A migração do ônibus para o metrô, nestes moldes, tem sido positiva?

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Ônibus têm perdido passageiros para os sistemas de metrô, segundo a Prefeitura de São Paulo. Mas isso não é motivo de comemoração, já que tem havido pouca migração do transporte individual para o coletivo. Foto: Adamo Bazani

Cai número de passageiros nos ônibus de São Paulo
O problema é que tem havido migração do sistema sobre pneus para o sistema sobre trilhos enquanto que o transporte coletivo ainda não atrai quem usa o transporte individual, que realmente traz problemas para a cidade
ADAMO BAZANI – CBN
O número de passageiros transportados em 2012 pelos ônibus municipais de São Paulo registrou queda pela primeira vez desde de 2004, quando foi implantado o Bilhete Único, segundo dados da SPTrans – São Paulo Transportes, gerenciadora do sistema.
Em 2012 foram registrados 2 bilhões 915 milhões 95 mil 738 passageiros ante 2 bilhões 940 milhões 855 mil 147 de 2011.
A diferença é de 24 milhões 929 mil 708 passageiros a menos de 2011 para 2012.
A principal justificativa da Prefeitura de São Paulo é que tem havido uma migração de parte dos passageiros dos ônibus para os sistemas metroferroviários.
E realmente, as cidades precisam de ampliação das redes de trilhos. No entanto, o que em tese parece ser uma boa notícia revela preocupação.
É indiscutível que em muitas ligações os sistemas de trilhos, pela sua maior capacidade, são mais eficientes e desafogam o trânsito conturbado de uma cidade como São Paulo.
Mas, além de o ônibus nunca perder sua importância, já que atende plenamente demandas médias se tiver prioridade no espaço urbano, como em corredores, e do fato de o ônibus chegar a locais onde o metroferroviário não consegue atingir, o que tem ocorrido em São Paulo é uma migração do transporte público para o transporte público.
Isto é, o principal objetivo de uma expansão seja de metrô ou de corredores de ônibus ainda não tem sido alcançado, que é diminuir a quantidade em circulação de carros de passeio, que ocupam mais espaço, poluem mais (pela sua quantidade) e transportam individualmente menos gente.
Os dados do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito mostram esta realidade. Entre 2001 e 2011, período de 10 anos, a frota de veículos em São Paulo cresceu 77%, o que representa um acréscimo de 34,4 milhões de veículos na Capital Paulista neste prazo. No mesmo período, segundo o IBGE, a população em São Paulo cresceu 7,9%.
Ou seja, São Paulo tem se tornado realmente uma cidade para carros e não para pessoas.
Há fatores também que não podem ser desprezados, como aumento da renda, mudanças de perfis de deslocamentos e até culturais que acabam refletindo nos índices de trânsito e congestionamento.
O problema é que este percentual de carro tem sido usado para deslocamentos fixos que poderiam ser feitos por transporte público, isso se a malha de corredores de ônibus e de metrô fosse mais ampla e eficiente.
E para transferir pessoas do carro para o ônibus ou metrô, são necessários investimentos e, em muitos casos, atitudes de coragem que exigem escolhas: priorizar o transporte coletivo no espaço urbano. E para isso, inevitavelmente, o espaço dos carros acaba sendo reduzido.
Além disso, apesar de ser louvável a expansão do metrô em São Paulo, ela se dá em ritmo muito lento. Mais lento que a transferência de parte da demanda de passageiros dos ônibus para os trilhos.
O resultado pode ser visto: estações cada vez mais superlotadas, dada também a lógica de algumas integrações entre as linhas de metrô que ainda teima escolher estações e terminais em saturação, sendo que poderia haver outras opções de interligação para não sobrecarregar somente poucos pontos.
Assim, é de se comemorar que o sistema de trilhos atraia mais gente. Mas a migração de transporte público para transporte público com poucos efeitos sobre quem anda só de carro não traz tantos benefícios para a mobilidade urbana.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

4 comentários em A migração do ônibus para o metrô, nestes moldes, tem sido positiva?

  1. O que a SPTrans esqueceu de explicar é que a passagem dos trilhos está a mesma dos ônibus e que ela tem OBRIGADO os passageiros dos onibus a migrar para os trilhos atraves de cancelamentos e cortes drásticos de linhas importantes nos entornos das estações metroferroviárias. Com isso as integrações entre onibus passou a ser dividida com os trilhos. O pior de tudo, é que com isso algumas regiões começam a ficar sem transporte fácil, aumentando a necessidade de carros de passeio. Um exemplo simples é a região de Pinheiros / Clínicas. Quem mora no Campo Limpo / Vila Sônia não tem mais ligação direta com a rua Teodoro Sampaio. Com isso ou se vai de carro, ou de linhas da EMTU, que são mais caras.

  2. Ótima observação sobre “algumas integrações entre as linhas de metrô que ainda teima escolher estações e terminais em saturação”.
    Se sair mesmo a CPTM/Bom Retiro de integração em novo e importante ponto, isto deverá mudar e pra melhor.

    Faltou falar da pouco interesse da SPTRANS e EMTU em redistribuir suas linhas em função das estações. Criando linhas novas e desativando as redundantes/ociosas. Melhorando o trânsito em geral, a capilaridade das linhas e – acredito – conquistando novos usuários de ônibus.

    Tirar carros das ruas significa oferecer SOLUÇÃO de mobilidade por preço justo em tempo melhor nos deslocamentos. Acredito que na RMSP só se consegue com [metroferroviário+ônibus].

    • Luiz Vilela, bom dia

      Bom rever que você está “rodando” pelo Blog,
      com seus sábios comentários.

      O Buzão queima em Santa Catarina, mas o Blog aqui é que
      está quente.

      Continue rodando por aqui.

      Abçs,

      Paulo Gil

  3. Amigos, bom dia

    Deu a lógica.

    E se continuarem a nos atender mal como ainda continuam fazendo, vai cair mais ainda.

    Fora a lerdeza do Buzão.

    Aprendam o mercado manda.

    “É a lei da oferta e da procura”

    Monopólios não são eternos.

    Att,

    Paulo Gil

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