Mescla de serviços em um ônibus tem virado tendência de mercado

ônibus onibus
Ônibus da Util – União Transporte Interestadual de Luxo, com duas categorias de serviço saindo do TERSA – Terminal Rodoviário de Santo André. A utilização de duas categorias em um único ônibus, como ocorre com primeira e segunda classe na Aviação Civil, é mais uma arma das empresas para conquistar passageiros. Foto: Adamo Bazani

Empresas de ônibus apostam em mix de serviços em um único veículo
Objetivo é oferecer diferentes opções num mesmo horário e conquistar número maior de passageiros

ADAMO BAZANI – CBN

Primeira classe e segunda classe.
Logo de cara, estes termos podem lembrar a aviação.
Mas algo semelhante, que já era prática em algumas empresas de ônibus tem virado tendência no mercado de transporte rodoviário: oferecer pelo menos duas categorias de serviços diferentes em um único ônibus.
E cada vez mais companhias adotam o sistema e dizem considerar os resultados um sucesso.
Normalmente, os ônibus com mais de uma categoria nas linhas rodoviárias até então se restringiam a veículos DD, Double Decker, de dois andares. Na maior parte das vezes, no primeiro andar a categoria é de primeira classe, com poucas poltronas leito e no segundo piso do ônibus, as poltronas são convencionais ou semi-leito, dependendo da linha ou da empresa.
Mas agora, a oferta de dois tipos de atendimento tem se ampliado em ônibus de um pavimento.
As vantagens são várias para empresas e passageiros.
Para as companhias, elas podem atender a um público maior, mais exigente e mais diversificado com um ônibus só, de acordo com a demanda de passageiros que é limitada em algumas categorias e maior em outras. Para os usuários, são mais opções num mesmo horário. Quem quiser um serviço de maior categoria ou mais econômico não precisa ficar esperando horários específicos já que o mesmo ônibus possui dois ou mais atendimentos.
No final do ano passado, a Viação Cometa, que atende ao Sudeste Brasileiro, lançou a configuração GTV – Gran Turismo Veículo. Há ônibus GTV na linha Curitiba – São Paulo.
O ônibus GTV possui 9 poltronas leito na parte dianteira e 24 poltronas executivas na segunda parte.
A diferença entre os serviços Double Service é que no GTV os embarques não são feitos por uma porta apenas. Pela porta dianteira entram os passageiros da categoria leito e pela porta do meio passam os usuários do serviço semi-leito.
Os ônibus são do modelo Marcopolo Paradiso 1200, Geração Sete.
Do mesmo grupo da Cometa, a Auto Viação Catarinense também entre os estados de São Paulo e Paraná oferece um tipo de ônibus com duas categorias. Os Double Service, que possuem 6 poltronas leito e 24 semi-leito, podem ser vistos, por exemplo, na linha entre Curitiba e São Caetano do Sul, no ABC Paulista.
A Util – União Transporte Interestadual de Luxo, que atende a estados como Minas Gerais e São Paulo, tem o serviço Mix.
Há duas configurações do Mix: uma com seis poltronas leito e 24 padrão executivo e outra com 12 poltronas semi-leito e 24 convencionais. O ônibus é na cor laranja.
A Util pinta os ônibus de acordo com a categoria:
O Clássico é Azul: O ônibus Clássico está preparado para 2 tipos de serviços:
• Convencional que pode ter 46 ou 50 lugares e possui gabinete sanitário
• Executivo que tem 46 lugares, ar condicionado e gabinete sanitário.
O Plus é azul mais claro:
Veículo com capacidade para 42 passageiros, equipado com ar condicionado, gabinete sanitário, apoio para pernas, TV e DVD.

O Premium é rosa:
Veículo equipado com 34 poltronas padrão semi-leito, com reclinação de 55 graus, gabinete sanitário, equipado com ar condicionado, apoio para pernas, TV e DVD

O Leito é verde:

Veículo equipado com 19 poltronas do tipo cama com reclinação total. Dispõe de ar condicionado, apoio para pernas e gabinete sanitário.

Há ainda o Animal Planet, pintado como se fosse uma zebra, com ônibus executivo, ar condicionado e banheiro. São 46 poltronas executivas.

Apesar de não ser nenhuma novidade, a mistura entre categorias no mesmo ônibus tem aumentado. É mais uma arma das empresas para tentarem conter a perda de passageiros que ocorre tanto para o avião como para os ônibus clandestinos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.