A migração do ônibus para o metrô, nestes moldes, tem sido positiva?

Publicado em: 10 de fevereiro de 2013

ônibus

Ônibus têm perdido passageiros para os sistemas de metrô, segundo a Prefeitura de São Paulo. Mas isso não é motivo de comemoração, já que tem havido pouca migração do transporte individual para o coletivo. Foto: Adamo Bazani

Cai número de passageiros nos ônibus de São Paulo
O problema é que tem havido migração do sistema sobre pneus para o sistema sobre trilhos enquanto que o transporte coletivo ainda não atrai quem usa o transporte individual, que realmente traz problemas para a cidade
ADAMO BAZANI – CBN
O número de passageiros transportados em 2012 pelos ônibus municipais de São Paulo registrou queda pela primeira vez desde de 2004, quando foi implantado o Bilhete Único, segundo dados da SPTrans – São Paulo Transportes, gerenciadora do sistema.
Em 2012 foram registrados 2 bilhões 915 milhões 95 mil 738 passageiros ante 2 bilhões 940 milhões 855 mil 147 de 2011.
A diferença é de 24 milhões 929 mil 708 passageiros a menos de 2011 para 2012.
A principal justificativa da Prefeitura de São Paulo é que tem havido uma migração de parte dos passageiros dos ônibus para os sistemas metroferroviários.
E realmente, as cidades precisam de ampliação das redes de trilhos. No entanto, o que em tese parece ser uma boa notícia revela preocupação.
É indiscutível que em muitas ligações os sistemas de trilhos, pela sua maior capacidade, são mais eficientes e desafogam o trânsito conturbado de uma cidade como São Paulo.
Mas, além de o ônibus nunca perder sua importância, já que atende plenamente demandas médias se tiver prioridade no espaço urbano, como em corredores, e do fato de o ônibus chegar a locais onde o metroferroviário não consegue atingir, o que tem ocorrido em São Paulo é uma migração do transporte público para o transporte público.
Isto é, o principal objetivo de uma expansão seja de metrô ou de corredores de ônibus ainda não tem sido alcançado, que é diminuir a quantidade em circulação de carros de passeio, que ocupam mais espaço, poluem mais (pela sua quantidade) e transportam individualmente menos gente.
Os dados do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito mostram esta realidade. Entre 2001 e 2011, período de 10 anos, a frota de veículos em São Paulo cresceu 77%, o que representa um acréscimo de 34,4 milhões de veículos na Capital Paulista neste prazo. No mesmo período, segundo o IBGE, a população em São Paulo cresceu 7,9%.
Ou seja, São Paulo tem se tornado realmente uma cidade para carros e não para pessoas.
Há fatores também que não podem ser desprezados, como aumento da renda, mudanças de perfis de deslocamentos e até culturais que acabam refletindo nos índices de trânsito e congestionamento.
O problema é que este percentual de carro tem sido usado para deslocamentos fixos que poderiam ser feitos por transporte público, isso se a malha de corredores de ônibus e de metrô fosse mais ampla e eficiente.
E para transferir pessoas do carro para o ônibus ou metrô, são necessários investimentos e, em muitos casos, atitudes de coragem que exigem escolhas: priorizar o transporte coletivo no espaço urbano. E para isso, inevitavelmente, o espaço dos carros acaba sendo reduzido.
Além disso, apesar de ser louvável a expansão do metrô em São Paulo, ela se dá em ritmo muito lento. Mais lento que a transferência de parte da demanda de passageiros dos ônibus para os trilhos.
O resultado pode ser visto: estações cada vez mais superlotadas, dada também a lógica de algumas integrações entre as linhas de metrô que ainda teima escolher estações e terminais em saturação, sendo que poderia haver outras opções de interligação para não sobrecarregar somente poucos pontos.
Assim, é de se comemorar que o sistema de trilhos atraia mais gente. Mas a migração de transporte público para transporte público com poucos efeitos sobre quem anda só de carro não traz tantos benefícios para a mobilidade urbana.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

Comentários

  1. O que a SPTrans esqueceu de explicar é que a passagem dos trilhos está a mesma dos ônibus e que ela tem OBRIGADO os passageiros dos onibus a migrar para os trilhos atraves de cancelamentos e cortes drásticos de linhas importantes nos entornos das estações metroferroviárias. Com isso as integrações entre onibus passou a ser dividida com os trilhos. O pior de tudo, é que com isso algumas regiões começam a ficar sem transporte fácil, aumentando a necessidade de carros de passeio. Um exemplo simples é a região de Pinheiros / Clínicas. Quem mora no Campo Limpo / Vila Sônia não tem mais ligação direta com a rua Teodoro Sampaio. Com isso ou se vai de carro, ou de linhas da EMTU, que são mais caras.

  2. Luiz Vilela disse:

    Ótima observação sobre “algumas integrações entre as linhas de metrô que ainda teima escolher estações e terminais em saturação”.
    Se sair mesmo a CPTM/Bom Retiro de integração em novo e importante ponto, isto deverá mudar e pra melhor.

    Faltou falar da pouco interesse da SPTRANS e EMTU em redistribuir suas linhas em função das estações. Criando linhas novas e desativando as redundantes/ociosas. Melhorando o trânsito em geral, a capilaridade das linhas e – acredito – conquistando novos usuários de ônibus.

    Tirar carros das ruas significa oferecer SOLUÇÃO de mobilidade por preço justo em tempo melhor nos deslocamentos. Acredito que na RMSP só se consegue com [metroferroviário+ônibus].

    1. Paulo Gil disse:

      Luiz Vilela, bom dia

      Bom rever que você está “rodando” pelo Blog,
      com seus sábios comentários.

      O Buzão queima em Santa Catarina, mas o Blog aqui é que
      está quente.

      Continue rodando por aqui.

      Abçs,

      Paulo Gil

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia

    Deu a lógica.

    E se continuarem a nos atender mal como ainda continuam fazendo, vai cair mais ainda.

    Fora a lerdeza do Buzão.

    Aprendam o mercado manda.

    “É a lei da oferta e da procura”

    Monopólios não são eternos.

    Att,

    Paulo Gil

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