Senado vota cinto de três pontos para ônibus e ANTT vai ser investigada na tragédia do ônibus da Viação 1001

1001 acidente

Ônibus 2212 da Auto Viação 1001 que caiu de uma ribanceira de 10 metros, fotografado em outro dia por admirador de transportes. Quinze pessoas morreram. Tragédia traz de volta o debate sobre a importância do uso do cinto de segurança em ônibus. Projeto no Senado quer que equipamento tenha três pontos. Foto: Fernando Silva

Senado vota cinto de três pontos para ônibus
Discussão ganhou mais fôlego depois de tragédia com ônibus da 1001
ADAMO BAZANI – CBN
Os ônibus rodoviários poderão ser obrigados a ter cintos de segurança de três pontos. Desde 1997, os veículos de serviços intermunicipais com características rodoviárias devem oferecer o cinto subabdominal.
Tramita no Senado Federal projeto número 4254/12 do senador Geraldo Resende, do PMDB do Mato Grosso do Sul, que torna obrigatório o equipamento mais moderno nos veículos rodoviários.
Apenas os ônibus de características urbanas, nos quais os passageiros podem viajar em pé, ficam fora da obrigatoriedade, como ocorre com o atual modelo de cinto de segurança nos veículos de transporte rodoviário.
Para o senador, apesar de ser importante, o cinto subabdominal não garante proteção total aos passageiros.
O modelo evita que as pessoas sejam lançadas dentro do salão de passageiros ou mesmo para fora dele, mas não impede que os usuários batam no banco da frente, nas divisórias, no passageiro ao lado ou mesmo contra as janelas.
O cinto hoje obrigatório nos ônibus não deixa que as pessoas sejam arremessadas, mas não segura a coluna vertebral no encosto da poltrona.
De acordo com a proposta do senador, as empresas de ônibus e as fabricantes devem ter um ano para se adaptarem após a publicação da lei, prazo que o Contran – Conselho Nacional de Trânsito pode regulamentar o uso.
O projeto vai ser analisado em caráter conclusivo, ou seja, sem a necessidade de votação em plenário, pela Comissão de Viação e Transportes e Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Ainda não há data para a votação nas Comissões.
POUCO USADO, POUCO DIFUNDIDO
Dados da CNT – Confederação Nacional dos Transportes revelam que apenas 2% dos passageiros de ônibus rodoviários usam o cinto de segurança. As empresas de ônibus são obrigadas a orientarem os passageiros a bordo, com explicações do motorista ou de um agente da empresa, mas isso raramente acontece.

TRAGÉDIA COM A 1001 DÁ MARGEM ÀS DISCUSSÕES:
O uso do cinto de segurança em ônibus voltou a ser alvo de discussões depois do acidente com um ônibus da Auto Viação 1001 que ocorreu na última segunda-feira, dia 22 de outubro, na Serra de Teresópolis, região de Guapimirim, na Baixada Fluminense.
Quinze pessoas morreram quando o veículo saiu da estrada e caiu numa ribanceira de uma altura de 10 metros aproximadamente.
De acordo com relatos de sobreviventes, o motorista Eduardo Fernandes, de 44 anos, alertou pouco antes da queda que todos sentassem e usassem o cinto de segurança.
Fernandes morreu no acidente.
Nem todos os passageiros usaram o cinto. Ainda de acordo com os relatos, as pessoas que seguiram a recomendação e fizeram uso do equipamento foram as que menos se feriram.
Muitos passageiros ficaram em pânico por conta do descontrole do ônibus e ficaram em pé no veículo. O ônibus, segundo a Polícia Rodoviária Federal, chegou a aproximadamente 80 km/h, sendo que o trecho permitia velocidade de 60 km/h.
Testemunhas também disseram ter visto o ônibus pouco antes da queda com pisca-alerta ligado e com sinais de farol, o que indicava que o motorista tentava controlar o veículo.
A Auto Viação 1001, em nota, afirmou que o veículo carroceria Marcopolo 1200 Geração 6, chassi Scania K 124, tinha passado por todas as vistorias, sendo a última no dia 10 de outubro. A empresa também afirmou que dá toda assistência às famílias de quem perdeu a vida e aos feridos e que vai colaborar com as investigações.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT mostram que a empresa só neste ano recebeu 183 multas por diversas irregularidades. O Detro – Departamento de Transportes do Estado do Rio de Janeiro aplicou 553 multas contra a Auto Viação 1001, boa parte por não ter realizado inspeções.
ANTT VAI SER INVESTIGADA:
A ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres afirmou que vai realizar fiscalizações com maior rigor nas garagens da 1001, que hoje tem cerca de 700 veículos. A empresa opera exclusivamente linhas de alta demanda e mantém boa parte de trajetos importantes com companhias pertencentes ao mesmo grupo, JCA, como entre Rio e São Paulo.
Mas a ANTT também vai ser investigada. A Defensoria Pública da União vai apurar as responsabilidades da ANTT no acidente.
A Defensoria quer saber se houve falha de fiscalização e inspeção não somente no veículo prefixo 2212, envolvido na queda, como em toda a frota da companhia.
As causas do acidente ainda serão determinadas. Um laudo deve ficar pronto em 15 dias.
VÍDEO MOSTRA ÔNIBUS MOMENTOS ANTES DA QUEDA:
O vídeo exibe o ônibus já sem controle e saindo da rodovia. Quando ele foi exibido, o número de mortos ainda era de 13.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

6 comentários em Senado vota cinto de três pontos para ônibus e ANTT vai ser investigada na tragédia do ônibus da Viação 1001

  1. Amigos, boa noite

    Assistindo ao vídeo, observei que a porta já estava aberta, isso confirma minha suposição no comentário anterior, o Comandante Herói já sabia que o Buzão estava fora de controle e era
    irreversível, pois ele já deixou tudo esquematizado.

    Pediu para os passageiros colocarem o cinto minutos antes e já deixou a porta aberta.

    Não acredito que ele tenha passado mal, pois ele estava raciocinando e bem, senão não tinha
    feito o que fez.

    Observem também este detalhe no filme.

    Tem de fazer licitação para substituir os gestores do transporte no país.

    Sds,

    Paulo Gil

  2. Julio Cesar Lourenzon // 25 de outubro de 2012 às 16:12 // Responder

    Verdade, a porta estava aberta, observei isso tambem, em geral em situações de problemas os motoristas fazem isso, no início uma opção seria jogar o ônibus no barranco provocando o tombamento, mas ele deve ter acreditado que poderia controlar o busão, o que infelizmente não ocorreu, mas a proposta de usar cinto de 3 pontos é meio fora de questão, como ficam os cama-bus? leito, semi-leito e as poltronas que reclinam? a diferença entre o cinto pescoço em caso de acidente quebraria o pescoço do passageiro na hora, como aconteceu com o jogador Breno no acidente em que sofreu e estava deitado no banco.

    • Julio Cesar Lourenzon, boa noite

      Desconhecia que em situações de problemas os motoristas fazem isso (abrem as portas).

      Esta sua informação contribui para derrubar a tese de que o motorista passou mal;
      na minha opinião se ele tivesse passado mal tudo tinha sido muito pior; pois ai o carro tinha se desgovernado muito antes e não seguir em linha reta como mostra o filme.

      Ele teve é muito sangue frio e profissionalismo, pois diante de um “caos desse” ele podia ter se jogado para fora, o que ele não fez; afinal ele estava na “cara do gol”, ou sej,a o primeiro a sofrer as consequências diretamente.

      Sds,

      Paulo Gil

  3. Infelizmente é sempre assim, precisa acontecer o pior pra se repensar ou mesmo pensar nas coisas, podemos observar pelo vídeo que o motorista deixou a porta aberta ou a mesma abriu devido a falta de ar nos compressores, a perícia disse que o ônibus estava acima da velocidade permitida no trecho, cerca de 80Km/h num trecho de 60Km/h. Mais uma vez o culpadoserá o motorista, que não terá como se defender da negligencia e irresponsabilidade em nome do lucro. A questão do uso de cinto de três pontos já é realidade em outros países, aqui ainda temos o abdominal e ocorre muitas vezes estar quebrado ou o cliente insiste em não usar, além disso temos outro problema mais grave que é a fixação das poltronas no assoalho dos ônibus, sabe-se que ocorre desgaste por causa do atrito e movimento e quando ocorre uma batida as poltronas se amontoam causando tragédias como essa, isso me fez lembrar o acidente com o ônibus da Viação 9 de Julho (extinta) na BR116 nos anos noventa, a maioria das mortes ocorreu exatamente pela ausência de cintos e amontoamento das poltronas. Penso que o prazo de um ano para adaptações é muito, isso precisa ocorrer imediatamente.

    • Roberto, boa noite

      Bem observado a “falta de ar nos compressores” ????

      Hoje pela manhã também tinha pensado nessa hipótese; ou também que ele
      pode ter ficado “sem motor”, ai, nem freio motor, nem reduzidas, nem ar, nem freios, nem nada.

      Penso também que ele fez de tudo e grudou mais ainda no volante, pois o buzão caiu em pé; entendo ser muito curioso não ter tombado numa serra e nem quando caiu na ribanceira.

      Ádamo, se for permitido publique o laudo da perícia técnica aqui no Blog, seria muito
      interessante lê-lo, depois da sua matéria e dos comentários supra.

  4. É triste ver o defensor público tentando se promover com a tragédia alheia. Essa história de investigar a ANTT não passa de falácia. Gostaria de saber como que um fiscal da antt, em uma rodoviária, vai identificar um possível problema no sistema de freios de um ônibus…

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