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Pelo menos 140 ônibus do Grupo Amaral não têm condições de voltar para as ruas

De acordo com o Governo do Distrito Federal, pelo menos 140 ônibus do Grupo Amaral, que teve três empresas submetidas à intervenção, estão sem nenhuma condição de rodar. Para restabelecer os serviços e recuperar as empresas, o poder público deve investir R$ 15 milhões em 90 dias.

Pelo menos 140 ônibus do Grupo Amaral estão irrecuperáveis
Há também um déficit de mil pneus adequados para a frota. Investimentos da TCB e do DFTrans devem ser de R$ 15 milhões
ADAMO BAZANI – CBN
Relatório divulgado pela TCB – Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília Ltda, empresa pública que assumiu as operações de três companhias do Grupo Amaral, dá conta de que pelo menos 140 ônibus dos 446 da Rápido Veneza, Viva Brasília e Rápido Brasília estão em condições tão ruins que não podem sequer voltar a operar.
Os defeitos mecânicos e o descuido são tão graves, além da idade dos veículos ser avançada e haver problemas de documentação, que segundo a TCB, os ônibus devem ser encostados e só servem para ferro velho ou para aproveitamento de algumas peças ainda em estado razoável de uso.
Nesta segunda-feira, dia 04 de março de 2013, a TCB ampliou a frota para o Paranoá e São Sebastião em 50 veículos, usando ônibus próprios ou remanejados de linhas como de Ceilândia e Taguatinga.
No Paranoá, a frota subiu de 35 para 50 ônibus e em São Sebastião de 45 para 80 veículos.
Mas não são apenas os ônibus velhos que vão exigir esforços do Governo Federal, que na última segunda-feira, dia 25 de fevereiro, revogou os contratos de permissão das empresas do Grupo Amaral.
Faltam peças e componentes mesmo para os veículos que oferecem mínimas condições de rodagem. Já foram enviados 163 pneus para as frotas, mas serão necessários no mínimo, mil compostos.
Outras linhas também terão de ser reforçadas, e em breve, as regiões de Planaltina, Vale do Amanhecer e Sobradinho devem ter mais ônibus.
O Governo do Distrito Federal deverá investir aproximadamente R$ 15 milhões para o restabelecimento operacional e financeiro das três empresas do Grupo Amaral.
As companhias operavam com número bem inferior ao estipulado nos contratos de permissão. Rápido Veneza, Viva Brasília e Rápido Brasília deveriam atender mensalmente a 2,5 milhões de pessoas, o que representa 15% da demanda do transporte coletivo do Distrito Federal, com 350 ônibus. Mas o DFTrans – Distrito Federal Transportes – só constatou a operação de 186 ônibus.
Enquanto a intervenção ocorrer, TCB e DFTrans podem ocupar as garagens das companhias de ônibus e usar bens móveis,administração e mão de obra das viações. Os valores arrecadados com as tarifas serão depositados em uma conta especial e só poderão ser usados para as despesas correntes e para reestruturação financeira das empresas de ônibus.
Os funcionários da Rápido Veneza, Viva Brasília e Rápido Brasília continuam empregados e vão ter restabelecidos e corrigidos os depósitos do FGTS que não erma mais realizados.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes do Distrito Federal, Wagner Canhedo, que inclusive aparece entre os maiores devedores trabalhistas do País segundo o Tribunal Superior do Trabalho, saiu em defesa do Grupo Amaral. Ao G 1 Brasília, classificou o ato de intervenção das três empresas de ônibus como “absurdo”.
“O sindicato é contra esse absurdo que o governo está fazendo de intervir, porque é ele mesmo quem está causando essa descontinuidade e esse mau serviço prestado pelas empresas com o congelamento da tarifa há sete anos”, disse. Canhedo calcula que as tarifas precisariam ser reajustadas em 50% para que o sistema se equilibre. Assim, segundo ele, os passageiros poderiam ter de pagar até R$ 4,50 para andar nos ônibus nas atuais condições até que o sistema melhore.
O Grupo Amaral afirmou em nota que a intervenção com a revogação dos contratos foi injusta, arbitrária e ilegal e que entrará na Justiça contra o ato do Governo do Distrito Federal.
O Governo do Distrito Federal afirma que deu chances para as empresas se recuperarem e cumprirem as exigências para a prestação de serviços. Inclusive foi assinado um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público para aumentar a frota, mas o que ocorreu, segundo o poder público, foi uma redução.
As suspeitas de irregularidades na distribuição da frota das companhias lideradas por Dalmo Amaral foram reforçadas no último dia 13 de fevereiro de 2013, quarta-feira.
O DFTrans apurou que ônibus do sistema do Distrito Federal estavam sendo descaracterizados para operarem em Goiás, quando o DFTrans havia proibido o grupo de operar fora do Distrito com estes veículos.
O Governo também acusa o Grupo Amaral de deslocar para outras regiões peças e equipamentos dos veículos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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