VLT Veículo Leve sobre Trilhos. Em Cuiabá, há suspeita de fraude do Ministério das Cidades para garantir a troca do BRT, sistema de corredores de ônibus rápidos, por VLT – Veículos Leves sobre Trilhos, que é mais caro e de implantação mais lenta. As obras de mobilidade de Cuiabá,que iriam custar R$ 500 milhões passaram com o VLT a ser de R$ 1,2 bilhão. Ocorre que o documento para convencer a mudança teria sido adulterado, usando dados do BRT para o VLT. Além disso, o técnico que defendeu a manutenção dos corredores de ônibus foi pressionado para mudar seu parecer e pediu desligamento do Ministério.
Troca de projetos em Cuiabá deve ser investigada
Análise que defendia corredor de ônibus teria sido adulterada para implantação de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos
ADAMO BAZANI – CBN
Uma possível fraude do Ministério das Cidades para a implantação de um VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, em Cuiabá, no Mato Grosso deve ser alvo de investigação.
Com verbas de R$ 500 milhões já liberadas para a construção de um corredor de ônibus rápido, BRT – Bus Rapid Transit, o Governo do Mato Grosso decidiu trocar o sistema de transportes, a ser implantado até a Copa de 2014, para VLT – Veículo Leve sobre Trilhos.
Com isso, as obras para atender o mesmo trajeto subiram de R$ 500 milhões para R$ 1,2 bilhão, uma diferença de gastos de R$ 700 milhões a mais para os cofres públicos.
A alegação do Governo do estado para o Ministério das Cidades é de que o VLT transportaria mais pessoas e mais rapidamente.
Mas o estudo técnico para convencer o Governo Federal a financiar o modal sobre trilhos tem a suspeita de adulteração, o que prejudicou a comparação de fato entre os dois modais.
Havia correntes de técnicos favoráveis ao BRT, por ser mais barato e de fácil implantação. Dados do BRT, principalmente de prazos, que são mais curtos, teriam sido usados para que o VLT se tornasse o principal molda de Cuiabá e região, servindo a população e torcedores.
Em agosto, o Ministério das Cidades fez um estudo para analisar a troca do BRT pelo VLT alertando sobre os custos maiores do modal de trilhos e o maior tempo de implantação.
De acordo com a denúncia do jornal O Estado de São Paulo, o estudo de 16 páginas, sob o número 123/2011 foi trocado por um outro de 16 páginas também com a mesma numeração. Esse documento foi inserido a partir da página 139 da primeira análise na matriz de responsabilidade da Copa do Mundo e publicado em 09 de novembro.
O técnico Higor Guerra tinha assinado parecer contra o VLT por considerar que “não contemplaram uma exaustiva e profunda análise comparativa”. Segundo ele, os prazos eram insuficientes e a verba para a BRT já estava dentro do planejamento dos gastos do ministério.
Segundo a denúncia, Guilherme Ramalho, coordenador geral de infra-estrutura da Copa de 2014 do Ministério do Planejamento, Cássio Peixoto, homem de confiança do ministro Mário Negromonte, e Luiza Vianna, diretora de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades exigiram que Higor mudasse o estudo, indo contra suas análises técnicas.
Higor pediu afastamento do Ministério.
RESPOSTA
Segundo nota da Revista Época, o Ministério das Cidades não se pronunciou sobre o fato de existir duas notas técnicas de número 123/2011 sobre o projeto de Cuiabá para a Copa do Mundo. Disse que há apenas um parecer com esse número, assinado pela diretoria e gerência de Mobilidade Urbana. Segundo a nota, o estudo “concorda com a defesa técnica do Estado e aprova a mudança na matriz de responsabilidade apresentada pelo governo do Estado”.
A pasta admitiu que houve divergência interna por parte dos técnicos. “Seguindo o rito processual da administração pública, os técnicos envolvidos no trabalho discutiram, analisaram e reavaliaram a pertinência ou não do novo modelo de transporte proposto pelo governo do Estado, tendo manifestado opinião divergente ao parecer final, opinião essa que foi revisada e refutada tecnicamente no momento da conclusão da análise”.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.