Desrespeito no primeiro dia de novas faixas em São Paulo

Publicado em: 31 de julho de 2012

faixa de ônibus

Cidade de São Paulo recebe mais duas faixas de ônibus, uma na Avenida Giovanni Gronchi e outra na Avenida Itaquera. Invasões de carros de passeio foram constantes no primeiro dia. São Paulo possui uma tímida malha de metrô, com pouco mais de 70 quilômetros, mas poucos dizem que os espaços exclusivos para ônibus são ínfimos em relação ao porte da cidade: 120 quilômetros de corredor e 51,5 quilômetros de faixa, número que pode aumentar para 130 quilômetros, isso se a promessa da Prefeitura se cumprir. No total, a cidade possui 17 mil quilômetros de vias registradas. Foto: Luiz Cláudio Barbosa – Futura Express / AE

Novas faixas de ônibus são invadidas no primeiro dia
Espaços são na zona Sul e na zona Leste de São Paulo. Malha de metrô é tímida, mas muitos se esquecem de falar dos corredores de ônibus que também são bem reduzidos pelo porte da cidade e levando em conta que são de mais fácil implantação
ADAMO BAZANI – CBN
No primeiro dia de implantação de mais duas faixas exclusivas para ônibus, o que se viu na cidade de São Paulo foi desrespeito por parte de motoristas de carros de passeio e motociclistas.
Os espaços para o transporte público foram instalados na Avenida Giovanni Gronchi, na zona Sul da Capital, e na Avenida Aricanduva, zona Leste.
Apesar da sinalização, não era raro ver carros de passeio cortando pela direita e usando as faixas por onde deveriam circular apenas ônibus.
Falta de informação quanto à mudança já que muita gente diz ter sido pega de surpresa, mas também falta de respeito, já que ao longo das faixas, placas indicavam que o local era só para as pessoas que se deslocam de transporte coletivo, além de pintura no solo. Outras faixas instaladas há bem mais tempo continuam sendo desrespeitadas.
Nem mesmo a aplicação de multas prevista pelo CTB – Código de Trânsito Brasileiro têm intimidado os donos de carros de passeio e motos.
O valor, no caso de faixa para ônibus, que se difere de corredor, é de R$ 53,20 e três pontos na Carteira Nacional de Habilitação.
Na Avenida Giovanni Gronchi, a faixa é exclusiva para ônibus das 6 horas da manhã até as 9 horas da manhã, no sentido da Avenida João Dias, entre a Rua Alexandre Archipenko e Avenida Carlos Caldeira Filho.
Para melhorar a fluidez aos carros de passeio, foi criada uma faixa reversível no sentido oposto. Assim, com esta faixa, os carros que vão para a João Dias contam com três faixas e os que vão para o Morumbi circulam por duas. Depois de o horário da faixa de ônibus ter sido completo, a faixa reversível é desfeita.
Oito linhas de ônibus operam no local. São 66 ônibus por hora, em média, que atendem a 110 mil passageiros por dia.
Essa quantidade de ônibus presta serviços mais pessoas por dia do que os mais de quinhentos carros de passeio que trafegam pelo mesmo trecho.
Daí a importância do transporte coletivo ter prioridade para o trânsito fluir e o espaço urbano ser melhor aproveitado.
Na zona Leste de São Paulo, a faixa de ônibus tem operação por mais tempo, das 6 da manhã às 8 horas da noite.
A faixa é na direita nos dois sentidos e compreende dois trechos que somam aproximadamente 25 quilômetros: da Avenida Itaquera a Avenida Ragueb Chohfi e entre a praça Júlio Colaço, perto da Radial Leste, e a Avenida Iraquera.
MAIS FAIXAS DE ÔNIBUS:
A CET – Companhia de Engenharia de Tráfego e a SPTrans – São Paulo Transportes devem inaugurar mais faixas de ônibus até o final do ano: a previsão é de 130 quilômetros de faixas. Atualmente são 51,5 quilômetros de faixas e cerca de 120 quilômetros de corredores de ônibus.
Todos reclamam, e com razão, da tímida malha de metrô em São Paulo, com pouco mais de 70 quilômetros, mas muitos se esquecem que pelas dimensões da cidade, 120 quilômetros de corredores de ônibus e 130 quilômetros de faixa, significam muito pouco espaço para os transportes coletivos.
Nas propagandas políticas, falar em expandir o metrô é mais chamativo. Mas não é possível colocar metrô em toda a cidade e os melhores exemplos de coordenação de transportes no mundo, desde Curitiba a cidades dos Estados Unidos e Colômbia, adotam os corredores de ônibus como parte da solução para os transportes e o trânsito.
E corredor de ônibus é função da prefeitura, que logicamente pode contribuir com a expansão do metrô, mas não pode deixar de fazer sua obrigação básica.
Gilberto Kassab disse que até o final de seu mandato, implantaria 66 quilômetros de corredores exclusivos em São Paulo. A promessa não será cumprida. As obras de corredores legítimos não avançam. Parte destes 66 quilômetros vão se transformar, segundo a administração de Kassab, em um monotrilho para a zona Leste, prosseguindo o trecho do corredor do Expresso Tiradentes.
Mas pelos custos, obras mais complexas e necessidade de intervenções maiores, o monotrilho não deve ficar pronto até o final da gestão.
Apesar de a CET calcular que as faixas de ônibus podem aumentar em até 15% a velocidade dos veículos de transportes coletivos, as faixas se diferem muito dos corredores.
Elas não significam espaço totalmente prioritário e exclusivo para os ônibus. Como não há segregação do trânsito, as invasões por parte dos carros de passeio são mais freqüentes, como as que ocorreram nesta segunda-feira na Avenida Aricanduva e a na Avenida Giovanni Grochi e as que acontecem em toda a cidade.
Além disso, dificilmente os passageiros vão contar com paradas acessíveis, como ocorre nos corredores de ônibus, alguns que possuem até mesmo plataformas na mesma altura do assoalho dos veículos.
Os corredores mais modernos também possuem pontos de ultrapassagem que evitam que os ônibus fiquem parados em longas filas desnecessariamente, esperando o término das operações de embarque e desembarque do ônibus da frente.
As faixas de ônibus são indicadas para demandas pontuais, que variam muito de acordo com os horários, ou em locais onde não há espaço físico para a construção de um corredor.
Nos próximos dias, a Prefeitura deve implantar 12 quilômetros de faixas na Avenida Líder e na Avenida Itaquera, na zona Leste da Capital Paulista.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Comentários

  1. Eric Moises disse:

    Conheço bem a Giovanni, e lá a única opção mesmo é a faixa (não vejo como fazer um corredor). Ou seja, o projeto é até bacana para uma das regiões mais caóticas da cidade. Mas sem fiscalização constante, é a mesma coisa que nada.

  2. ALEXANDRO disse:

    como é feita a conversão a direita, para os carros?

    1. Algumas vias tiveram mão invertida e a CET diz que sinalizou rotas alternativas.

  3. Cristiano disse:

    Eu não diria que os carros que invadiram a faixa exclusiva seriam veículos de passeio, já que a maioria esta se dirigindo para o trabalho! Essa faixa de ônibus da Giovanni Gronchi é uma grande porcaria que não serve para nada, a não ser atrapalhar a vida dos moradores daquela região!

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