Empresas de Curitiba querem passagem de ônibus a R$ 3,10

Empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana querem aumento das passagens para R$ 3,10. Segundo elas, a atual tarifa coloca em risco os investimentos e as integrações entre os ônibus da Capital e dos Municípios Vizinhos. Companhias também reclamam de falta de investimentos do poder público. Muitos dos novos ônibus biarticulados de 28 metros estão encostados nas garagens porque as estações-tubo e corredores não foram adaptados para as dimensões dos veículos.

Empresas de Curitiba querem tarifa de R$ 3,10
Segundo as companhias de ônibus, valor atual e subsídios não cobrem custos do sistema e impedem investimentos
ADAMO BAZANI – CBN
As empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, pelo Setransp – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros – iniciaram uma campanha para o aumento das passagens.
As companhias de ônibus querem tarifa no valor de R$ 3,10. Atualmente, a passagem nos municípios que formam a RIT – Rede Integrada de Transporte é de R$ 2,60, mas a tarifa técnica, que se refere aos custos do sistema e que é recebida pelas empresas é de R$ 2,89.
Mesmo assim, o Setransp diz que a situação das empresas é difícil e que as integrações, principalmente entres os ônibus municipais de Curitiba e os de cidades vizinhas, e os investimentos devem ficar comprometidos se não houver o reajuste.
No final deste ano de 2012, o prefeito de Curitiba, Gustavo Freut, tentou prorrogar os subsídios de R$ 64 milhões para manter a tarifa em R$ 2,60 e as integrações com os ônibus metropolitanos.
O governador Beto Richa não deu uma resposta sobre a manutenção do subsídio que se encerra em abril.
INVESTIMENTOS:
As empresas de ônibus também reclamam que desde quando foi realizada a licitação dos serviços da Capital Paranaense, há cerca de dois anos, as viações investiram aproximadamente R$ 600 milhões sem contrapartida do poder público.
De acordo com o Setransp, há empresas que compraram os novos biarticulados de 28 metros, considerados o modelo de maior ônibus do mundo, e que tiveram de encostar os veículos nas garagens pelo fato de nem todos os corredores e as estações-tubo terem recebido as adaptações necessárias para comportarem os ônibus destas dimensões.
A bilhetagem eletrônica também é outra reclamação das empresas que a consideram atrasada, ineficiente, inadequada, cara e que apresenta muitos problemas técnicos.
A situação das empresas quase comprometeu o pagamento do 13º salário dos motoristas e cobradores de Curitiba e Região Metropolitana. A categoria ameaçou entrar em greve e depois de negociações, o Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região e o Setransp acertaram o pagamento do 13º em parcelas.
Investimentos em frota e tecnologia, como colocação de aparelhos de TV dentro do ônibus, também estariam ameaçados de acordo com o manifesto das viações.
O valor de R$ 3,10, segundo o Setransp, foi calculado por estudos encomendados e pagos pelas empresas à Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP – Universidade de São Paulo.
O sistema de ônibus de Curitiba e região metropolitana é considerado modelo de transportes para diversas partes do mundo. Os corredores exclusivos e as estações-tubo, que permitem pagamento de passagem antes da entrada no ônibus e embarque no mesmo nível do assoalho do veículo, além das integrações são destaque.
Diferentemente de outras cidades que limitam as integrações pelo número de viagens e por um tempo determinado, em Curitiba e Região Metropolitana é possível usar quantos ônibus forem necessários por tempo ilimitado pelos terminais e estações-tubo ao longo de boa parte das linhas.
A RIT – Rede Integrada de Transporte – une 14 cidades: Curitiba, Araucária, Fazenda Rio Grande, Campo Largo, Campo Magro, Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Almirante Tamandaré, Colombo, Bocaiúva do Sul, Pinhais, Piraquara, São José dos Pinhais, Contenda.
Apesar de o sistema ser referencial para diversos modelos de transportes, há reclamações por parte dos usuários, principalmente tocante à lotação dos ônibus de linhas troncais e ligeirinhos e o intervalo entre os ônibus de algumas linhas do serviço convencional, que não serve as estações-tubo.
SÃO PAULO:
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, deve anunciar nos próximos dias aumento da passagem de ônibus. Em 2012, ano eleitoral, o então prefeito, Gilberto Kassab, congelou as tarifas. Em contrapartida, aumentou os subsídios às empresas de ônibus.
Para 2013, o Orçamento aprovado pela Prefeitura e Câmara Municipal prevê subsídios menores.
Haddad já declarou que devido a isso e ao congelamento não terá como evitar o reajuste das passagens, já que desde o último aumento, em 2011, os custos dos transportes aumentaram e agora devem ser repassados para o bolso dos passageiros.
A cidade de São Paulo permite, como o Bilhete Único, integração com o metrô e os trens da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e o uso de 4 viagens de ônibus num período de três horas.
Ainda não foi definido o valor oficial da passagem de ônibus em São Paulo, mas a estimativa é que fique entre R$ 3,30 e R$ 3,50.
RIO DE JANEIRO:
Depois de pedido feito pelo Ministro da Fazenda Guido Mantega, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, decidiu cancelar o aumento da tarifa municipal previsto para o dia 02 de janeiro.
O valor passaria de R$ 2,75 para R$ 2,90, aumento de 5,45%
A alegação para o cancelamento do reajuste é que as empresas podem suportar a manutenção do valor das passagens já que receberam benefícios como a desoneração sobre a folha de pagamento.
O temor de Guido Mantega ao fazer o pedido é o impacto das tarifas de ônibus sobre a inflação.
Em crise econômica velada pelo Governo Federal, o Brasil passa por um estranho processo: não há crescimento, com PIB – Produto Interno Bruto – devendo registrar apenas 1%, mas ao mesmo tempo a inflação superou as expectativas.
Para conter a inflação, o Governo decidiu abrir mão de soluções pouco ortodoxas. Manteve os juros em patamares não muito diferentes dos de antes da crise, mas adotou uma política de preços tabelados, em especial da gasolina, cujo valor está defasado em relação ao preço internacional do petróleo. O resultado tem sido déficits na Petrobrás e diminuição da capacidade de investimentos da empresa, inclusive na exploração do tão propagado Pré-Sal.
O problema de a Petrobrás não acompanhar o preço internacional do Petróleo é que o País não é autossuficiente. Boa parte do petróleo brasileiro é refinado no exterior e volta para a Petrobrás com valor muito mais alto.
O congelamento dos aumentos da gasolina junto com a redução do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados sobre os carros de passeio auxiliaram as pessoas a deixarem o transporte público e optarem pelo individual, o que traz impactos diretos no aumento do trânsito e da poluição das médias e grandes cidades.
ABC PAULISTA:
Neste dia 02 de janeiro, a cidade de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vai reajustar a passagem de ônibus municipal de R$ 2,90 para R$ 3,30, aumento de 13,79%. O último reajuste foi em janeiro de 2011.
Já nesta segunda-feira, dia 31 de dezembro de 2012, a cidade de Santo André, que não oferece integração entre os ônibus, com exceção do sistema de Vila Luzita, aumentou a tarifa também em 13,79% dos R$ 2,90 para R$ 3,30.
No dia 26 de dezembro foi a vez de Mauá aplicar o mesmo reajuste, de R$ 2,90 para R$ 3,30. O último aumento na cidade, que vive às voltas com uma crise nos transportes por causa de uma manobra cuja suspeita é para trazer novamente o monopólio do setor, foi em agosto de 2011. No mesmo dia, a passagem de ônibus em Diadema subiu de R$ 2,80 para R$ 3,20, alta de 14%.
Antes porém, a cidade de São Caetano do Sul aplicou o maior reajuste da região, 20%, quando no dia 23 de dezembro, um domingo, a passagem de ônibus pulou de R$ 2,75 para R$ 3,30, apesar de as linhas da cidade serem muito curtas.
Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Mauá possuem até o momento as tarifas de ônibus mais caras do País, ao lado de Osasco e Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e Campinas, no interior Paulista.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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