TRANSPORTE COLETIVO É SETOR ESTRATÉGICO PARA AMÉRICA LATINA, DIZ ESTUDO

ONIBUS

Relatório da União Internacional dos Transportes Públicos dá a dimensão dos ganhos ambientais, econômicos e sociais obtidos pelas cidades que investiram em transporte coletivo. As reduções de emissão de gás carbônico surpreenderam os especialistas da entidade mundial em diversos municípios. A organização cobra mais “reconhecimento” aos transportes pelos benefícios que o setor traz. Esse reconhecimento se dá por financiamentos e acima de tudo pela inclusão da mobilidade urbana como um dos temas centrais na formulação de políticas públicas. A população urbana deve crescer progressivamente e a quantidade de pessoas que necessitam de transportes público deve subir até 2050 de maneira representativa, chegando a 500 mil pessoas novas por semana nos sistema de ônibus, trem e metrô de todo o mundo. Corredores de ônibus são apontados pelo relatório como soluções eficazes e ao alcance de toda cidade. Foto – Divulgação Neobus.


Corredores de ônibus foram responsáveis pelas reduções mais significativas da poluição, diz UITP
Órgão Internacional cobra mais reconhecimento ao setor de transportes por conta da economia que proporciona ao poder público
ADAMO BAZANI – CBN
O que já era de conhecimento de especialistas e da população em geral, agora foi traduzido em números de forma inédita para a América Latina.
A UITP (União Internacional dos Transportes Públicos, traduzindo para o português) divulgou um relatório no qual destaca a redução de emissão de gás carbônico (CO2) nas diversas cidades latinas que investiram em sistemas de transportes, principalmente em corredores exclusivos de ônibus, os BRTs – Bus Rapid Transit.
O relatório aponta que nos últimos cinco anos, a cidade de Santiago, no Chile, teve uma redução de emissão de 400 mil toneladas de gás carbônico por ano, apenas por conta da ampliação dos serviços de ônibus. Na cidade, circula o Transantiago, um moderno sistema de corredores que comportam veículos de grande capacidade, como articulados que além de reduzirem o número de carros de passeio nas ruas, também podem diminuir a quantidade de ônibus sem comprometer o atendimento aos passageiros.
Na cidade do México que conta com uma malha de metrô significativa integrada com ônibus, os transportes coletivos foram responsáveis diretos por uma redução de 200 mil toneladas de gás carbônico anualmente, levando em consideração a média dos últimos cinco anos.
O Rio de Janeiro se destacou. Ao criar exigências e condições para as empresas de ônibus renovarem suas frotas e readequar parte das linhas, a cidade do Rio de Janeiro possibilitou com os transportes públicos a redução média anual de emissão de gás carbônico atingiu as impressionantes 900 mil toneladas.
E o relatório aponta para uma tendência de mais reduções de poluentes no Rio de Janeiro pelo fato de o poder público investir em sistemas integrados de ônibus em corredores exclusivos do estilo BRT, que não são apenas espaços delimitados para os transportes públicos mas que compreendem a prestação de serviços mais adequada pensando desde o momento que o passageiro sai de sua casa para ir até a estação, a acessibilidade, o conforto no ônibus até a hora que o passageiro sai da estação que desejaria embarcar.
MAIOR RECONHECIMENTO:
O relatório da UITP é claro ao mencionar os ganhos sociais, ambientais e econômicos dos transportes públicos.
Do ponto de vista social, o acesso aos serviços essenciais que o cidadão tem direito e a geração de empregos diretos e indiretos proporcionada pelos transportes se destacam.
O ganho ambiental não se limita a reduzir as emissões de gás carbônico. A diminuição da frota de carros de passeio circulando no mesmo horário reduz outros tipos de poluentes no ar, além de melhor aproveitar o espaço urbano. Um corredor de ônibus transporta mais pessoas que cinco faixas de uma pista que segue no mesmo sentido, que só recebe carros de passeio.
Se em vez de construírem tantas avenidas largas para comportar o número crescente de carros de passeio, os poderes públicos investissem vias para transporte coletivo, “sobraria mais espaço” para a construção de praças e canteiros ajardinados.
A operadora Metra, responsável pelos serviços de ônibus e trólebus que ligam o ABC Paulista às zonas Sul e Leste de São Paulo, aproveita os canteiros das vias de transportes coletivos para plantar árvores. O Corredor Verde, como é chamado o programa, já foi responsável pelo plantio de 5 mil mudas.
Em Curitiba, referência mundial de transportes por conta dos pioneiros corredores de ônibus, a prefeitura tem revitalizado os espaços. O novo sistema de corredor, a Linha Verde incorpora áreas com jardins e ciclovias, que podem integrar ônibus e bicicletas. A Linha Verde já corta boa parte da cidade e é projetada para atender municípios vizinhos, como Fazenda Rio Grande,
Sobre os ganhos econômicos proporcionados pelos corredores de ônibus, a UITP relaciona diversos aspectos, como a diminuição dos gastos de saúde gerados pela poluição e pelos acidentes, menor custo para o gerenciamento do trânsito, além de proporcionar mais produtividade e qualidade de vida para os trabalhadores.
Com os corredores de ônibus e uma malha ferroviária bem planejada, as viagens se tornam mais rápidas e o trabalhador chega menos cansado e estressado no serviço.
Diante de todas estas vantagens proporcionadas pelos transportes coletivos, a UITP pede em seu relatório “maior reconhecimento dos benefícios trazidos pelo setor”.
O órgão internacional cobra mais recursos para o transporte público, mas não só isso: a inclusão do setor como prioridade para políticas públicas de curto, médio e longo prazos.
A necessidade de ampliação e qualificação dos transportes coletivos é para agora e também para evitar mais transtornos no futuro.
Em 2050, o planeta dever ter 9 bilhões de habitantes. O crescimento urbano terá destaque e várias áreas dedicadas à agricultura devem ceder mais espaço para as configurações urbanas.
Esse crescimento no número de habitantes representa cerca de 1 milhão de pessoas progressivamente a mais no Planeta por semana. Se for levada a média mais baixa das pessoas que usam os transportes públicos, são 500 mil pessoas a mais nos sistemas de ônibus, trem e metrô. O desafio é grande.
Por isso, é mais que urgente que as cidades levem mais a sério as questões de transportes, realizando obras para as principais ligações de cada sistema, sem desprezar os serviços nos bairros e regiões mais afastadas.
Para um país que quer crescer, o setor de transporte público deve ser considerado estratégico.
O relatório completo da UITP, entidade que reúne sociedade civil, especialistas e conta com a participação de formuladores de políticas, pode ser visto no site da organização:
http://www.uitp.org/
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

1 comentário em TRANSPORTE COLETIVO É SETOR ESTRATÉGICO PARA AMÉRICA LATINA, DIZ ESTUDO

  1. Bom dia.
    O automóvel precisa ser encarado como um meio de locomoção, necessário e de conforto, PARA ALGUMAS OCASIÕES.
    Diariamente, em compromissos de trabalho, estudos e outros, precisamos dispor de meios de transporte, minimamente, limpos e organizados que, nos levem onde, ou, perto de onde precisamos ir (porque caminhar um pouquinho faz bem à saúde), a um custo estável, porque creio, os próprios empresários do setor e o poder público, sabem, quanto mais o custo aumenta, menos pessoas usam e obedecendo este círculo vicioso, não demora e, os sistemas de transporte serão inviáveis, economicamente.
    Ádamo, como de costume, excelente matéria. Foi no ponto !
    Abraço.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: