um sobrevivente vivo e funcional da história do transporte coletivo em nossa cidade”, afirma o jornalista Douglas Nascimento, autor do site. “Faço um apelo para nossas autoridades: vamos não só manter o abrigo como tombá-lo como parte da memória paulistana.”
Na época que se estima quando foi erguido o ponto, a cidade de São Paulo estava em plena transformação, no caminho para se tornar uma das maiores metrópoles do mundo.
E como os transportes refletem o dia a dia das pessoas, por isso a importância de preservar a memória do setor, os serviços de ônibus estavam se reorganizando.
A CMTC, fundada em 1946 e que começou a operar em 1947, ainda era uma novata e foi criada para esta reorganização. Era uma novata cheia de bagagem e que daria ao mundo uma lição de operação a até mesmo produção de ônibus e componentes de transportes coletivos. As oficinas da CMTC não ficavam para trás de nenhuma fábrica de carrocerias e chassi. Pelo contrário, a indústria não só de ônibus, mas automotiva em geral, aprendeu muito com a CMTC que trazia para as oficinas as experiências das ruas.
Pela CMTC vieram os primeiros trólebus, circularam os inovadores modelos para época GM ODC – 210, os ônibus pioneiros em São Paulo movidos a combustíveis alternativos ao petróleo e ônibus, linhas e histórias foram construídas.
A história permanece, mas a empresa foi destruída pela má administração do dinheiro público (que por ser do público há quem pensa que não seja de ninguém), pela ganância de administradores públicos e privados e pelo total desrespeito à população, algo que, infelizmente, também faz parte de nossa história.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

20 comentários em Historiadores querem preservar “ponto mais antigo” de São Paulo

  1. Dá de 1000 a 0 nos atuais pontos afrescalhados e pouco práticos que estão sendo instalados. Jamais estes arremedos de pontos vão durar mais de 60 anos como este.
    Tirando a roubalheira dá vontade de gritar: Vooooooolta CMTC

  2. Concordo plenamente com o comentário do Jeremias Souza

  3. Esse, sim, é Ponto de ônibus. Dá vontade de chorar.

  4. Amigos, bom dia

    Linda foto e o buzão.

    Observo que já era motor traseiro.

    Sensacional a descoberta do ponto do Buzão.

    Por outro lado, a existência (sobrevivência) do ponto comprova que a incompetência da administração pública é perpétua, pois o tal ponto não foi preservado não.

    Não foi demolido por ingerência, relaxo, e incompetência administrativa.

    Rssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

    Previsível.

    Com certeza quem esqueceu, na gaveta, a ordem de serviço na para demolição deste ponto,
    já deve ter morrido, portanto não haverá de ser apurada a responsabilidade do servidor.

    Contem com a minha assinatura para tombar esse ponto de Buzão, digo Monumento.

    Como diria um Professor meu amigo:

    “HÁ MALAS QUE VÃO PARA BELÉM”

    Att,

    Paulo Gil

    • Paulo Gil,
      Nos anos 50, vários dos ônibus novos da CMTC eram de motor trazeiro (Alfa Romeu Siccar e GMC Old Look TDH 4108 GM ODC 210) ou central (Twin), sendo que dois deles tinham câmbio hidramáticos (GMC e Twuin).
      Nas empresas particulares, aqui na Capital, também tínhamos além dos ODC 210 (foto) os volvos, Bussing e Leyland com motores centrais.
      Eram formidáveis em conforto e maciez de suspensão, somente superado pelos trólebus.
      abs

  5. Comlementando:

    Por que a GM não volta a fabricar Buzão, seria “di mais” uns GM´s Buzões
    novamente, circulando em Sampa.

    Os Buzões chineses tem motor GM, sinal de inteligência.

    Abçs,

    Paulo Gil

  6. Tombamento nele. Um povo só consegue encontrar razão e autenticidade nas suas buscas e nos seus caminhos se conseguir entender também o seu passado, e numa região essencialmente metropolitana parece que os detalhes vão embora a 100 Kms por hora…

  7. Isso é muito lindo e já mostrava para nós hoje ,que esse tipo é o ideal , a prova de vandalismo e cobertura digna para quem passa tempos na espera do ônibus.

  8. Adamo,
    Permita-me, neste excelente tema, dar alguma contribuição:
    O abrigo para o ponto de onibus fabricado pela CMTC incluía reciclagem de materiais, como por exemplo a cobertura, que aproveitava partes das carroçarias dos veículos baixados.
    Quanto ao veículo da foto, foi o mais versátil ônibus que a CMTC teve.
    Depois de seu uso normal, foi repotencializado com motores Cummis e FNM.
    Foi em cima de seu chassi que foram desenvolvidos os primeiros trólebus fabricados no Brasil, com um primeiro momento sendo usado com a simples colocação dos componentes elétricos dos trólebus Westran em substituição dos motores diesel (veículos 3010 e 3019), e com a aprovação, toda a frota de Westran e Uerdigem tiveram seus componentes colocados sobre o chassi do GM
    ODC 210 e sua carroceria substituída pelo modelo MONIKA também montado na CMTC.
    Após esta fase iniciou-se a montagem de equipamentos elétricos nacionais Villares, ficando conhecidos como Vilarinhos a partir de então.
    Outro detalhe desse ônibus é que sua carroceria também foi reaproveitada no encarroçamento de chassis Scania B-75 zero quilometro. Posteriormente também foram substituídas pelo modelo Monika, que era o padrão CMTC na época.
    obrigado

    • Jair, boa noite.

      Já percebi que o senhor conhece muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito da arte do Buzão.

      Motor Cummins é o bicho.

      Acredita que há uns 10 minutos atrás, fuçando no mercado livre, encontrei
      um Monika 321 para vender e funcionando.

      Pode contar tudo o que aprendeu e sabe, que vamos adorar.

      Abçs,

      Paulo Gil

      • Paulo Gil,
        Por incrível que pareça, essa carroçaria de alumínio como as que eram feitas pela CMTC tem muita qualidade do material empregado e quanto a mecânica do MB 321 dispõe de peças no mercado. Assim, não me surpreende o fato de existir unidades ainda em condições de uso pelo nosso Pais gigante.
        Quanto minha paixão pelos meios de transporte é coisa inexplicável, e em especial pela CMTC e sua frota. Acho que tenho tudo na ponta da língua (força de expressão).
        Quando houver o encontro dos busófilos ( sugerida por você), e espero que seja no Museu da CMTC, aproveitaremos para bater bons papos.
        Abraços

  9. Boa Tarde. Mas acho que vi outro ponto parecido com esse numa travessa da Av. Tiradentes no Bairro da luz, se não me engano. Fica ali perto do quartel da cavalaria.

  10. Ja andei nesse tipo de onibus e com o mesmo ponto ai da foto nos anos 60. Era o ponto inicial da linha VILA DIVA X LARGO DO PAISSANDU da viação cometa urbana em são paulo.

  11. Francisco Chiquinho // 24 de maio de 2014 às 21:10 // Responder

    Essa cobertura para ponto de ônibus e muito mais resistente que aquelas(mesmo estilo) que existiam no centro até a parte superior é alvenaria !!!!

    • Ola Francisco Chiquinho!! Sera que voce é o mesmo cara que manda mensagens pro programa Estadão noticias da radio estadão? onde os apresentadores é o geraldo nunes e norberto notari ? Eu sou o ZÉ MARIA CONDE. Um abraço

  12. EDGAR TOLENTINO RODRIGUES // 5 de agosto de 2014 às 20:47 // Responder

    trabalhei na decada de 70 na cmtc e sria interessante preservar a memoria paulistana sem um planejamento turistico que os seus moradores possam conhecer. acho um absurdo não haver
    nenhuma informaçao ao publico sob o primeiro polo cinematografico do pais o famoso pavilhao vera cruz em sao bernardo do campo

  13. Na São Paulo de hoje, com certeza, em poucos dias, esse belo abrigo se transformaria numa “residência para os moradores de rua”. Bastaria fechar as laterais com plásticos, como costumam fazer. Tenho muito orgulho em ser paulistana mas, a cidade anda totalmente abandonada e suja. Não existe mais passeio público. as calçadas dos grandes centros, principalmente, viraram o submundo da pobreza e da indignidade humana. Maquiagem não resolve o problema. É deprimente!!!

  14. Apesar dos desencontros, amo São Paulo. Meu pai foi mecânico da CMTC contribuindo para o crescimento da “cidade da garoa”. Seus amigos, parentes e agregados faziam parte da “família cmtc” também. Estavam sempre juntos em reuniões de confraternização dos empregados da oficina / garagem. Lembro-me de uma festa natalina no Estádio Pacaembu. Hoje trabalho coladinha ao Clube CMTC e sinto muito nostalgia ao passar diante do Museu. É como se o tempo voltasse. Foi um período áureo e auspicioso da sociedade paulistana. Eu era bem criança num tempo em que havia infância. Bons tempos!

  15. valdir antonio andrioli da silva // 11 de fevereiro de 2016 às 10:49 // Responder

    CMTC ,não houve e nunca havera empresa melhor que ela,saudades

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