MP investiga má prestação de serviços em Manaus

Manaus

Ônibus em Manaus. A capital do Amazonas teve uma das maiores renovações de frota da atualidade com cerca de mil ônibus comprados zero quilômetro. Mesmo assim, as queixas dos passageiros continuam altas e o Ministério Público abriu 12 procedimentos de investigação. Em São Paulo, o Ministério Público começou investigar má prestação de serviços do Consórcio Leste 4 e descobriu uma série de indícios de crimes.

Manaus: má prestação de serviços de transportes mobiliza Ministério Público
Promotoria instaurou 12 procedimentos com base em denúncias feitas por passageiros
ADAMO BAZANI – CBN
O sistema de ônibus de Manaus, no Amazonas, recebeu entre o ano passado e este, cerca de mil veículos novos, o que se caracterizou como uma das maiores renovações de uma só fez no País.
Mesmo assim, os passageiros não andam nada satisfeitos com os serviços de transportes.
Por conta das denúncias, principalmente sobre o atendimento das linhas nas zonas Leste e Norte da capital do Amazonas, a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (81ª Prodecon), do MP-AM – Ministério Público do Amazonas, instaurou 12 procedimentos para investigar quais as causas e as responsabilidades das reclamações de passageiros.
Além de verificar as empresas, o Ministério Público vai analisar se a SMTU – Superintendência Municipal de Transportes Urbanos – tem cumprido seu papel de fiscalizar e cobrar qualidade das empresas de ônibus.
A Secretaria também registra um grande número de passageiros descontentes com os transportes.
Entre abril e julho foram 785 reclamações.
ATENDIMENTO DOS MOTORISTAS:
São vários os motivos das queixas de quem depende de transporte público em Manaus, segundo o Ministério Público, mas se destacam: não cumprimento de horários e itinerários, falta de limpeza nos ônibus e má educação dos motoristas no atendimento ao passageiro.
A postura dos motoristas é alvo de críticas principalmente durante o embarque e desembarque de idosos, pelos condutores não pararem nos pontos e pela falta de paciência com deficientes físicos.
Para o Ministério Público, não basta as empresas comprarem ônibus novos se não qualificam os profissionais e não cumprem as determinações do poder público quanto a horários e trajetos.
MÁ PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM SP DESCOBRE INDÍCIOS DE CRIMES:
Em São Paulo, com base em denúncias de passageiros sobre má prestação de serviços, o Ministério Público cobrou da SPTrans (São Paulo Transportes) mais rigor nas fiscalizações e processou o Consórcio Leste 4 e as empresas que o formam: Novo Horizonte, Happy Play Tour e Himalaia Transportes.
Além da má prestação de serviços, o Ministério Público descobriu uma série de indícios de irregularidades e crimes como: confusão de pessoas jurídicas dentro do consórcio e repasses de dinheiro da Novo Horizonte para uma cooperativa de lotações, a Nova Aliança. Além disso, apesar de ser uma S.A., a Novo Horizonte tem uma estrutura e uma operação como de cooperativa. Outro ponto investigado é o fato de a Happy Play ter vencido como operadora de ônibus, receber repasse, mas não ter nenhum ônibus sequer operando. Há também suspeitas de desvios de recursos para contas pessoais de diretores da Novo Horizonte.
Agora eles são réus num processo, que pede ressarcimento de R$ 30 milhões aos cofres públicos, por prejuízos causados à população.
A Justiça bloqueou os bens dos acusados, mas a decisão foi tardia e há suspeita de pulverização de recursos no período entre o pedido do Ministério Público e a decretação por parte do judiciário.
Funcionários e ex funcionários do Consórcio Leste 4, além de parentes, viajaram constantemente para o exterior neste período.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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