Busscar: Trabalhadores descobrem falta de depósito do FGTS

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Busscar foi uma das maiores empresas fabricantes de carrocerias de ônibus do País. Chegou a ter 5 mil funcionários e disputava liderança em alguns modelos. Funcionários tiveram a surpresa de que não eram apenas os salários que tinham sido atrasados.

Trabalhadores da Busscar descobrem que depósitos do FGTS e INSS também não foram realizados
Empresa que teve a falência decretada no dia 27 de setembro e agora tem o real valor dos bens levantados pela administração do processo, atrasou mais depósitos de direitos trabalhistas
ADAMO BAZANI – CBN
Trabalhadores que ainda estavam ligados à encarroçadora de ônibus Busscar, que já foi uma das maiores do País, têm encontrado mais uma informação desagradável ao fazerem as homologações de rescisões para receberem os direitos trabalhistas.
Além de não receberem salários há mais de dois anos consecutivos, os funcionários também estão com saldo insuficiente do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
Neste período de crise, que começou em 2008, mas se intensificou em 2010, a empresa da família Nielson não realizou os depósitos do FGTS e do INSS, o que vários funcionários não sabiam.
Depois de três sessões interrompidas, a Assembleia Geral dos Credores reprovou no dia 25 de setembro o Plano de Recuperação proposto pela encarroçadora de ônibus. Dois dias depois, o juiz Maurício Povoas, da Quinta Vara Cível de Joinville, decretou a falência da empresa. Apesar de a Busscar ter a maioria das procurações da classe dos trabalhadores e de ter entrado em acordo com a classe quitográfica, que reúne os ex sócios, entre eles os tios do presidente da empresa, Cláudio Nielson, a classe garantia real, que reúne os bancos e respondia pela maior parte das dívidas da Busscar, reprovou o plano.
Números de produção e faturamento difíceis de serem alcançados entre as metas, os descontos e parcelamentos dos débitos e compromissos anteriores não honrados que teriam afetado a credibilidade da empresa, são alguns dos fatores apontados para a não aprovação do Plano de Recuperação.
O presidente do Sindimecânicos, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região, Evangelista dos Santos, acredita que os funcionários que entregaram as procurações em prol da Busscar foram iludidos.
“O Sindicato sempre alertou para as mentira repetidas pelo comando da empresa. Avisamos que todos seriam enganados caso votassem no sim, porque estava tudo atrasado, não só salários. Todas as autoridades federais foram notificadas há muito tempo pelo Sindicato, mas não tiveram ação direta até aqui. Mas temos certeza que as coisas estão aparecendo, tudo vai ser resolvido, como o processo de falência” – disse Evangelista.
No dia 24 de outubro, o Sindicato vai realizar na sede da entidade reuniões com os trabalhadores para explicarem o processo de falência.
Com dívidas diretas de cerca de R$ 800 milhões entre bancos, fornecedores e trabalhadores, e mais R$ 500 milhões de débitos de impostos, a Busscar teve a falência decretada em 27 de setembro de 2012.
O processo de falência está sendo admintrado por Rainoldo Uessler, que procura primeiramente determinar de maneira clara os valores das dívidas e dos patrimônios da Busscar. Há dúvidas em relação à veracidade de alguns números apontados pela empresa, que sempre variavam a cada solicitação que a empresa recebia, de acordo com o momento.
A empresa Tecnofibras, também da Busscar, deve ser vendida e tem o desempenho analisado para ser repassada como uma companhia saudável. A ClimaBuss passa por auditorias para verificar sua viabilidade.
A Busscar, que já enfrentou outra crise financeira entre os anos de 2001 e 2004, chegou a ter 5 mil funcionários e disputava a liderança de mercado em alguns modelos. Atualmente tinha menos de 900 empregados. Os funcionários desligados também têm a receber da companhia.
A empresa foi procurada pela reportagem do Blog Ponto de Ônibus, mas ninguém foi encontrado para comentar o momento pós falência.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

4 comentários em Busscar: Trabalhadores descobrem falta de depósito do FGTS

  1. Jéssica Caroline da Silva // 18 de outubro de 2012 às 15:38 // Responder

    Trabalhadores descobrem falta de depósito do FGTS????
    Onde esses trabalhadores estavam esse tempo todo? Na China? Como assim? Isso não era segredo pra ninguém, bom talvez, para os cegos era segredo….

  2. Todos o strabalhadores sabiam que os FGTS não estava sendo depósitado, pois recebem em casa o extrato.

  3. o fundo de garantia é apenas mais uma demagogia utilizada pelo sindicato, que chama os funcionários de ignorante ao dizer que não sabiam da falta de pagamento dos mesmos. pois todos os funcionários possuem acesso a essas informações, mas ao mesmo tempo lutaram e apoiaram a empresa para tentar solucionar os problemas existentes, ao contrario do sindicato que ilude os empregados do setor com falsas propostas e mentiras, sendo que na verdade eles só estão preocupados é com o dinheiro que tem pra receber, isso porque nem estamos levanto em consideração toda a sujeirada que deve estar acontecendo por trás, para o sindicato estar contra uma grande empresa do seu ramo, concerteza deve haver alguma outra oferecendo algum beneficio para os integrantes desta chapa,

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