Portadores de deficiência humilhados nos transportes de Santo André

acessibilidade

Renata Aparecida Oliveira olha perplexa para o elevador do ônibus que não funcionava na linha B 63, no Bairro Paraíso. A rotina de quem possui limitação de movimentos é dura nos transportes de Santo André. Há linhas inteiras, inclusive as que servem hospitais, sem nenhum ônibus com elevador para deficientes físicos. Quando o ônibus tem elevador, alguns motoristas não param ao verem o usuário na cadeira de rodas. Quando o motorista para, o elevador não funciona. Foto; Adamo Bazani.

A dura rotina de portadores de deficiência que precisam de ônibus em Santo André
Quantidade de veículos adaptados é insuficiente e os ônibus que possuem elevadores apresentam defeitos

ADAMO BAZANI – CBN

Quem possui algum tipo de limitação para se locomover e precisa usar ônibus em Santo André, na Grande São Paulo, muitas vezes enfrenta uma dura rotina, marcada por humilhação, constrangimento e perda de tempo.
A reportagem acompanhou uma mãe que precisa levar o filho que necessita de cadeira de rodas à escola todos os dias de ônibus e constatou que a situação não é nada fácil.
Renata Aparecida Oliveira mora no Jardim Cristiane e seu filho estuda na EEPSG Dr. Luiz Lobo Neto, no Bairro Paraíso. Os dois bairros são praticamente vizinhos, mas às vezes Renata e o filho levam mais de uma hora para conseguirem ir de casa para a escola e vice e versa.
Tudo por conta da falta de acessibilidade nos transportes públicos em Santo André.
Quando não faltam ônibus com equipamentos, como elevadores, os motoristas não param no ponto, quando param, os elevadores apresentam defeitos.
E foi o que constatou a reportagem que ficou no ponto de ônibus da Rua Jabaquara, no bairro Paraíso, ao lado de Renata, na calçada da escola.
“Ta vendo este ônibus moço? Eu não posso pegar com meu filho porque nenhum desta linha tem elevador” – disse Renata.
Ela se refere a linha T 15. Não há nenhum ônibus adaptado nesta linha, apesar de ironicamente ela ter ponto final num dos hospitais de referência do ABC Paulista: o Hospital Estadual Mário Covas. Outra linha a I 08 também passa pelo Hospital, mas nenhum ônibus é adaptado.
A única linha de ônibus que serve esta e outras unidades de saúde que possui elevador nos carros é a B 63, que também passa pela escola onde o filho de Renata freqüenta.
“Tem motorista que é humano, mas outros, me veem com o meu filho na cadeira de rodas e passam direto” – denunciou Renata.

ELEVADOR NÃO É GARANTIA DE ACESSIBILIDADE:

E mesmo quando chega um ônibus com elevador, ainda não há garantia de o portador de deficiência física e a pessoas que o acompanha serem transportados com dignidade.
E foi também o que constatou a reportagem.
Depois de cerca de 20 minutos de espera, chegou um ônibus adaptado. O veículo era do tipo micrão, daqueles que são maiores que micro-ônibus e não têm cobradores. O ônibus estava lotado com pessoas disputando espaço em pé dentro do micrão.
A Viação Vaz, que opera a linha B 63, não costuma acionar a porta do meio com elevador para o embarque e desembarque de passageiros que não precisam usar cadeira de rodas, mesmo havendo esta possibilidade. Usuários sem necessidade de apoio só usam a porta dianteira e a traseira. Mesmo todo este cuidado com a porta do meio, o elevador não funcionou corretamente.
Foram necessários cerca de dez minutos para colocar o estudante dentro do ônibus.
Quando o elevador foi acionado, a rampa para a cadeira não encostou de maneira correta no chão, com as extremidades não se dobrando como o projetado.
O motorista e a mãe do garoto tiveram de pegar a cadeira nas mãos para colocar sobre o elevador.
Após o equipamento ter subido e o garoto embarcado, a mãe estava ainda do lado de fora. Isso porque o elevador travou e não queria descer mais. O motorista teve de forçar com os pés para a plataforma voltar ao normal.
Neste tempo todo, um outro ônibus da mesma linha veio e ultrapassou o carro que deveria estar na frente.
Uma operação simples de embarque de usuário de cadeira de rodas representou constrangimento, atrasos e violação dos direitos de quem é portador de necessidade especial.
“E o pior é que não é o único ônibus com elevador quebrado. Isso acontece direto” – relatou Renata.
“Aleluia, Aleluia”, bradou o motorista quando conseguiu colocar a rampa do elevador no lugar depois de muito esforço. O profissional que a reportagem acompanhou tentou tratar da melhor maneira Renata e o garoto. “Mas assim fica difícil” – disse ele.
Para Renata e tantas outras mães que precisam levar os filhos com deficiência na escola, todo este constrangimento, pode se repetir a qualquer hora.
Segundo a Prefeitura de Santo André, a cidade possui 407 ônibus, sendo que 97 desta frota têm equipamentos de acessibilidade.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

19 comentários em Portadores de deficiência humilhados nos transportes de Santo André

  1. Adamo que flagrante heim! Se a gente escreve ou fala sobre esse tipo de problema parace até mentira, mas essa cena é o retrato do que acontece todos os dias em várias partes do Brasil, é engraçado ouvir falar de acessibilidade, todos os governantes dizem que a lei é cumprida será? Esses ônibus adaptados são defeituosos exatamente pela falta de manutenção e cuidados com o elevador,além disso a impressão que dá é que o elevador nem deveria existir é algo improvisado mesmo, salvo algumas excessões, alguns empresários adquirem esses veículos porque são obrigados por força de leis e licitações, passa a impressão as vezes que uma pessoa com necessidades especiais atrapalha, (dá pra ouvir reclamações de pessoas de dentro do ônibus na sua filmagem), e por essas e outras situações que já presenciei que faço questão enquanto educador de ensinar meus educandos mostrando a eles o funcionamento das coisas, sempre que saio de ônibus e essa cena aparece, promovo uma discussão sobre a importancia da inclusão não só das pessoas com necessidades especiais mas de todos os cidadãos, o que quero dizer é que esse vídeo deveria ser usado numa sala de aula para mostrar o descaso e ensinar crianças e jovens sobre cidadania e inclusão. Em relação á empresa acho que vc deveria mandar uma cópia desse vídeo para o órgão responsável da prefeitura para que providencias sejam tomadas e uma cópia para o proprietário do ônibus pra ver se ele também tome providencias, e em relação ao motorista que não ajudou a Sra. Renata e seu filho, leva-lo para um treinamento tipo aquele feito na Leblon e parabéns ao motorista que ajudou, embora faça parte do trabalho dele, merece elogios.

  2. Obrigado Roberto. Como jornalista, cidadão e humano, não tive como me indignar.

    Eu jpa estive numa cadeira de rodas por conta do meu acidente. A tristeza é grande, por mais preparo psicológico que uma pessoa possa ter. Por isso que NÃO ACEITO QUE PESSOAS NESSA SITUAÇÃO PASSEM POR HUMILHAÇÃO. SÃO CIDADÃOS QUE TÊM SEUS DIREITOS VIOLADOS.

    Quanto ao elavador, eu falo da Leblon porqiue eu conheço a rotina de lá. O equipamento é verificado quando o ônibus chega a garagem e antes de sair.

    A VAz nem deixa passageiros sem necessidade usar a porta do meio com elevador e emsmo assim isso acontece????

    Essa linha T 15 vai para hospitais e não tem um ÕNIBUS SEQUER COM ACESSIBILIDADE

  3. E DETALHE NO VÍDEO.

    O SISTEMA “ANJO DA GUARDA” NÃO ESTAVA FUNCIONANDO, POIS O ÔNIBUS COMEÇOU A ANDAR E A PORTA NÃO TINHA FECHADO COMPLETAMENTE. O ANJO DA GUARDA É UM DISPOSITIVO DE SEGURANÇA QIE EVITA QUE O ÔNIBUS ANDE COM AS PORTAS ABERTAS

  4. acabo filmando o prefixo do carro

  5. Não tem nem o que flar disso…Vergonha.Parabéns pelo Flagra Adamo.

  6. Bom dia Adamo! Mais uma vez utilizo esse espaço e “parabenizo” a conceituada empresa Metra pelo “excelente serviço e respeito” que são oferecidos para os passageiros. Novamente fomos tratados na manhã de hoje (10/02) com desprezo, já que com a paralisação dos arcaicos trólebus, tivemos que nos virar com a pouca e insuficiente quantidade de ônibus a diesel. E pensar que provavelmente haverá uma cobrança extra no custo da passagem dentro do Terminal São Mateus, pois é…, percebe-se que essa medida é “justa”. Atenciosamente. Selton Novaes.

    • concordo!Selton,pagamos mto caro pela passagem e nao temos integraçao,mas nao me refiro,só entre municipais,e sim municipais e intermunicipais.no terminal sao mateus vai acabar(entre himalaia e metra)no sonia maria nao tem,santo andre leste,nao tem,oeste…e vai a cada vez que descemos temos que pagar uma nova tarifa,por alem de até ir em pé!

  7. Excelente matéria! Nós, do poder público, que estamos envolvidos diretamente nessa questão, precisamos ter o cuidado de não gerar uma acessibilidade ilusória, somente para pregar em outdoors, para que o mais necessitado fique em algumas situações desamparado e tristemente humilhado.

    Abraços!

  8. Que vergonha!!

  9. Que vergonha! Isso é lamentável.

  10. Olá nobre amigo Adamo.
    Quanto a reportagem, realmente parabéns.
    Quanto a situação de acessibilidade, é um conjunto de coisas erradas que infelizmente não se resolve “colocando ônibus com elevador” na linha.

    Do tempo em que morei permanentemente aí em Santo André (13 meses) sem contar as idas e vindas que foram uns 2 anos, pude perceber que na grande maioria dos bairros a calçadas são muito irregulares, ou seja, só isto já dificulta o funcionamento de um ônibus teoricamente “acessível”… aliado a isto, realmente entra o baixo número de veículos com o fatídico elevador. Porém em um congresso de transporte assisti a uma apresentação que falava que o elevador é um dos piores e menos eficientes equipamentos de acessibilidade que podem ser utilizados no transporte coletivo. Em função da dificuldade de operação, das inúmeras, inúmeras falhas de funcionamento, e porque garante acesso apenas a portadores de deficiência de locomoção. E as demais pessoas portadoras de outros tipos de deficiência. Não podem ter um transporte acessível?

    Trabalhando com transporte a mais de 12 anos eu acho incrível como se investe em equipamentos moderníssimos para redução do consumo de combustível, melhorar a eficiência dos motores, etc. Ou seja, os fabricantes e montadoras não medem esforços para trabalhar naquilo que poderá ser um chamariz na venda do veículo ao empresário. Porém o elevador, dá a impressão que a montadora diz: “Ah, use este mesmo que é mais barato!!!”, pois é impressionante o número elevadíssimo de falhas que este equipamento apresenta.

    Aqui em Curitiba TODOS os veículos que operam nos corredores NÃO tem elevadores e SÃO acessíveis. Pois o embarque é em nível e o acesso ao tubo de embarque está sendo alterado do fatídico elevador (que pra variar também apresentam muitos defeitos) para rampas de nível. Porém é claro que não é simples fazer isto em todos os lugares, porém há de se um dia começar. Ou será que ninguém vai começar?

    Abraço meu nobre amigo. E espero em breve reve-lo pessoalmente.

  11. que vergonha para o transporte de santo andre,motorista sem educaçao que na para,onibus que tem o elevador quebrado!isso nao pode ficar assim!se eu fosse prefeito,iria colocar onibus piso baixo,ou onibus proprios só para deficiente(exemplo,a pessoa assiona leva e busca)nao da,ainda por cima mtos onibus ja eram usados!pq ele nao colocam por exemplo.busscar,millenium,gran viale etc….pelo menos com piso baixo central,fazer manutençao etc…eles acharam que nesse dia nenhum deficiente ia usar o transporte!e prefeito se sto andre faça melhorias!

  12. Realmente a pessoa se sente humilhada, mas acho que um termo melhor seria CONSTRANGIDA!. Na verdade o constrangimento é geral, total. A pessoa Portadora de Restrição de Mobilidade se sente constrangida, a pessoa acompanhante também e o mesmo se dá com o condutor do veículo e os passageiros, sem se falar em terceiros.
    Se isso acontece com frequência, conforme postado, há a necessidade premente e urgente por parte da empresa concessionária, de efetuar a imediata reparação do equipamento. O proprietário da empresa, a diretoria, os ‘chefes’, líderes e fiscais precisam concientizar-se de seu papel de servidores públicos perante a sociedade e precisam reparar essa situação já, até mesmo cobrando dos responsáveis.
    Por outro lado, já presenciei casos em que a plataforma estava operando adequadamente e derrepente em um dado momento, quebrou e deixou de funcionar como devia. Isso ocorre não por falta de manutenção, mas simplesmente pelo fato de se tratar de um equipamento mecânico/elétrico. Estou com meu carro numa avenida e derrepente o escapamento cai na rua… ou quebra um pivô da roda e a bandeija se desloca de seu lugar e me vejo obrigado a parar… ou começou a chover e um dos limpadores de parabrisa deixa de funcionar… ou derrepente o motor ferve, etc etc etc. Esses são apenas exemplos de que praticamente tudo pode acontecer a qualquer um de nós a qualquer momento e que nem sempre foi por falta de manutenção, mas simplesmente por que equipamentos quebram. Em se tratando de veículo “comunitário”, tal como Ônibus, Ambulância, Viaturas, Caminhão Coletor da Prefeitura, etc… que estão em constante uso diário e por extenso período de tempo, é natural que se quebrem quando menos se espera. Mas não discarto que DEVE HAVER UMA REGULAR, PERIÓDICA E CONSTANTE CHECAGEM POR PARTE DA MANUTENÇÃO, para que se evite ou no mínimo se amenise situações constrangedoras e humilhantes a todos.
    Seja como for, isso tudo é desagradável e esperamos as devidas providências que devem vir não só dessa empresa citada na postagem, mas de todas as empresas privadas, públicas e até mesmo pessoais.
    Um Abraço e Sucesso.

  13. eu acho?uma vegonha elevador.tudo quebrado motorista sei educção ele nei ajuda as pessoas fisica joje eu pegei o onibus. b63 o motorista não mim ajudo a inpresa divia coloca.mais onibus na linha vc so que dinheiro vamos melhoras esse onibus justiça.justiça

  14. hoje?eu fui pega 05 o motorista não desseu pra abaixar o elevador todos osmotorista divia faser isso eles eu fiquei 50minutos para o motorista desser tava tudo quebrado divia so ter onibus para caderante quero qui vc toma providença

  15. wagner pai de um especial // 27 de Maio de 2012 às 12:44 // Responder

    se os proprios onibus, são todos eu disse todos são carroças, esses caras vão se preocupar com a manutenção de um elevador, os que tem só se preocuparam em obedecer a lei: de ter e não o manter, não sei se a Lei fala da manutenção em si………mas a dica que a maioria relatou: fotografar o onibus, o prefixo ou filmar com seu celular e denunciar……..

  16. Olá Adamo. Sempre visito o blog mas nunca comento, até agora.

    Queria deixar apenas minha indignação com esse fato dos ônibus adaptados em Santo André. Sou morador da cidade e ontem, estava a bordo do ônibus nº 08 820 da Expresso Guarará, que estava fazendo a linha TR 141 – Terminal Vila Luzita / Praça IV Centenário – quando o veículo parou em um ponto da Rua das Monções. No ponto, estavam uma moça acompanhada de uma cadeirante. O motorista foi de muito boa vontade para ajudá-la a embarcar, mas quando foi checar o elevador do ônibus, notou que estava sem chave. O motorista disse que a responsabilidade era da Expresso Guarará, e que aquele não era o único carro que estava sem chave; ele orientou a mulher a anotar o número do carro e ligar na garagem para reclamar. RESULTADO: a cadeirante não pode embarcar. A indignação não foi só minha, pois uma outra passageira pediu o número do carro para reclamar também.

    Decidi postar isso aqui porque vi que o blog também tem um intuito jornalístico, de denúncias. Ai vem a pergunta: para que servem os ônibus adaptados – ainda mais os veículos de uma empresa do porte da Guarará, onde quase 100% de sua frota é adaptada – se os motoristas, ora são mal educados, ora não tem experiência em mexer nos elevadores, e ora não tem nem a chave do equipamento? É triste a situação do transporte de Santo André, ainda mais com a chegada de mais ônibus adaptados em linhas que nunca tiveram um desses antes, portanto, os motoristas não devem ter experiência nos elevadores.

    Desculpe o desabafo, mas precisava mostrar isso em algum lugar.

  17. Parabens ao jornalista Adamo Bazani o sr. é um exemplo de cidadania e profissionalismo.

    Aqui em Salvador , enfrentamos exatamente o mesmo problema. Existe apenas uma solução: ônibus com piso baixo

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