PRISÃO DE BELARMINO JÚNIOR: Empresário João Henrique Poppi diz que esquema era maior

Fraudes em Campinas

O empresário João Henrique Poppi, em entrevista à EPTV, filiada da Globo de Campinas, denunciou que o suposto esquema de fraude de licitações em transportes por fretamento, que seria chefiado por Belarmino Marta Júnior, é bem maior que o apurado inicialmente. De acordo com o empresário, participavam das fraudes funcionários públicos da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) e da Unicamp. Ele relatou ameaças, intimidações pessoais, perdas de clientes e até roubo de ônibus. Imagem: EPTV de Campinas

Prisão de Belarmino Júnior: Esquema de fraude em licitações envolvia funcionários da Unicamp e da Emdec
Denúncia foi feita pelo empresário João Henrique Poppi à EPTV , de Campinas. Ele disse como foram as ameaças feitas por empresários que pertenciam a suposto esquema que seria chefiado por Belarmino Júnior, um dos maiores empresários da região
ADAMO BAZANI – CBN

Ameaças e intimidação física. Intimação para vencedores de licitação não prestarem serviços. Participação de funcionários públicos e até roubo de ônibus em linhas que seriam atendidas pelo empresário rival.
O esquema de fraude em licitações que resultou em operação do Gaeco (Grupo do Ministério Público que investiga o crime organizado) de Campinas pode ser bem maior que o imaginado inicialmente.
É o que revelou em entrevista exclusiva à EPTV, filial da Rede Globo de Campinas, o empresário de ônibus João Henrique Poppi, dono da Expresso Poppi, empresa de fretamento.
A partir de denúncias dele, o Ministério Público e a Polícia Civil realizaram uma operação na sexta-feira responsável pela prisão de sete pessoas Belarmino Marta Júnior que tem participação em empresas como Rápido Luxo Campinas e VB Transportes, Miguel Moreira Júnior, dono da Transmimo, Ariovaldo Marta Maiçara, dono da Capelinni Turismo, José Brigeiro Júnior, dono da Exclusiva, Rosa Maria Júlio Landin, assessora da diretoria do Sinfrecar – Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento de Campinas e Região, Cássia Eliana Turini, funcionária da Transmimo e Fernando Antônio Rossi, funcionário da Capelini.
Em entrevista à emissora de TV, João Henrique Poppi, relatou casos que chamaram a atenção.
Segundo ele, na primeira licitação que venceu para prestar serviços de ônibus de fretamento dentro da Unicamp, o empresário José Brijeiro Júnior teria cercado uma funcionária de Poppi e a pressionado contra a porta da empresa, ameaçando-a.
Além de ter perdido clientes, Poppi disse que teve um ônibus roubado. O mesmo que iria começar a prestar serviços num processo licitatório.
No dia do roubo ele foi visitado por três pessoas, entre elas, o dono da Capelini Turismo, Ariovaldo Marta Maiçara.
Ariovaldo teria falado indiretamente sobre o roubo, de acordo, com João Henrique Poppi.
João Henrique Poppi disse também que além dos presos na Operação, participariam do esquema de fraude em licitações funcionários públicos, como da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas).
O órgão público teria dificultado a liberação de alvarás, como acredita o empresário.
CONFIRA A MATÉRIA COMNPLETA DA EPTV:
Em entrevista exclusiva à EPTV, o empresário João Henrique Poppi (foto abaixo), dono da empresa de ônibus Expresso Poppi Ltda, revelou que o esquema de fraudes no serviço de transporte fretado e circular interno na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) envolve também funcionários do Departamento de Transportes da instituição e da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas). Na sexta-feira (30), sete pessoas, entre elas empresários do setor e funcionários do Sindicato das Empresas de Fretamento (Sinfrecar), foram presas durante uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em conjunto com a Polícia Civil, acusadas de formação de quadrilha e cartel no serviço de transporte fretado.
O Ministério Público começou a investigar o esquema após denúncia de Poppi em 2009. O empresário contou à Promotoria que na primeira licitação que ganhou, foi ameaçado para deixar o pregão. Ele relatou um desses casos, quando o dono da Exclusiva Transportes, José Brijeiro Junior, abordou a sócia de Poppi em frente ao escritório da empresa, pressionando-a contra a porta. O concorrente teria perguntado o que o empresário queria em troca para desistir da licitação. O proprietário da Exclusiva, segundo relato de Poppi, se irritou ao perceber que a Expresso Poppi Ltda não cederia à pressão. Coincidentemente, o empresário começou a perder clientes, entre eles a Vale do Rio Doce, no Estado do Rio de Janeiro, para qual o empresário prestava o serviço há sete anos. Em nota, a Vale alega que precisa de mais informações sobre o contrato para poder se manifestar sobre o assunto.
Ainda durante o período que prestou o serviço para a Unicamp, um ônibus de João Henrique foi roubado. Segundo ele, o veículo seria o mesmo que ele iria colocar à disposição para um novo processo licitatório. No dia do roubo, o empresário conta que recebeu a visita de três pessoas, entre elas o sócio da Capellini, Ariovaldo Marta, preso durante a operação. “Ele me puxou de canto e disse que não era mais para eu participar da licitação. Disse ainda que antes eu tinha cinco ônibus, e que agora tinha quatro, e mais a minha vida”, relata Poppi.
Depois disso, Poppi foi convidado por Ariovaldo Marta para fazer uma outra visita à empresa Rápido Luxo, para um encontro com Belarmino Marta Júnior, em Valinhos. O padrinho de Poppi se reuniu com os empresários e foi informado, mais uma vez, de que a Expresso Poppi Ltda deveria desistir do contrato da Unicamp. Caso contrário, eles “teriam problemas” com fornecedores e bancos, e que “do dia para a noite, ele teria alguns ônibus queimados na garagem”. Um dos empresários teria dado uma lista dos bancos que eles tinham conta bancária e que Poppi teria dificuldade para obter crédito. O padrinho não aceitou as determinações impostas pelos empresários concorrentes. Após o encontro, João Henrique Poppi e o padrinho passaram a receber mais ameaças. Eles tiveram que esconder os ônibus, com medo de represálias antes que começarem a operação na Unicamp.
Liberação de alvarás
Ele também contou à reportagem da EPTV que começou a encontrar barreiras na Emdec para operar as linhas. Segundo o empresário, mesmo estando com protocolos em dia para circular na região de Campinas, fiscais exigiam alvarás de funcionamento. João Henrique disse que por diversas vezes os selos dos veículos foram marcados como vencidos, mesmo estando dentro do prazo.
Poppi conta ainda que se sentiu prejudicado em outros casos e que não descarta o envolvimento do diretor técnico de Transportes da Unicamp e de um fiscal subordinado a ele. O empresário questiona a demora da instituição em tomar providências, já que repassou à universidade todas as irregularidades antes da denúncia ao MP. “Se a Unicamp foi vítima, porque não agiu antes?”, questiona. A Unicamp informou que só vai se pronunciar após ser notificada pelo Ministério Público.
Em nota, a Emdec informou que o processo de vistoria é mesmo rigoroso e que cumpre todas as medidas de segurança, por tratar de transporte de passageiros para todas as modalidades. A empresa explicou ainda que “o serviço de fretamento tem a prerrogativa de realizar a vistoria e apresentar laudo aprovado não só pela Emdec, mas também por órgãos como a Artesp e EMTU. Caso o interessado não queira passar por nossa vistoria, ele tem outras alternativas”. Em relação à demora na expedição de alvarás, a Emdec informou que foram encontrados problemas, para linha interligando a Unicamp à Moradia Universitária, como a utilização de veículo fora dos padrões legais. A nota diz que “eram veículos que não atendiam ao padrão rodoviário, com única porta; e, ainda, não estavam em nome da empresa Poppi, devidamente cadastrada. Ou seja, a Poppi era cadastrada, mas os veículos estavam em nome de outra empresa não cadastrada”.
Sindicato
O Sinfrecar, que representa mais de cem empresas de transporte de pessoas por fretamento em 51 cidades nas regiões de Campinas, Piracicaba e Jundiaí, divulgou uma nota na tarde desta segunda-feira (3), que afirma o desconhecimento de qualquer irregularidade ou atividade ilegal praticada por empresas associadas ou funcionários. “O sindicato é a favor das apurações e está aberto para colaborar com as investigações. Paralelamente está sendo aberta uma sindicância interna para apurar os fatos noticiados, bem como tomar toda e qualquer medida cabível prevista no Estatuto Social da entidade”, informa nota.
Prisões
Na operação na sexta-feira, foram presos Miguel Moreira Júnior, dono da empresa Transmimo, José Brijeito Júnior, dono da Exclusiva Transportes, Ariovaldo Marta, da Rápido Luxo, Marcelo Pereira, e Belarmino Marta Júnior, também da Rápido Luxo, que seria o chefe o cartel, segundo o Gaeco. Também foi cumprido o mandado de prisão temporária de Rosa Maria Júlio Landin e uma mulher identificada como Cássia, ambas do Sinfrecar. O funcionário da Capellini, Fernando Antônio Rossi, se entregou à Polícia Civil no fim da manhã desta segunda-feira, acompanhado de seu advogado. Os homens estão presos na cadeia anexa ao 2º Distrito Policial de Campinas e devem prestar depoimento nesta terça-feira (4) ao MP. A defesa de Rossi pediu o adiantamento do depoimento para esta segunda-feira, alegando problemas de saúde do cliente. Os promotores ainda não se manifestaram sobre o assunto. As duas mulheres, que também foram presas na operação, estão na cadeia feminina de Paulínia e também devem ser ouvidas nesta terça.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes, com informações da EPTV.

2 comentários em PRISÃO DE BELARMINO JÚNIOR: Empresário João Henrique Poppi diz que esquema era maior

  1. Parabens pela informaçao e o trabalho bem realizado esperamos que essa QUDRILHA não fique impune

  2. oi Maria, tudo bem? Ainda falta uma quadrilha para se fazer justiça. Acesse no Yotube o seguinte endereço: 3reais-homenagem ao consorcio leste 4.
    Abraços

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