Greve dos Caminhoneiros: empresas de ônibus adotam táticas contra desabastecimento

greve de caminhoneiros

Postos de combustíveis no ABC Paulista já não tinham mais condições de atender à população e fecharam. Empresas de ônibus co medo de zerar os estoques foram abastecer em postos convencionais. Foto: Diário do Grande ABC.

Gabinete de gerenciamento de crise tenta evitar desabastecimento em São Paulo
PM tem realizado escolta para abastecimento em empresas de ônibus, batalhões e hospitais. Greve de caminhoneiros é por conta da restrição de tráfego na Marginal Tietê
ADAMO BAZANI – CBN
A Polícia Militar tem realizado escoltas para garantir o mínimo de combustível a serviços essenciais, como viaturas da polícia, ambulâncias, geradores de hospitais e transportes coletivos.
Desde a noite desta segunda-feira, a greve de caminhoneiros, que envolve distribuidores de combustíveis, tem provocado impactos na Capital Paulista e na Região Metropolitana de São Paulo.
Tudo por conta da atitude do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que restringiu a circulação de caminhões na Marginal do Rio Tietê.
Agora, os veículos de carga estão impedidos de trafegar pela via de segunda à sexta-feira das 05 às 09 horas e das 17 às 22 horas e aos sábados das 10 horas às 14 horas.
O objetivo é mais uma vez privilegiar o transporte individual em detrimento de outras formas de transporte, como o público e o de cargas. A prefeitura se gaba ao dizer que a velocidade na Marginal aumentou 20% desde ontem, data da restrição da circulação de caminhões.
Em 2010, Gilberto Kassab criou polêmica ao restringir a área de circulação de ônibus fretados na Capital Paulista, o que acabou desestimulando o uso de fretados e muita gente optou por voltar ao transporte por carros de passeio.
Os caminhoneiros alegam que entendem a restrição em outras áreas, mas a Marginal é em muitos casos a única rota viável para algumas entregas além de ser ponto de entrada e saída para diversas rodovias.
Na manhã desta terça-feira, caminhões de uma distribuidora de São Caetano do Sul, que tentaram sair para entregar etanol foram depredados pelo movimento grevista.
Para garantir o abastecimento mínimo a serviços essenciais na Capital Paulista, a Polícia Militar tem realizado escoltas a caminhões.
O objetivo é não deixar sem combustível viaturas da PM, ambulância, geradores de hospitais, carros de gerenciamento de trânsito e ônibus.
O gabinete de gerenciamento de crise foi composto por Sindicom – Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, SPTRans – São Paulo Transportes, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Estadual, Polícia Rodoviária Federal e Prefeitura de São Paulo.
Empresas de ônibus no ABC Paulista têm montado verdadeiros esquemas táticos para impedir que faltem combustíveis nos ônibus. Alguns veículos de transportes coletivos podem ser vistos sendo abastecidos em postos de combustíveis de rua.
Empresas do ABC e na Capital Paulista confirmaram à reportagem que não receberam as encomendas de diesel. Muitas garagens possuem tanques pequenos e que são abastecidos todos os dias.
Até mesmo as que possuem tanques maiores têm adotado a seguinte estratégia: segurarem os estoques e abastecerem em postos. Se o combustível dos postos se esgotar, os estoques não foram usados.
O receio de desabastecimento é grande no setor de transportes coletivos de passageiros.
Empresas que possuem mais de uma garagem fazem remanejamento de frota para os pátios onde há mais combustível.
Apesar de todo avanço em relação a tecnologia limpa, uma paralisação como esta que foi deflagrada na noite de segunda-feira causou reflexos já no início da manhã de terça-feira, o que indica o alto índice de dependência da economia do poluidor petróleo.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

1 comentário em Greve dos Caminhoneiros: empresas de ônibus adotam táticas contra desabastecimento

  1. Adamo,suas máterias são excelentes e abrange muita coisa que a população não tem informações.Quanto a greve dos caminhoneiros estou totalmente a favor e acho que os outros sindicatos deveriam seguir o mesmo feito pelo sindicato dos combustiveis e lubrificantes.Pois no meu entender a individualidade para o prefeito de São Paulo é prioridade,então faça com que os carros de passeio abasteçam a cidade.Na hora que começar a faltar alimentos,medicamentos entre outros mais vão ver que quem movimenta boa parte da nossa economia são os caminhoneiros.Agora é hora de mostrar a força que eles tem e fazer valer essa idéia de paralização.Só assim é que realmente conseguiremos o nosso direito adiquirido de ir e vir.

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