Ônibus em Florianópolis foi usado como barreira para impedir os outros veículos a saírem para as ruas. Justiça determinou frota de 100% nos horários de pico e de 50% nas demais horas, o que não foi cumprido pelo sindicato. Já é o terceiro dia de greve em Florianópolis. Foto: Diário Catarinense.
Greve de ônibus: motoristas em Florianópolis descumprem determinação judicial e deixam mais uma vez a população em prejuízo
Ordem para o descumprimento partiu do Sindicato dos Trabalhadores
ADAMO BAZANI – CBN
A Justiça determinou, mas o Sintraurb – Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano da Grande Florianópolis orientou os motoristas e cobradores a não cumprirem a frota mínima de 100% dos ônibus nos horários de pico e metade nas demais horas.
Com isso, pelo terceiro dia consecutivo quem depende de ônibus em Florianópolis e região, cerca de 500 mil pessoas, sofreu mais uma vez.
Os cerca de 450 veículos do tipo van e micro-ônibus colocados à disposição da população, além de cobrarem tarifas mais altas, de R$ 4,00 a R$ 5,00, não davam conta de toda a demanda dos ônibus.
Para garantir o cumprimento da frota estabelecida ontem pelo juiz do Tribunal Regional do Trabalho, Garibaldi Tadeu Ferreira, presidente em exercício do TRT, a Polícia Militar reforçou o efetivo de agentes nas ruas. Mas para garantir o não cumprimento, os sindicalistas fizeram piquetes nas garagens e até colocaram ônibus nos portões para obstruírem a passagem.
Apesar dos piquetes, a PM disse não ter registrado nenhum incidente com gravidade.
O TRT havia sugerido uma reposição salarial pelo INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, redução gradual da jornada de trabalho de 6h40 para 6h30 neste ano e de 6h30 para 6h20 no ano que vem e aumento no vale-refeição para R$ 410.
No final da noite de ontem, o Setuf – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano do Município de Florianópolis e Região propôs, além do que foi sugerido pelo TRT, vale-refeição de R$ 420.
Mas o sindicato insiste no aumento salarial de 5% acima da inflação e redução da jornada de trabalho de 6h40 para 6h00 por dia.
As empresas e o sindicato dos trabalhadores devem receber multas de R$ 100 mil por dia (R$ 50 mil cada) pelo não cumprimento da frota mínima, o que é criticado pelos donos de viações que dizem que estão dispostos a operar, mas não podem obrigar os funcionário a trabalharem, causando possíveis tumultos.
Mais uma reunião nesta quarta-feira vai tentar colocar fim à paralisação.
GREVE DE ÔNIBUS EM PONTA GROSSA:
Os ônibus também estão parados em Ponta Grossa, no Paraná.
Pelo menos 85% dos trabalhadores estão de braços cruzados, de acordo com o sindicato dos rodoviários.
Os motoristas e cobradores pedem reajuste salarial de 13% e aumento no vale alimentação para R$ 250.
A Viação Campos Gerais – VCG, responsável pelos transportes na cidade, ofereceu 5% de aumento nos salários. Pelo menos 100 mil pessoas são prejudicadas pela greve, de acordo com a empresa.
A viação deve pedir a ilegalidade da greve, já que as negociações não foram esgotadas.
A Prefeitura de Ponta Grossa e a CMTU – Conselho Municipal de Transportes Urbanos também devem participar dos encontros para colocar fim à greve que teve início na madrugada desta quarta-feira, dia 30 de maio.
A Viação Campos Gerais pediu na Justiça que 60% dos ônibus operassem durante a greve e 80% nos horários de pico, mas nenhum ônibus saiu das garagens.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.