VVR: Encontro de ônibus antigos com veículos inéditos

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Mais que veículos antigos, muitas histórias e emoções. Assim é o maior encontro de ônibus e caminhões antigos que ocorre todos os anos no Memorial da América Latina. Prova disso é o Ciferal Flecha de Prata, ano 1974, que foi restaurado pelo empresário Alexandre Cortes, em homenagem ao pai, que foi desbravador dos transportes em parte de Minas Gerais. Foto: Adamo Bazani

Encontro de ônibus antigos terá novidades neste ano
VVR vai reunir veículos inéditos e deve ser mais uma vez um encontro de história e emoções
ADAMO BAZANI – CBN
O evento já é um dos mais tradicionais do setor de transportes. Aberto ao público em geral e gratuito, “VVR – Viver, Ver e Rever – a Evolução”, promovido pelo Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro, promete em 2012 surpreender com veículos antigos nunca expostos antes e mais uma vez reunir muitas histórias e emoção.
O público que passar pelo Memorial da América Latina, ao lado da Estação de metrô Barra Funda, na zona Oeste de São Paulo, neste sábado dia 10 de novembro e domingo dia 11, vai poder conferir mais de 80 ônibus e caminhões de diversas épocas, que além da beleza por estarem restaurados, conseguem remontar histórias da sociedade e pessoais.

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Nielson Diplomata Volvo B 58, ano 1981,é uma das novidades para este ano na VVR. É o primeiro modelo de chassi da montadora fabricado no Brasil. Foto: Adamo Bazani.

Uma jardineira (ônibus rústico feito de madeira) de 1929, que transportou o presidente Getúlio Vargas, ônibus dos anos de 1940, os primeiros modelos monoblocos, ônibus importados dos anos 50, os famosos escolares norte-americanos, o papa-fila (uma enorme carroceria de ônibus tracionada por cavalo de caminhão), guinchos, caminhões de bombeiros, furgões e até caminhões militares são destaques.
Entre os veículos inéditos na exposição, estão o Trolebus ACF Brill 1948 e o Fofão – o ônibus de dois andares de Jânio Quadros, que pertenceram à CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos e hoje fazem parte do acervo da SPTrans, um Diplomata Volvo B 58 da Viação Graciosa ano 1981, do Paraná, e um raro Ciferal Flecha de Prata Mercedes Benz LPO 1113, ano 1974, estão entre algumas das novidades que antes não foram expostas.
São veículos que trazem muita história. Prova é o Ciferal Flecha de Prata.
O ônibus pertence ao empresário Alexandre Cortes, de 44 anos, dono da transportadora de cargas ACC Transportes, de Belo Horizonte.
O restauro do ônibus é uma homenagem ao seu pai, João Batista Cortes, que faleceu em 1991.
João Batista fundou em 1962 a Expresso Tereza Cristina, empresa de ônibus rodoviário que ligava Belo Horizonte ao Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Foram muitas dificuldades enfrentando estradas de terra, mas ajudando o desenvolvimento da região. Só em 1982, as vias foram asfaltadas.
O filho, Alexandre Cortes, nasceu em meio aos transportes. Literalmente.
“Nasci em 1968 nos degraus de um dos ônibus do meu pai. Minha mãe estava em trabalho de parto na garagem, onde morávamos. Sem carro, meu pai não teve dúvida de levá-la ao hospital em um dos ônibus, mas não deu tempo, minha prime ira viagem já tinha sido feita” – relembra Alexandre.
A empresa foi vendida para outro grupo 1997, mas a saudade ficou.
“Fiz questão de homenagear meu pai, um grande batalhador dos transportes e exemplo para a família. Procurei um modelo que era usado em sua empresa, até que um amigo, o Luiz, havia arrematado este ônibus em um leilão. O Ciferal pertencia à prefeitura de Aramina (interior de São Paulo). Apesar de ainda funcionar, o veículo estava bastante deteriorado. Mandei desmontar todo e restaurar. Os trabalhos começaram em 18 de novembro de 2011 e terminaram agora em 20 de agosto de 2012. Foi difícil, mas valeu a pena, os transportes e meu pai merecem” – emociona-se Alexandre Cortes.

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Busscar Urbanus da Expresso Redenção relembra um momento de evolução da indústria do transporte coletivo. Foto: Adamo Bazani.

E são histórias como estas que motivam o presidente do Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro, Antônio Kaio Castro.
“A cada ano são muitos amigos que fazemos e descobrimos histórias impressionantes. É uma emoção diferente a cada exposição. A partir daí, da história dos transportes, podemos ver o valor do nosso povo, pois transporte lida com gente, está no dia a dia das pessoas” – conta Antônio Kaio.
O evento faz parte do Calendário Oficial de Turismo de São Paulo e é realizado desde 2004, quando começou na garagem da Expresso Redenção, empresa de fretamento da Capital Paulista. Em 2007, por causa do aumento do público e do número de veículos, foi transferido para a Praça da Sombra, no Memorial da América Latina, que ficou pequena e a partir deste ano será na Praça do Sol, do lado oposto de onde era realizado todos os anos.
A cantora Sula Miranda, conhecida por ter vários fãs caminhoneiros, deve marcar presença também no encontro.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

13 comentários em VVR: Encontro de ônibus antigos com veículos inéditos

  1. Sérgio Santo André // 10 de novembro de 2012 às 01:41 // Responder

    Esse flecha de prata não nada além de FANTÁSTICO !!!!!!!!

    • Eu estive lá, relembrei meus dias de Auxiliar de Escritorio, 1977. O Onibus Elétrico Cardoso de Almeida, os FENEMÊS Nhocuné, A linha do virador de Guaianazes e outros. Com arrepios revivi os dias de NATAL que a chefia da garagem Sta Rita permitiama aos mototoristas e cobradores trazerem seus filhos para o percurso de uma ou duas viagens, até o final. Aos que ainda lembram dos motoristas com kep’s, uniformes azuis e a “chapa” do motorista, do meu pai era 10735 CMTC, trabalhou na linha 46 ESTAÇÕES. SAUDADES!!!

      • Oi tudo bem, sou carioca hpje moro no Rio de Janeiro,mas entre os anos de 1977 e 1983 eu morava no Bairro do Pari em São Paulo – Capital e pegava na Praça Santo Antonio do Pari o 46 Estações da CMTC pra ir à Cidade

        Saudades

  2. Josue Marcio Lopes // 10 de novembro de 2012 às 08:34 // Responder

    Esta exposicao da VVR e maravilhosa. Uma otima atravao para todos nao so para busologos.
    Adorei a historia do Alexandre e seu pai. Sao exemplos de amor aos transportes que passa por gereacoes.

  3. Vi todos esses carro e são lindos!!

  4. Parabens… excelente trabalho meu caro Adamo…ABÇS..

  5. eu o parabenizo pelo excelente trabalho adamo bazane

  6. A “VVR” só tem o êxito que tem por conta da colaboração expontânea de muitos. Desde as empresas e colecionadores que acreditam em nossos propósitos, a manutenção/preservação da memória dos transportes, em ônibus e caminhões, a amigos como o excelente jornalista, Ádamo Bazani, ao nosso patrocinador Mercedes-Benz do Brasil Ltda., e a você que nos prestigia com sua presença. A todos, nosso mais amplo abraço, nosso melhor agradecimento – Kaio Castro – Presidente Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro.

  7. bus forever

  8. Dione Anderson Batista Nunes // 24 de Fevereiro de 2013 às 14:46 // Responder

    Lendo a reportagem sobre a história da Expresso Tereza Cristina houve equívoco quanto à região pela qual detinha a concessão do transporte intermunicipal. A região correta é: Vale do Rio Doce.

  9. O Expresso Tereza Cristina atendia algumas cidades do Vale do Rio Doce, como Guanhães, Agua Boa. Atendia também Vale do Mucuri.

  10. MARCOS NASCIMENTO // 6 de outubro de 2013 às 18:27 // Responder

    Lendo esta bela reportagem fico me perguntando o que ocorreu a inúmeros empresários de todas as partes do País que um dia entregaram a toalha na vida empresarial e hoje dedicam-se a outras atividades enquanto que os grandes grupos econômicos empresariais cada vez mais fortes e poderosos dominam todo o território nacional e ainda não satisfeitos continuam com sua política de engolir empresas de pequeno e médio porte! Sinceramente não entendo onde e de que forma tudo começou até dar o poder a tantos grupos de empresas de ônibus que dominam o Brasil literalmente! Não sou contra os grupos desde que eles operassem em lugares distantes geograficamente entre si e não o que ocorre hoje onde numa cidade como São Paulo, pelo menos 5000 dos 9000 ônibus do sistema estrutural pertencem ao grupo que é dono da CAIO! Se tal grupo estivesse distribuído entre as capitais seria uma coisa. Agora um mesmo grupo e numa cidade tão grande e com péssima qualidade de transporte, não dá prá falar diferente! Espero que as atuais empresas pequenas e médias que leiam esse comentário continuem firmes e fortes e lutando para continuar operando no sistema. Sei que os desafios são grandes mas por favor não joguem a toalha! Essa licitação engessada da ANTT e em pleno ano político não consigo admitir! Os mesmos grupos continuarão na ativa e ainda com mais poder pois infelizmente muitas empresas perderão a tal da “licitação”, isso sem contar que muitas linhas serão extintas ou racionalizadas! Tenham certeza! Até o transporte interestadual até agora imexível irá piorar!

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